segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Polêmica sobre documentário na Rússia: "Na URSS, todos tínhamos sol e pão suficiente"




Sobre a transmissão na TV russa do documentário “URSS, o naufrágio”
1º DE FEVEREIRO DE 2012
Na segunda quinzena de dezembro, num canal de televisão russo, transmitiram um documentário, um projeto de Dmitri Kiselev, chamado “URSS, o naufrágio”. Nos anos 90, o novo governo nos prometia abundância. A mesma foi recebida em sua totalidade. Gostaria parabenizar o autor da película, por nos recordar que, uma vez, fomos pessoas que viveram num grande país, onde ninguém se apontava com o dedo, discriminava: “você é russo, porém você não é russo”. Todos nós tínhamos sol e pão em quantidade suficiente, todos nós éramos soviéticos.
A nostalgia pela União Soviética só não é sentida por aqueles que tiveram tempo de roubar, durante a chamada perestroika, e se bronzeavam nas Ilhas Canárias e em Courchevel. Inclusive, é provável que não vivam em paz. Hoje, estão nas Ilhas Canárias e, no futuro, talvez na cama. Nós, seguíamos tranquilos para a cama e, calmamente, despertávamos pela manhã, sabendo que no dia seguinte teríamos trabalho, que no dia 10 receberíamos o pagamento e, no dia 25, o antecipado.
Não tive que pagar pela escola e pela universidade, pois recebíamos uma boa educação, com a qual podíamos encontrar facilmente trabalho no exterior. Éramos curados e tínhamos nossa saúde tratada de forma gratuita. Em julho de 2010, minha prima morreu de câncer. Ela era pensionista, não dispunha de 30.000 rublos para uma operação que, nem sequer, davam garantia. Esteve internada durante vários meses. As dolorosas injeções também foram custeadas por ela. Eis aqui os encantos do rico capitalismo!
Antes da queda da URSS, histórias terríveis no rádio e na televisão não nos assustavam. Nós, com alegria, escutávamos notícias de que, em algum lugar, surgia uma nova fábrica, sobre alguém ter voado para o espaço novamente. Atualmente, a história do dia é: em algum lugar, uma casa para idosos foi incendiada, num outro lugar um edifício desabou, em outro um pesquisador foi assassinado, em outro um deputado... Vivemos atrás das portas de ferro, temendo os vizinhos. A moral caiu por terra. O roubo e a fraude se converteram num negócio. Os ladrões estão no poder. O assassinato já não surpreende ninguém, se convertendo num padrão de vida.
Nos anos 90, o novo governo nos prometia abundância, criticando o governo soviético pelas prateleiras vazias. Recebemos abundância em totalidade. A salsicha, nos anos 80, custava 1 rublo e 40 centavos e eram feitas de chá e carne. Agora, a salsicha é feita de pudim de soja e papel higiênico, custa 200 rublos o quilo e está nas prateleiras. Não porque tenham se convertido em abundância, mas devido ao fato de que muitos não possuem condições de comprá-la. Os centavos ganhos no trabalho não são suficientes. Os atrasos no salário de vários meses, também se converteram em padrão.
Nos anos 80, todos os trabalhadores podiam permitir-se tirar férias para descansar e embarcar numa viagem pela União, que, às vezes, era completamente gratuita. Agora, pouquíssimas pessoas viajam de férias. O valor do documentário em questão também está relacionado ao fato de vermos, mais uma vez, o rosto daqueles que, sem limite em seus próprios interesses e ambições, traíram nosso país. Agora, estão sendo vistos por aqueles que nasceram nos anos 90, e que não os conheciam.
Foi triste e doloroso ver a bandeira soviética, a bandeira que era o emblema dos construtores, daqueles que cultivavam a terra, a bandeira dos criadores. Ela está dolorosamente gravada na alma das palavras do apresentador Kiseliov. Contudo, em suas palavras, a sigla da URSS soa como o desafio soviético, inspira otimismo e esperança. Cedo ou tarde, a União Soviética voltará. A história às vezes se repete. Na França, depois da vitória da revolução burguesa, ocorreu a restauração dos Bourbons. No entanto, ela foi apenas temporária. O atual regime depredador da Rússia não durará muito tempo, cairá de todas as maneiras. Daí, um sistema justo regressará.
(Traduzido por A. Morada, de Aporrea. Retirado do periódico “Sovietskaia Rossia” № 4 -13657-, 19 de janeiro de 2012)
Tradução: Maria Fernanda M. Scelza (PCB)

Fonte - PCB
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