terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pinturas Soviéticas da Segunda Guerra – Final


K.Vasilev. Nos Céus de Berlim

V. Sibirsky. Tempestade de Berlim

A.Lopukhov. Vitória

O.Ponomarenko. Vitória

Terrorismo e sabotagem trotskistas na URSS: rendez-vous em Berlim



Trechos do livro A grande conspiração — a guerra secreta contra a Rússia Soviética, dos jornalistas Michael Sayers e Albert E. Kahn


Nenhum incidente ou diálogo deste livro foi inventado pelos autores. O material foi colhido de várias fontes de documentação que vêm indicadas no texto ou mencionadas no fim, entre as “notas bibliográficas”.
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Desde o momento em que Trotsky deixou o solo soviético, os agentes dos serviços secretos estrangeiros movimentaram-se ansiosos por tomarem contato com ele e utilizaram-se de sua organização anti-soviética internacional. A Defensivapolonesa, a Ovra fascista italiana, o serviço secreto finlandês, os emigrados rusos-brancos que dirigíam os serviços secretos anti-soviéticos na Romênia, Iugoslávia e Hungria, e elemetos reacionarios como o serviço secreto britânico e o Deuxieme Bureau francês prepararam-se para entendimentos com o “Inimigo Público Número um da Rússia”.
Havia fundos, assistentes, uma rede de serviços de espionagem e de correio à disposição de Trotsky para manter e estender suas atividades de propaganda anti-soviética internacional e para apoiar a reorganização de seu aparelho conspirativo dentro da Rússia Soviética.
O mais importante de tudo isso era a crescente intimidade de Trotsky com o serviço secreto militar alemão (Seção 111B) que, sob o comando do coronel Walther Nicolai, já estava colaborando com a promissora Gestapo de Heinrich Himmler.
Até 1930, o agente de Trotsky, Krestinsky, recebera aproximadamente 2.000.000 de marcos-ouro da Guarda do Reich Alemão para financiar atividades trotskistas na Rússia Soviética, em troca de dados de espionagem entregues ao serviço secreto militar alemão pelos trotskistas. Krestinsky revelou mais tarde:
“De 1923 a 1930 recebemos anualmente 250.0000 marcos-ouro alemães, aproximadamente 2.000.000 de marcos-ouro. Até o fim de 1927 as condições desse acordo foram encaminhadas várias vezes em Moscou. Depois disso, do fim de 1927 ao fim de 1928, no decurso de cerca de dez meses, houve uma interrupção na remessa desse dinheiro, pelo fato de o trotskismo ter sido desmantelado, ficando eu isolado, sem saber dos projetos de Trotsky e sem receber informações ou instruções… Isto continuou até outubro de 1928, quando recebi uma carta de Trotsky, que nessa ocasião estava exiladoem Alma Alta… Essa carta continha instruções para que eu recebesse o dinheiro dos alemães, que ele propunha fosse entregue a Maslow ou aos seus amigos franceses, isto é, Roemer, Madeline Paz e outros. Entrei em contato com o general Seeckt. Nessa ocasião ele resignara a falar sobre o caso com Hammerstein e obter o dinheiro. Obteve-o. Hammerstein era nesse tempo o chefe do estado-maior da Guarda do Reich, e em 1930 foi promovido a comandante-geral.”
Em 1930 Krestinsky foi designado como comisario-assistente do Ministério do Exterior e transferido de Berlim para Moscou. Sua remoção da Alemanha, juntamente com a crise interna que se ia operando dentro da guarda do Reich como resultado do crescente poder do nazismo, detiveram novamente a caudal de dinheiro alemão para Trotsky. Mas este já estava para entrar em novo e mais extenso acordo com o serviço secreto alemão.
Em fevereiro de 1931, o filho de Trotsky, Leon Sedov, alugou um apartamento em Berlim. De conformidade com o seu passaporte, Sedov era um “estudante” na Alemanha; aparentemente tinha chegado a Berlim para frequentar um “instituto científico alemão”. Mas havia razões mais urgentes para a presença de Sedov na capital alemã naquele ano…
Poucos meses antes, Trotsky tinha escrito um folleto intitulado Alemanha: A Chave da Situação Internacional. Cento e sete deputados nazistas tinham sido eleitos para o Reichstag. O Partido Nazista recebra 6.400.000 votos. Quando Sedov chegou a Berlim, havia um sentimento de expectativa e tensão febril  na capital germânica. Milícias de camisas-pardas cantando “Horst Wessel” desfilavam pelas ruas de Berlim, assaltavam lojas de judeus e davam batidas nas casas e clubes de liberais e trabalhadores. Os nazistas estavam confiantes. “Nunca em minha vida estive tão bem desposto, despreocupado e contente como naqueles dias”, escreveu Aldof Hitler nas páginas do Voelkischer Beobachter.
Oficialmente, a Alemanha ainda era uma democracia. O comércio entre Alemanha e a Rússia Soviética estava no seu ponto alto. O governo soviético estava comprando maquinaria de firmas alemãs. Técnicos alemães vinham desempenhando tarefas importantes nos projetos soviéticos de mineração e eletrificação. Engenheiros soviéticos visitavam a Alemanha. Representantes comerciais soviéticos, negociantes e agentes viajavam continuamente entre Moscou e Berlim em tarefas ligadas com o Plano Quinquenal. Alguns desses cidadãos soviéticos eram companheiros ou antigos discípulos de Trotsky.
Sedov estava em Berlim como representante do pai, em issão conspirativa.
“Leon estava sempre à esperita”, escreveu Trostsky mais tarde em seu folleto Leon Sedov: Filho-Amigo-Lutador, “procurando avidamente fios de contato com a Rússia, à caça de turistas que regressavam, de estudantes comisionados no exterior, ou funcionários simpatizantes nas representações estrangeiras.” A principal tarefa de Sedov em Berlim era entrar em contato com os antigos membros da oposição, comunicar-lhes as instruções de Trotsky, ou coligir mensagens importantes para seu pai. “A fim de evitar comprometer seus informantes” e “para evadir aos espiões da OGPU”, escreveu Trotsky, “Sedov perdia horas a fio nas ruas de Berlim”.
Numerosos e importantes trotskistas tinham conseguido obter postos na Comissão de Comércio Exterior Soviético. Entre eles havia Ivan N. Smirnov, outrora oficial do Exército Vermelho e antigo membro dirigente da guarda de Trotsky. Depois de um curto período no exílio, Smirnov seguira a estratégia dos demais trotskistas, denunciando Trotsky e solicitando a sua readmissão no Partido Bolchevique. Como engenheiro profissional, Smirnov obteve logo um posto subalterno na indústria de transporte. No começo de 1931, Smirnov foi indicado como engenheiro-consultor de uma missão comercial que estava para seguir para Berlim.
Logo após a sua cegada em Berlim, Ivan Smirnov tomou contato com Leon Sedov. Em reuniões clandestinas no apartamento de Sedov e nas cervejarias e cafés suburbanos distantes da cidade, Smirnov soube dos planos de Trotsky para reorganização da oposição secreta em colaboração com agentes do serviço secreto alemão.
Daí em diante, comunicou Sedov a Smirnov, a luta contra o regime soviético devia assumir o caráter de uma ofensiva total. As antigas rivalidades e divergências políticas entre trotskistas, bukharinistas, zinovievistas, mencheviques, social-revolucionários e outros grupos e facções anti-soviéticas deveriam ser esquecidas. Era preciso formar-se uma oposição única.
Em segundo lugar, a luta asumiria daí por diante um caráter militante. Devia iniciar-se uma campanha nacional de terrorismo e sabotagem contra o regime soviético. Essa campanha tinha de ser elaborada com todos os seus pormenores. Por meio de golpes amplos e cuidadosamente sincronizados a oposição se habilitaria a derribar o governo soviético no meio de uma desesperadora confusão e desmoralização. Então a oposição tomaria o poder.
A tarefa imediata de Smirnov era transmitir as instruções de Trotsky para a reorganização do trabalho subterrâneo preparativos para o terrorismo e sabotagem, aos membros mais fiéis da oposição em Moscou. Competia também a ele enviar “dados regulares” a Berlim — que seriam entregues a Sedov por intermédio de portadores trotskistas, dados que Sedov confiaria ao pai. A senha de identificação desses portadores seria: “Eu trouxe saudações de Galya.”
Sedov solicitou a Smirnov mais uma coisa enquanto estava em Berlim. Ele devia encontrar-se com o chefe de uma missão comercial soviética que chegara recentemente em Berlim e informar a esse personagem que Sedov estava na cidade e desejava vê-lo para um assunto de extrema importância.
O chefe da missão comercial soviética que havia pouco chegara em Berlim era antigo companheiro de Trotsky e seu mais devoto admirador, Yuri Leonodovitch Pyatakov.
Magro e alto, bem trajado, testa altamente chanfrada, rosto pálido e barbicha ruiva e polida, Pyatakov parecia mais um mestre-escola do que o veterano conspirador que era. Em 1927, após o pretendido Putsch, Pyatakov fora o primeiro líder trotskista a romper com Trotsky e solicitar readmissão no Partido Bolchevique. Homem de extraordinária habilidade em direção e organização comercial, Pyatakov obteve várias tarefas nas indústrias soviéticas que se expandiam rapidamente, e isso mesmo quando ainda exilado na Sibéria.
No fim de1929, foi readmitido no Partido Bolchevique, para prova. Desempenhou uma série de cargos de direção em projetos de planificação industrial de transporte e produtos químicos. Em 1931, obteve um lugar no Supremo Conselho Econômico, a principal instituição soviética de planejamento; e nesse mesmo ano foi enviado a Berlim como chefe de uma missão especial para compra de equipamento industrial para o governo soviético.
Segundo as instruções de Sedov, Ivan Smirnov procurou Pyatakov em seu escritório em Berlim. Smirnov contou que Leon Sedov estava em Berlim e tinha uma mensagem especial de Trotsky para ele. Poucos dias depois, Pyatakov encontrou-se com Sedov. Eis como ele próprio narrou o encontro:
“Há um café conhecido como ‘Am Zoo’, a pequena distância do Jardim Zoológico na praça. Fui para lá e vi Leon Sedov sentado a uma mesinha. Nós nos tínhamos conhecido perfeitamente no passado. Ele me disse que não falava em seu próprio nome, mas em nome de Trotsky, e que este, sabendo que eu estava em Berlim, dera-lhe ordens categóricas para me procurar, encontrar-se pessoalmente comigo e falar-me. Sedov disse que seu pai não abandonara por um momento sequer a idéia de retomar a luta contra o governo soviético, que tinha havido uma pausa temporária, devida em parte ao vaivém de Trotsky de um país para outro, mas que essa luta estava para ser retomada, e disso ele, Trotsky, queria me informar… Depois Sedov perguntou-me a queima-roupa: ‘Trotsky pregunta a você Pyatakov, se tenciona ajudá-lo nessa luta.’ Dei-lhe o meu consentimento."
Então Sedov passou a informar Pyatakov acerca das linhas segundo as quais Trotsky se propusera a reorganizar a oposição:
“… Sedov continuou desenvolvendo a natureza e os novos métodos de luta: não se tratava de desenvolver uma simples luta de massas; se adotássemos essa modalidade de trabalho fracasaríamos imediatamente; Trotsky estava firme na idéia de uma derrocada violenta do governo de Stálin por métodos terroristas e destrutivos. Sedov disse ainda que Trotsky chamara a atenção para o fato de ser uma aberração confinar essa luta a um só país, não sendo possível fugir ao caráter internacional da questão. Nessa luta temos de achar também a solução necesaria para o problema internacional ou ao menos, para os problemas inter-estatais.
Quem quer que tente pôr de lado essas quesotes, disse Sedov, relatando palavras de Trotsky, assina seu próprio testimonium pauperatis.”
Seguiu-se logo uma segunda reunião entre Sedov e Pyatakov. Nessa ocasião Sedov lhe disse: “Você observa, Yuri Leonodovitch , que cada vez que se retoma a luta, é preciso dinheiro. Você pode providenciar os fundos necesários para a luta.” Sedov informou Pyatakov como poderia fazê-lo. Na sua qualidade de representante comercial do governo soviéticon na Alemanha, Pyatakov podia comprar o que quisesse nas duas firmas alemãs Borsig e Demag. Pyatakov não seria “muito exigente em matéria de preços” na realização desses negócios. Trotsky tinha um acordo com Borsig e Demag. “Você pagará preços mais altos”, disse Sedov, “mas esse dinheiro será encaminhado para os nossos trabalhos.”
Houve dois outros oposicionistas secretos em Berlim em 1931, que Sedov pôs a trabalhar no novo aparelho trotskista. Eram eles Alexei Chestov, engenheiro da missão comercial de Pyatakov, e Sergei Bessonov, membro da representação comercial da URSS em Berlim.
Bessonov, antigo social-revolucionário, era um homem possante, de aprência meiga, rosto moreno, que ia pelos seus quarenta. A representação comercial em Berlim, de quem Bessonov era membro, era a agência comercial soviética mais central na Europa e dirigia negociações com dez países diferentes. Ele estava, pois, idealmente habilitado a servir como “ponto de ligação”, entre os trotskistas russos e seu líder exilado. Ficou combinado que as comunicações trotskistas secretas da Rússia seriam enviadas a Bessonov em Berlim, e este as confiaria a Sedov ou a Trotsky.
Alexei Chestov era um personagem diferente, e sua tarefa devia corresponder ao seu temperamento. Ele tornar-se-ia um dos principais organizadores das células de espionagem e sabotagem alemã-trotskista na Sibéria, onde ele era membro do quadro do Truste Oriental e Siberiano de Carvão. Chestov estava no começo de seus trinta anos. Em 1923, quando ainda estudante en Moscou, no Instituto de Mineração, Chestov ligara-se à oposição trotskista, e, em 1927, chefiara uma das tipografias secretas em Moscou. Jovem esbelto, olhos claros, possuidor de intensa e violenta disposição, Chestov acompanhou Trotsky com fanática devoção. “Econtrei-me várias vezes, pessoalmente, com Trotsky”, gabava-se ele com satisfação. Para Chestov, Trotsky era “o líder”, e era como quase invariavelmente se referia a ele.
“Nosso papel não é espreitar e assobiar à espera de bom tempo”, disse Sedov a Chestov quando se encontraram em Berlim. “Precisamos dar-nos com todas as nossas forças e meios à nossa disposição a uma política ativa de descrédito do governo Stálin e da sua política.” Trotsky sustentava que “o único caminho certo, caminho difícil mas seguro, era o da destituição de Stálin e dos chefes do governo por meios terroristas”. “Andamos às cegas”, concordou prontamente Chestov. “É necessário traçar um novo plano de luta!”
Sedov disse a Chestov que conhecia um industrial alemão chamado Dehlmann que era diretor da firma Froelich-Kluepfel-Dehlmann. Muitos dos engenheiros dessa firma eram empregados das minas siberianas do Leste, onde trabalhava o próprio Chestov, que o conhecia de nome.
Sedov disse então a Chestov que ele tinha “de entrar em contato com Dehlmann” antes de regressar à Rússia Soviética. A firma Dehlmann, explicou, poderia ser muito útil à organização trotskista para “solapar a economia soviética” na Sibéria. Herr Dehkmann já estava ajudando a contrabandear propaganda e agentes trotskistas na União Soviética. Em troca disso, Chestov poderia fornecer a Herr Dehlmann informações acerca das novas minas e indústrias siberianas, nas quais o diretor alemão estava particularmente interessado…
“Você está me aconselhando a entrar em entendimento com a firma?” perguntou Chestov. “Que há de terrível  nisso”, replicou o filho de Trotsky. “Se eles nos estão prestando um favor, por que não lhes prestaríamos o de fornecer algunas informações? “Você está propondo simplesmente que eu me torne um espião!”, exclamou Chestov.
Sedov encolheu os ombros. “É absurdo usar palavras como essa”, disse ele. Numa luta não é razoável ser tão melindroso assim. Se você aceita o terrorismo, se você aceita a destruição e solapamento da indústria, francamente não consigo entender como não possa concordar com o que lhe proponho”.
Poucos dias depois, Chestov viu Smirnov e contou-lhe o que dissera o filho de Trotsky. “Sedov mandou-me estabelecer ligação com a firma de Froelich-Kluepfel-Dehlmann”, disse Chestov. “Brutalmente, ele me disse que estabelecesse ligação com uma firma empenhada em espionagem e sabotagem em Kuzbas. Nesse caso eu seria um espião e sabotador”. “Deixe essas palavras bonitas 'espião' e 'sabotador'"!, exclamou Smirnov. “O tempo passa e é preciso agir… O que há de surpreendente para você quando se considera que é possível derribar o governo de Stálin mobilizando todas as forças contra-revolucionárias em Kuzbas? O que você acha de tão terrível em alistar agentes germânicos nesse trabalho?... Não há outro caminho. Temos de aceitá-lo."
Chestov calou-se. Smirnov perguntou-lhe: "Qual a sua opinião?" “Não tenho opinião pessoal”, disse Chestov. “Faço como o nosso líder Trotsky nos ensinou — presto atenção e aguardo ordens.”
Antes de deixar Berlim, Chestov encontrou-se com Herr Dehlmann, diretor da firma alemã que financiava Trotsky. Chestov foi recrutado, sob o nome em código de “Alyosha”, no serviço secreto militar alemão. Chestov declarou depois:
“Encontrei-me com o diretor dessa firma, Delhmann, e o seu assistente Koch. A essência da palestra com os chefes da firma Froelich-Kluepfel-Dehlmann foi o seguinte: primeiro, suprimento de informações secretas, por meio de representantes dessa firma que trabalhavam na Bacia de Kuznetsk e organização de uma trabalho de destruição e divisão juntamente com os trotskistas. Foi dito que a firma, em troca disso, ajudar-nos-ia e enviaria mais gente se nossa organização o requisitasse... Eles ajudariam de todo modo os trotskistas na escalada do poder.”
De volta à Rússia Soviética, Chestov trouxe uma carta, que Sedov lhe tinha entregado para Pyatakov, que regressara a Moscou. Chestov escondeu a carta na sola de um de seus sapatos. Entregou-a a Pyatakov no Comissariado da Indústria Pesada. A carta era do próprio Trotsky, escrita em Prinkipo (Turquia, onde ele estava exilado). Delineava as “tarefas imediatas” da oposição na Rússia Soviética.
A primeira tarefa era “utilizar-se de todos os meios possíveis para derribar Stálin e seus sócios”. Isso significava terrorismo.
A segunda tarefa era “unir todas as forças anti-stalinistas”. Isso significava colaboração com o serviço secreto alemão e com qualquer outra força anti-soviética que quisesse trabalhar juntamente com a oposição.
A terceira tarefa era “torpedear todas as medidas do governo soviético e do Partido, particularmente no campo econômico”. Isso significava sabotagem.
Pyatakov devia ser o principal lugar-tenete de Trotsky responsável pelo trabalho conspirativo dentro da Rússsia Soviética.
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Assassinato no México
débacle final da quinta-coluna russa no julgamento do Bloco das Direitas e Trotskistas em Moscou foi um tremendo golpe em Trotsky. Uma nota de desespero e histeria começou a dominar em todas os seus escritos. Sua propaganda contra a União Soviética tornava-se cada vez mais atrevida, contraditória e extravagante. Ele falava incessantemente de sua “retidão histórica”. Seus ataques a Stálin perderam toda aparência de razão. Escrevia artigos assegurando que o líder soviético achava um prazer sádico em “atirar fumaça” no rosto de crianças. Cada vez mais seu ódio pessoal contra Stálin foi tornando-se a força dominadora da vida de Trotsky. Pôs seus secrtários trabalhando em uma Vida de Stálin, um vitupério maciço de mil páginas.
Em 1939, Trotsky esteve em contato com o Comitê do Congresso chefiado pelo representante Martin Dies, do Texas. O comitê, fundado para investigar sobre atividades anrtiamericanas, tonara-se um fórum de propaganda anti-soviética. Trotsky foi abordado por agentes do “Comitê Dies” e convidado a depor como “testemunha idônea” sobre a ameaça de Moscou. Foi citada uma declaração de Trotsky no New York Times de 8 de dezembro de 1939, em que ele considerava seu dever político depor perante o “Comitê Dies”. Discutiram-se projetos para a vinda de Trotsky aos EUA. O projeto, entretanto, fracassou.
Em setembro de 1939, um agente trotskista europeu, viajando sob o nome de Frank Jacson, chegou aos EUA no vapor francês Ile de France. Jacson fora recrutado para o movimento por uma trotskista americana, Sílvia Ageloff, quando ainda estudante na Sorbone, em Paris. Em 1939, ele foi procurado em Paris por um representante do bureau secreto da IV Internacional, que lhe comunicou que tinha de seguir para o México, para trabalhar como um dos “secretários” de Trotsky. Foi-lhe dado um passaporte que originalmente partencia a um cidadão canadense, Tony Babich, membro do exército republicano español, morto pelos fascistas na Espanha. Os trotskistas tinham conseguido o passaporte de Bebich, tiraram a sua fotografia e inseriram a de Jacson no seu lugar.
À sua chegada em Nova York, Jacson encontrou Sílvia Ageloff e outros trotskistas, os quais o tomaram e o levaram para Coyoacan, onde trabalharia com Trotsky. Posteriormente Jacson informou à polícia mexicana:
“Trotsky estava para me enviar à Rússia com o objetivo de organizar um novo estado de coisas na URSS. Disse-me que eu tinha de ir a Xangai, encontrar-me com outros agentes e juntamente com eles eu teria de cruzar o Manchucuo e chegar à Rússia. Nossa tarefa seria semear desânimo no Exército Vermelho, cometer atos de sabotagem em fábricas e indústrias de armamentos.”
Jacson não exerceu nunca a sua missão terrorista na União Soviética. Até que numa tarde de 20 de agosto de 1940, na vila fortemente protegida de Coyoacan, Jacson assassinou seu líder, Leon Trotsky, esmagando-lhe a cabeça com uma picareta.
Preso pela polícia mexicana, Jacson disse que desejava casar-se com Sílvia Ageloff, e que Trotsky proibira o casamento. Uma violenta disputa, envolvendo a moça, irrompeu entre os dois homens. “Por amor dela”, disse Jacson, “eu me decidira a sacrificar-me inteiramente.”
Em declarações posteriores, Jacson disse:
“… Em vez de achar diante de mim um chefe político dirigindo a luta de libertação da classe operária, eu me encontrei diante de um homem que não desejava outra coisa senão satisfazer as suas necesidades e desejos de vingança e ódio, e que não se utilizava da luta dos trabalhadores a não ser para ocultar a sua pequenez e seus cálculos inconfessáveis.
… Quanto à sua casa, que ele dizia muito bem ter sido convertida numa fortaleza, eu perguntei várias vezes a mim mesmo de onte teria vindo o dinheiro para aquelas obras… Talvez o cônsul de uma grande nação estrangeira que o visitava frequentemente pudesse dar-nos uma resposta a essa pregunta.
Foi Trotsky quem destruiu a minha natureza, o meu futuro e todas as minhas afeições. Ele converteu-me num homem sem nome, sem pátria, num seu instrumento. Fiquei às cegas… Trotsky amarrotou-me em suas mãos como uma folha de papel.”
A morte de Leon Trotsky deixava um só candidato vivo para o papel de Napoleão da Rússia: Adolf Hitler.          

domingo, 28 de agosto de 2011

Etnocentrismo, russofobia e impulso anticomunista de Eric J. Hobsbawm

Por Cristiano Alves

A Página Vermelha idenficou na obra do dito "renomado historiador marxista" uma série de falsificações em "A Era dos Extremos" que vão desde a desinformação a respeito do sistema político soviético até russofobia e etnocentrismo 




É muito comum ouvir o nome de Hobsbawm nos quatro cantos do mundo acadêmico, especialmente em faculdades de História. Sua obra é recomendada num dos mais bem conceituados concursos do Brasil, o da carreira diplomática, cujo programa recomenda as "Eras" do autor nascido no Egito de nacionalidade britânica. De fato, muitos o vêem como "a última palavra em História", uma espécie de guru até, para alguns, ainda, influencia a chamada "esquerda verdadeira", isto é, esquerdistas que se autoproclamam, abertamente ou não, a "última palavra em termos de marxismo", o que pesa ainda mais em razão da militância deste no PCGB, isto é, o Partido Comunista da Grã-Bretanha. A verdade, entretanto, e a intenção de repassá-la nem sempre é um elemento contido nos livros de Eric John Hobsbawm, devendo ser buscada e espalhada, a fim de que novos erros não venham a ser repetidos e mentiras possam ser destruídas como uma muralha que impede a todos de ver a verdade.

A Era dos Extremos, assim como várias outras obras de Hobsbawm, é uma referência para muita gente no tocante à história do século XX, independente de suas visões políticas, de modo tal que o historiador britânico consegue congregar num mesmo universo "esquerdistas" e conservadores, sendo classificado como tal por ambos os grupos. O próprio título do livro é tendencioso, pois ele infere, implicitamente(e é necessário ler toda o livro para perceber isso), que a "Era dos Extremos" é uma era de "extrema-esquerda" e "extrema-direita", que teriam influenciado fortemente o mundo em que vivemos. Não é nenhum segredo que tais tendência existem, entretanto, para Hobsbawm a "extrema-esquerda" nada mais é do que a tendência apresentada pela União Soviética e outros países que efetivamente buscaram o socialismo em seus países, diferente do PCGB, que apenas o faz verbalmente. Para Hobsbawm as idéias de Lenin e Stalin são idéias de "extrema-esquerda" e um trecho do livro que corrobora bem esta tese está no capítulo "O socialismo real"(página 363). Este capítulo traz uma vasta pesquisa a respeito do socialismo em alguns países da Cortina de Ferro, porém negligenciando que nem todos esses Estados de "orientação marxista" eram necessariamente Estados Socialistas, porém Repúblicas Populares, assim como cometendo um leve deslize ao negligenciar a defesa que Marx fazia da Economia Planificada e Centralizada, que é defendida pelo filósofo alemão já em O Manifesto Comunista. Até aí, nenhum problema, o autor inclusive faz uma aguçada análise que vai de encontro à do historiador belga Ludo Martens no tocante ao nome de Nikolay Buharin, que Hobsbawm acertadamente identifica como um "proto-Gorbatchov"1.

Segundo William Bland, marxista britânico, "antistalinismo" é anticomunismo, uma vez que o primeiro nada mais é do que uma forma de atacar não o homem I. V. Stalin, porém a sua obra no primeiro Estado Socialista da história, uma vez que seu trabalho seguiu praticamente à risca os escritos de Karl Heinrich Marx, e o antistalinismo é o grande tótem de Hobsbawm. Ao falar de Stalin, cujo governo levou a Rússia da era do arado para a era da energia nuclear(então a mais avançada forma de tecnologia da época), nas palavras do próprio Winston Churchill, também britânico, Hobsbawm não esconde o seu impulso contra o ex-sapateiro georgiano, introduzindo-o como um "autocrata de ferocidade, crueldade e falta de escrúpulos exepcionais que para muitos eram "únicas"2. Essa visão, entretanto, pode ser facilmente refutada por uma série de autores que vai desde sua filha Svetlana na consagrada obra "Vinte cartas a um amigo", até o historiador Simon Sebag Montefiore(também britânico), autor de "O jovem Stalin", livro que fora sucesso de vendas na Europa ao demonstrar um lado desconhecido do líder soviético, um poeta do Cáucaso. Deve ser lembrado aqui que esse mesmo senhor Montefiore, em uma de suas obras, insinua que "a mãe de Stalin era prostituta, uma vez que era muito pobre e provavelmente não vivia bem apenas lavando roupas"(em poucas palavras, para S. Montefiore, Stalin era literalmente um "filho da puta"), tal era o seu elitismo3.

A idéia de que "Stalin era um ditador"(termo que Hobsbawm substitui por "autocrata" para não cair em clichê), é objeto de onanismo político dos defensores do liberalismo econômico, do conservadorismo político e de outras idéias da classe dos exploradores do povo, além de ser objeto também de onanismo político da extrema-esquerda, que para Lenin era uma "doença infantil do comunismo"4. A idéia do "Stalin ditador absolutista", entretanto, é tão realista quanto um cavalo alado ou um leão falante, já foi esclarescida num diálogo de Stalin com Eugene Lyons5, que o entrevistou pessoalmente, e refutada por autores como William Bland, que estudou seu governo e até sua personalidade baseado no testemunho de pessoas que estiveram com ele. Os estudos de Bland demonstram que Stalin, premier soviético, tinha um poder menor do que o do Presidente dos Estados Unidos, no governo soviético. Enquanto este era o secretário-geral do PCUS e chefe do governo soviético(mas não de Estado), o soberano americano executava as duas funções. Essa limitação do poder de Stalin é mais tarde reconhecida inclusive por Harry Truman, líder americano, que durante as negociações relativas às áreas de influência na Europa mencionava que não se podia adotar por parâmetro as "decisões do Tio Joe"(nota: Stalin)6, em razão deste ser um "prisioneiro do Politburo". Essa versão é corroborada pelo professor Grover Furr, dos Estados Unidos, ampliada num debate com um professor do Reino Unido que deu origem a um importante texto a respeito, mostrando as limitações do governo de Stalin7. Este mesmo professor, em "Stalin e a luta pela reforma democrática"8, apresenta várias limitações da autoridade do líder georgiano e até apresenta um fato ignorado por praticamente todos os estudiosos do premier soviético, uma proposta sua de eleições diretas para os postos do governo soviético a ser incluída na Constituição de 1936, vetada pelos outros membros do Politburo. Grover Furr, tomando por base os estudos de um renomado historiador russo, o Dr. Yuri Júkov, alega ser uma mentira o mito de Stalin como "ditador todo-poderoso". Ainda, o líder albanês Enver Hodja afirmou que "Stalin não era um tirano, um déspota", mas "um homem de princípios"9. Sidney e Beatrice Webb, em "Soviet Communism: A New Civilisation", também rejeitam a idéia de que o Estado Soviético era governado por uma só pessoa10. 

Um dos poucos pontos positivos da obra de Hobsbawm está em seu reconhecimento do surgimento de uma nova sociedade surgida com as idéias dos bolchevistas na União Soviética. Na foto, uma parada cívica de atletas soviéticas nos anos 30.

Refutada a idéia do "Stalin autocrata", é necessário questionar, investigar e fazer conclusões sobre a idéia do "Stalin cruel", adotando uma corrente que nada tem de "stalinista", mas de racionalista, mais próxima de Voltaire do que de Stalin. A imagem deste "Darth Vader vermelho", vendida por historiadores como Hobsbawm, cujo impulso antistalinista o leva a extremos, foi objeto de estudo do marxista-leninista britânico William Bland. Em seu documento "O culto do indivíduo"11, Bland demonstra que segundo o líder albanês Enver Hodja "Stalin era modesto e bastante gentil com as pessoas, os quadros e seus colegas", e segundo o embaixador dos Estados Unidos na União Soviética, Joseph Davies, citado no trabalho de Bland, Stalin era um homem simples, de gestos agradáveis. Contrastando ainda com essa imagem, a filha do próprio Stalin, Svetlana Alilulyeva, descreve o líder soviético como um pai atencioso, amável. Segundo Georgiy Júkov, Marechal da União Soviética, "Stalin conquistava o coração de todos com quem conversava"12. Como se não bastassem essas declarações, o "cruel Stalin" jamais ordenara a prisão de Mihail Bulgákov, um escritor que pensava diferente do Estado Soviético e lhe era crítico, apreciava o talento de Maria Yudina, pianista considerada louca na URSS mas admirada por Stalin, e tinha por um de seus hobbies não a caça ou a pescaria, mas tão somente plantar árvores ou plantas de jardim, características incomuns num "sujeito cruel". Para alegar que "Stalin era cruel" é necessário comprovar tal alegação, por exemplo, com algum documento de Stalin que demonstrasse atos de crueldade, documentos que inexistem, tornando a alegação de Hobsbawm pura sofistaria.13

Stalin, segundo Eric Hobsbawm


Não bastasse o impulso anti-Stalin de Hobsbawm, de dar inveja a qualquer propagandista do III Reich, Hobsbawm chega a mais um extremo ao alegar que "poucos homens manipularam o terror em escala mais universal". É questionável o porquê de Eric ter adicionado esta descrição, será que chamar de "cruel e autocrata" já não era suficiente para o britânico? É de se supor que esta afirmação tenha sido inserida como forma de "blindar" o autor de A Era dos Extremos contra possíveis alegações de "stalinista" por parte de seus editores ou mecenas burgueses. Um elogio de Hobsbawm ao Banco Mundial no referido livro pode ser indicativo de uma de suas fontes de financiamento. É comum que certos indivíduos confundam "amor a uma coisa" com "ódio por outra", usando-se do ódio como forma de demonstrar "apreço" por uma outra coisa, como Hitler na Alemanha, que sendo austríaco, usava o ódio contra eslavos, negros e judeus como forma de demonstrar um suposto "amor" pelo país, ou como o marido que bate na esposa como forma de mostrar que "a ama". Mais uma vez, essa tentativa desesperada de Hobsbawm de doutrinarnos com sua sofistaria através de uma linguagem de ódio vai por água abaixo ante os estudos do Dr. Yuri Júkov e do professor Grover Furr. Mesmo o discurso de Nikita Hruschov no XX Congresso do PCUS, que talvez conferissem alguma legitimidade ao historiador britânico foi provado como falso pelo professor americano em sua obra "Hruschov lied", que demonstra que 60 das 61 acusações de Hruschov em seu discurso no referido congresso são falsas, discurso que, diga-se de passagem, é ignorado por Eric Hobsbawm, mesmo sendo um dos discursos mais importantes do século XX, sua obra carece de qualquer investigação séria desse discurso e de sua veracidade. O professor Grover Furr, responsável por investigar e desmascarar o discurso fraudulento de Hruschov, demonstra como falsa a idéia de Stalin como "todo poderoso soviético", demonstrando que esse não exercia controle sobre o NKVD, órgão para a defesa da Revolução Bolchevique que nos anos 30 cometera sérios abusos de poder sob a direção de Genrih Yagoda e Nikolay Yejov, ambos exonerados, processados, julgados, condenados e executados, sendo este último substituído por Lavrenti Beria.

Fazendo o papel de pícaro do marxismo a serviço de forças reacionárias, Hobsbawm descreve o crescimento do sistema soviético como o resultado de uma "força de trabalho de 4 e 13 milhões de pessoas prisioneiras(os gulags)", citando Van der Linden. Essa cifra absurda já foi contestada por uma vasta gama de autores e refutada pelos documentos desclassificados na época da Glasnost e assinados pelo Procurador-Geral da União Soviética R. Rudenko, o Ministro do Interior S. Kruglov e o Ministro da Justiça K. Gorshenin, que demonstram o número de cerca de 2 milhões de presos na URSS, um número inferior em termos absolutos e proporcionais ao número de presos nos EUA(que por volta de 2006 era de 7 milhões). Essa mesma tabela divulgada pelo governo anticomunista de M. Gorbatchov fora divulgada pelo sueco Mário Sousa14, por Alexander Dugin, Zemskov e Ludo Martens. Ela é a prova de que autores como Hobsbawm e outros de sua camarilha mentem deliberadamente quando o assunto é "União Soviética", algo que não se atrevem a fazer quando falam de seus próprios países, responsáveis pela morte de milhões de pessoas ao redor do mundo. Estima-se que a Grã-Bretanha, país de Hobsbawm, tenha provocado deliberadamente uma grande fome na Índia que matou cerca de 30 milhões de pessoas. Curiosamente, sua soberana, a Rainha Elizabeth II e seus primeiros-ministros, não recebem nem metade dos epítetos que o historiador lança furiosamente e irresponsavelmente sobre Stalin.

Adotando uma posição reacionária, Hobsbawm atribui como causa da fome na Ucrânia em 1932-33 a "coletivização da agricultura", medida adotada para promover a justiça social no campo e evitar a figura do kulak, o historiador britânico ignora completamente o papel destes na sabotagem da agricultura, do tifo e da seca, fatores abordados e detalhadamente pesquisados pelo historiador belga Ludo Martens15. Com muito pouca objetividde, E. Hobsbawm descreve Stalin como um "homem pequenino", de "1,58", embora registros médicos o indicassem como tendo 1,71, e observações de Wallace Graham, médico de Harry Truman16, o indicasse como tendo a mesma altura de Hitler, isto é, por volta de 1,73, e fichas de informação do governo tzarista o descrevessem como tendo 1,74. Na página 386 da edição em português de seu livro, Hobsbawm, com seu anti-sovietismo e russofobia, descreve a URSS como sendo responsável pelo "saque" dos países então libertados pelo Exército Vermelho. Num ato de vilania, ele omite ao leitor que estes países libertados eram ex-aliados da Alemanha nazista que, juntos com esta, participaram do massacre de mais de 20 milhões de soviéticos, países como a Tchecoeslováquia, Hungria, Romênia e Bulgária, que cujo contingente enviado para a Operação Barbarrossa ultrapassava os 300 mil homens. Falando sobre a Hungria, a propósito, Hobsbawm se atreve a defender o levante de 1956, organizado pelos partidários do fascista Horty, aliado de Hitler durante a Segunda Guerra.

Sem dúvidas, um dos pontos mais curiosos em "A Era dos Extremos" é o impulso antistalinista latente de Eric Hobsbawm, levando-o a despir-se de todo método dialético para abraçaro método maniqueísta. Poucos nomes em sua obra impregnada de subjetivismo são tão demonizados como a figura de Stalin. Nem mesmo Hitler, cujo projeto político exterminou cerca de 60 milhões de pessoas17 e incluía na sua agenda um racismo aberto, é descrito como "cruel, perverso, tirano" no livro de Hobsbawm; nem mesmo Harry Truman, cujo governo introduziu a bactéria da sífilis em mais de centenas de indivíduos para usá-los como cobaias humanas, é descrito como "perverso"; nomes como Mussolini, Margaret Tatcher e outros personagens reacionários do século XX não recebem um espaço especial para demonização como o líder responsável pela destruição de mais de 70% das forças nazistas. 

O que Eric Hobsbawn pretende e quais os seus objetivos com o seu onanismo político? Será que ele acredita mesmo que todos os seus leitores são todos tolos ou acéfalos incapazes de pesquisar a respeito de um pesonagem de tão grande importância no século XX, considerado um dos três maiores nomes da história da Rússia na pesquisa "The Name of Russia", efetuada em 2008, mesmo após anos de vilania anti-stalinista e, portanto, anticomunista? Impressiona como a sugestão de livros a respeito do socialismo real do Sr. Hobsbawn não traga sequer um só autor que examine a URSS com objetividade e sem preconceitos. É este falsificador e farsante o "grande historiador marxista"? Que "marxistas" como Hobsbawn, com seu onanismo político, sejam exaltados e gozem de excelente reputação na mídia de massa, isso é perfeitamente compreensivo, porém cabe apenas aos tolos digerir o produto de sua diarréia mental. Aquele que de fato compreende a força dos valores iluministas, a importância da pesquisa, da investigação e da conclusão buscam o conhecimento, não se acomodam com "historiadores marxistas recomendados pela mídia", eles denunciam pícaros do movimento marxista e fazem a verdade ir até o topo das montanhas, ressoar pelas paredes, eles fazem com que as nuvens façam chover essas verdades que cairão como uma espada afiada que destroça a vilania e a mentira!


Fontes:

1- HOBSBAWM, Eric J. A Era dos extremos: Breve século XX 1914-1991. 2ª edição. Tradução de Marcos Santarrita. Companhia das Letras
2- ibid., pg. 371
3- Artigo do jornal A Hora do Povo. Em: http://www.horadopovo.com.br/2009/janeiro/2733-14-01-09/P8/pag8a.htm
4- Ver "Esquerdismo, doença infantil do comunismo", por V. I. Lenin
5- E. Lyons: Stalin: Czar of All the Russias; Philadelphia; 1940; p. 196, 200, citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
6- No original: "I got very well acquainted with Joe Stalin, and I like old Joe! He is a decent fellow. But Joe is a prisoner of the Politburo." President HARRY S. TRUMAN, informal remarks, Eugen, Oregon, June 11, 1948. Public Papers of the Presidents of the United States: Harry S. Truman, 1948, p. 329.
7- FURR, Grover. Stalin foi um ditador? Tradução de Gláuber Ataíde Em: http://www.omarxistaleninista.org/2011/04/stalin-foi-um-ditador.html
8- Em http://pt.scribd.com/doc/62898033/stalinealutapelareformademocratica-parte-II
9- E. Hoxha: With Stalin: Memoirs; Tirana; 1979; p. 14-15, citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
10- Citados em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
11- Em http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
12- G. K. Zhukov: The Memoirs of Marshal Zhukov; London; 1971; p. 283. Citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
13- Há vários indícios de falsidade de um documento supostamente assinado por Stalin que ultimamente tem ganho grande popularidade, que revelaria sua "crueldade em Katyn": http://pt.scribd.com/doc/62732715/Katyn-49-sinais-de-falsificacao-do-pacote-secreto-n-1
14- Ver http://www.mariosousa.se/MentirassobreahistoriadaUniaoSovietica.html
15- Em Stalin, um novo olhar.
16- Citado em: http://humanheight.net/famous_people/sources/height_of_stalin_source.html
17- http://en.wikipedia.org/wiki/World_War_II_casualties




Stalin foi considerado pelo povo russo como um dos 3 maiores nomes de sua história, embora seja originalmente georgiano. Neste pôster soviético ele congratula trabalhadores soviéticos com duas grandes ordens conferidas a civis e militares, a Ordem de Lenin e a medalha de Herói do Trabalho Socialista.


Fonte - A Página Vermelha

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Stalin e a luta pela reforma democrática - Parte II

Grover Furr

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stalinealutapelareformademocratica-parte-II

sábado, 20 de agosto de 2011

Katyn: 49 sinais de falsificação do “pacote secreto nº 1”



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Katyn - 49 sinais de falsificação do pacote secreto n 1

Fonte - http://www.marxismo-online.com.br/

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pinturas Soviéticas da Segunda Guerra – 1941/42

Estamos publicando uma série de pinturas fantásticas que foram produzidas durante a ofensiva alemã sobre a União Soviética até a expulsão de seus territórios. Todas as telas estão em coleções particulares em museus pelo mundo inteiro. Uma raridade linda e inquietante. Todas as obras refletem exatamente o momento de agustia que passavam os soviéticos, e isso, obviamente está refletido nas obras que tomam um contorno de patriotismo contra o invasor.


A. Krasnov. Pela Minha Terra Natal

Autor: N. Tolkunov. Imortalidade. 1941


Autor: D. Shmarin. Verão 1941.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Khrushchev mentiu sobre Stálin, afirma historiador


O dia 25 de fevereiro de 1956 é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes da história do século 20, porque reflete uma mudança radical na política da União Soviética - que era, então, uma das duas superpotências do mundo. Nesse fatídico dia, o então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), Nikita Sergeevich Khrushchev, proferiu seu famoso "Discurso Secreto" sobre o suposto culto à personalidade e suas consequências, em uma sessão fechada do 20º Congresso do PCUS. O conteúdo exposto visava minar a imagem de Josef Stálin, principal dirigente internacional comunista por mais de três décadas, secretário-geral do PCUS até sua morte, em 1953, e apresentá-lo como um monstro sanguinário e tirânico. Para tanto, foi relatada uma série de acusações, vilanias que Stálin teria cometido contra a "legalidade socialista".
O discurso de Khrushchev teve um efeito devastador no movimento comunista internacional, desintegrando a unidade que fora conseguida com enorme esforço ao longo de décadas de luta. Muitos militantes se revoltaram contra o legado revolucionário de Stálin, que, há poucos anos, era símbolo de esperança por um novo mundo, e aderiram às posições khrushchevistas. Outros se mantiveram fiéis e passaram a criticar a nova liderança soviética, e houve também aqueles que simplesmente abandonaram suas lutas e perderam a esperança. E, não só isso, o discurso deu munição para a propaganda ocidental anticomunista, tornando-se um dos pilares do paradigma totalitário que até hoje domina a produção acadêmica de História acerca da União Soviética.
Muito já se escreveu sobre este acontecimento e vários pesquisadores chegaram à conclusão de que alguns dos pontos levantados por Khrushchev eram falsos, como, por exemplo, a esdrúxula afirmação de que Stálin conduzia as operações militares da Grande Guerra Patriótica (como os russos chamavam a Segunda Guerra Mundial), utilizando um simples globo terrestre. No entanto, ninguém havia analisado profundamente o "Discurso Secreto" com o intuito de verificar todas as outras afirmações presentes nele, até o historiador americano Grover Furr encarar tal tarefa (veja em www.averdade.org.br entrevista com o professor Grover Furr).
O resultado foi um primoroso trabalho de investigação histórica, lançado em inglês sob o nome "Khrushchev lied", que em português significa "Khrushchev mentiu". O professor Furr chegou à conclusão de que todas as afirmações do líder soviético eram falsas. Apresentou, para tanto, as devidas fontes documentais para cada uma das afirmações, com metade do livro dedicada a transcrições de documentos ou outras fontes utilizadas, além dos vários links para páginas na internet com documentação hospedada.

O julgamento de Zinoviev e Kamenev
Não é possível abordar neste pequeno artigo cada um dos vários tópicos investigados por Furr, porém, apenas para dar uma ideia do impacto desta obra, apresentarei um ponto que julguei interessante, relacionado ao famoso julgamento de Zinoviev e Kamenev, em 1936.
Este julgamento é largamente apresentado como uma farsa planejada por Stálin para eliminar seus opositores políticos, assim como os outros dois juízos que compõem os chamados Processos de Moscou. No entanto, Furr transcreve um trecho de uma carta privada de Stálin para Kaganovich, que claramente demonstra um Stálin muito diferente. Ele não aparece como um forjador, como a mente por trás dos resultados das investigações policiais, mas sim como alguém que tenta compreender o que está ocorrendo através do material investigativo enviado a ele. Seria Stálin tão hipócrita a ponto de enviar uma carta a um camarada do Politburo (a direção do PCUS), fingindo que não sabia o que estava ocorrendo? Ou ele simplesmente não mandara fuzilar seus opositores? E é aí que reside um dos pontos fortes da obra: a riqueza documental à disposição do leitor nos faz pensar e repensar cada frase do autor, cada acontecimento relatado, sempre trazendo à tona dúvidas que nos fazem avançar rapidamente na leitura em busca de respostas.
À parte tal riqueza de fontes na contra-argumentação ao "Discurso Secreto" de Khrushchev, a obra de Furr contém uma seção que apresenta sua interpretação histórica do processo político soviético. Baseado em sua extensa pesquisa e na do historiador russo Iúri Zhukov, Furr argumenta que o 20º Congresso do PCUS foi reflexo da própria dinâmica interna do socialismo soviético, do conflito entre os primeiros-secretários regionais do Partido e o Politburo, encabeçado por Stálin. O próprio Khrushchev foi, durante muito tempo, primeiro-secretário do Partido em Kiev (capital da Ucrânia, uma das principais repúblicas soviéticas) e também de Moscou, capital da URSS.
Este conflito tem raízes na própria estrutura de poder da União Soviética, que dava brechas para a acumulação de poder e de privilégios por parte dos primeiros-secretários. Stálin percebeu este problema e, além de criticar duramente os burocratas carreiristas, tentou minar o poder deles. Sua principal arma foi a Constituição de 1936 e o novo Código Eleitoral, criado pelo próprio Stálin em conjunto com Iakovlev. De acordo com Furr e Zhukov, este novo código eleitoral - que previa eleições secretas, diretas e competitivas - batia de frente com as pretensões dos primeiros-secretários do Partido que, até então, mantinham-se em seus cargos por indicação.
Este quadro pintado pelo historiador Grover Furr nos permite compreender melhor o conteúdo do "Discurso Secreto" de Khrushchev, que se converte de uma denúncia dos crimes de um tirano sanguinário em um poderoso golpe político.
O 20º Congresso do PCUS surge então não como uma autocrítica da liderança soviética, mas como o símbolo da consolidação do poder de uma elite privilegiada do Partido, que nada queria com o socialismo. E para conseguir desarticular os que ainda afirmavam a linha revolucionária do Partido, nada mais sábio do que destruir a imagem de seu mais respeitado líder, Josef Stálin.

(Paulo Gabriel é estudante de História da UnB)

Fonte - A verdade

domingo, 14 de agosto de 2011

Stálin, psicopata?



"Além disso, sob situações de stress, tais como em guerras, pobreza geral e quebra da economia, surtos epidêmicos ou brigas políticas, etc., os sociopatas podem adquirir o status de líderes regionais ou nacionais e sábios, tais como Adolf Hitler, Stalin, Saddam Hussein, Idi Amin, etc. Quando eles alcançam posições de poder, eles podem causar mais danos do que como indivíduos."

Este é um trecho do texto "O Cérebro do Psicopata" de Renato M.E. Sabbatini, autor que por sua vez ostenta o título de PhD, mas como veremos a seguir tal nível acadêmico não o torna imune ao senso comum e a truísmos preconceituosos. Ao citar Stalin como sociopata, Sabbatini reflete a concepção de alguns autores que, provavelmente tendo em conta "atos maldosos de Stálin"(estes não serão debatidos aqui), concluem que Stálin era um sociopata, inclusive desenvolvendo trabalhos em cima disto. Esse tipo de esforço é pura especulação(além de inútil para ciência histórica), ainda mais na ausência de qualquer laudo médico sobre a saúde mental de Stálin. R. Overy em seu livro Dictators reafirma o caráter especulativo e irrelevante desses esforços, optando por dizer que não é possível saber. Mas, observando certos fatos podemos afirmar com certeza que Josef Stálin não era um sociopata. Vejamos dois trechos sobre as reações de Stálin para com a morte de suas mulheres, uma durante a clandestinidade e outra nos anos do poder(casos que podem ser verificados em outras obras):

(em "Stálin", Dorothy e Thomas Hoobler, Nova Cultural, 1987)

Stálin parece tê-la amado muito e, quando Ekaterina moreu ainda muito jovem, em 1907, disse consternado, ao lado do caixão: "Ela era a única criatura que conseguia entender meu coração. Com ela, morreu uma parte importante da minha vida". Apontou para o próprio coração e continuou: "Está tudo vazio aqui, tudo absolutamente vazio... é impossível dizer o quanto..." (pg.20)

A morte de Nadezheda parece ter abalado o equilíbrio emocional de Stálin, durante algum tempo. Em uma reunião do Politburo, ele repentinamente começou um discurso em que renunciava a todos os cargos que ocupava, criando para os companheiros da cúpula do partido uma situação de espanto e constragimento. Para fazê-lo voltar à razão, um dos presentes: Vyacheslav Molotov, gritou: "Para com isso! Pare, imediatamente! O partido está ao seu lado!" (pgs.55-56)

Outro exemplo seria a ocasião em que ele salvou a sua futura mulher(que ainda era um bebê) e podemos encontrar milhares de exemplos nas memórias de sua filha. Esse tipo de reação emocional, apego e consideração para com outras pessoas são características inexistentes num psicopata. Psicopatas não tem emoções e o próprio Sabbatini dedica uma seção do seu texto para falar sobre isso, "Emocionalmente Insensíveis". Esses são dois exemplos que demonstram que, independente do julgamento moral feito acerca de supostas ações de Josef Stálin, ele certamente não portava o transtorno de personalidade antissocial.



Fonte - Realpolitik

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Intelectual da Ucrânia fala sobre as "repressões de Stalin"  ¡Stalin de acero, conciencia del obrero! O nome da Rússia: Stalin, por Valentin Varennikov 

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