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segunda-feira, 5 de março de 2012

Pedro Pomar e a morte de Josef Stálin


Hoje, aniversário da morte do de Josef Stálin, publico um trecho da biografia do histórico dirigente do Partido Comunista do Brasil, Pedro Pomar, no prelo, sobre esse importante líder revolucionário soviético.
Por Osvaldo Bertolino
Apagara-se uma estrela que com sua luz iluminava o caminho para o futuro de paz, de alegria e de fartura. Pedro Pomar descreveu assim a morte de Josef Stálin, em março de 1953, no jornal A Classe Operária dedicado ao ocorrido, em artigo intitulado “A causa de Stálin é invencível”. Escreveram, também, lamentando a morte do líder revolucionário soviético, Prestes, Amazonas, Arruda, Grabois, Jacob Gorender e Mário Alves.
Pedro Pomar disse que a dor pungente, a lágrima incontida, o sofrimento que emudece e trava as mentes ante a perda do chefe e mestre, pai e amigo, eram inevitáveis. O texto, carregado de emoção, descreveu em detalhes a morte de Stálin. “Quando nos foi transmitida a estarrecedora notícia, parecia o inacreditável. A princípio, a enfermidade traiçoeira. Depois, a morte irremediável. Era a desgraça que não podíamos, nem queríamos, esperar”, disse. “Os delegados do nosso querido Partido Comunista no histórico XIX Congresso do partido de Lênin e Stálin, diziam: ‘Ainda há poucos meses o vemos tão cheio de vida e de energia, tão modesto e acolhedor, tão bom e tão sábio”, escreveu.
Um desses delegados, Diógenes Arruda Câmara, disse que o PCB recebeu “a ajuda teórica inestimável de Stálin” para a elaboração do programa aprovado no seu IV Congresso, em 1954. Segundo ele, em fevereiro de 1951 os comunistas do Brasil começaram a pensar na necessidade de elaborar um programa do Partido. “Então, tiramos uma grande comissão, e tiramos subcomissões, para trabalhar no programa do Partido. Esse programa nós levamos quase um ano para elaborá-lo. E, então, pela primeira vez elaboramos um programa revolucionário. É preciso dizer que para a elaboração desse programa nós recebemos a ajuda teórica inestimável de Stálin. Dado que se imaginava corretamente o seguinte: num texto de Lênin, ele afirmou algumas vezes que se a revolução, tendo sido vitoriosa na Rússia, fosse vitoriosa também na China e na Índia, estava decidida a vitória da revolução socialista proletária mundial”, afirmou.
Stálin teria dito que essa tese de Lênin podia ser reformulada no seguinte sentido: uma vez vitorioso o socialismo na União Soviética, e vitoriosa a revolução na China e no Brasil, estava decidido o destino da revolução socialista proletária mundial. “E essa tese era inteiramente correta, porque se a gente pensa como teve repercussão na América Latina a revolução em Cuba, com cerca de sete milhões de habitantes, quanto mais no Brasil, um país de dimensões continentais — que repercussão iria operar uma revolução vitoriosa no país!”, disse Arruda. “Então, nós recebemos uma grande ajuda teórica, ideológica do Partido Bolchevique e do camarada Stálin. Principalmente nesse processo de elaboração do programa, ele teve um papel de dizer como podia desempenhar uma revolução vitoriosa no Brasil”, disse.
Segundo Arruda, o líder soviético foi muito receptivo. “De fato, eu tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Stálin. Foi por ocasião do XIX Congresso do Partido Bolchevique. Stálin era uma figura extremamente simpática. Modesto, simples, afável, não tem nada disso que se propalou no mundo. E ele tinha muito carinho com o nosso Partido. Eu não privei particularmente com o camarada Stálin. Lamentavelmente não privei. O camarada Stálin tinha bastante carinho pelo nosso Partido e nos ajudou do ponto de vista teórico. Usava aquela roupa de soldado (pronuncia pausadamente)”, afirmou.
Pedro Pomar, no artigo sobre a morte de Stálin, disse que o líder revolucionário soviético morreu quando a glória do seu gênio descortinava vastos horizontes para a luta revolucionária e em defesa da paz, com um programa simples e claro, no discurso com o qual encerrou o XIX Congresso do Partido Comunista da União Soviética. “Ele indicou-nos o caminho da vitória, revelou as incalculáveis possibilidades das forças da classe operária, da democracia, da paz e do socialismo. As ideias do marxismo-leninismo, desenvolvidas e enriquecidas pelo espírito criador são as ideias triunfantes da nossa época. A causa que ele encarnou e dirigiu por mais de trinta anos é invencível. A obra e o nome do camarada Stálin são imortais”, disse.
A morte do histórico líder soviético teve grande repercussão no PCB. Em uma “reunião extraordinária e solene”, realizada em abril de 1953, o Comitê Central aprovou extenso Informe assinado por Prestes, denominado O XIX Congresso do Partido Comunista da União Soviética e as tarefas do nosso Partido. Pedro Pomar comentou o documentona edição de 30 de maio do mesmo ano do jornal Voz Operária, para ele “a prova mais brilhante da imensa repercussão, em nosso país, daquele histórico conclave”. Lavrado em tom indignado contra Vargas, o texto diz que Prestes assinalou as tarefas para “a luta em defesa das liberdades democráticas, procurando erguer ainda mais alto e levar adiante a bandeira que o gênio de Stálin indicou para o nosso glorioso Partido Comunista, como o único capaz de, na época atual, cumprir essa missão histórica”.


Fonte - O OUTRO LADO DA NOTÍCIA
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