quarta-feira, 10 de julho de 2013

A derrota das tropas germanofascistas na batalha de Kursk



Trecho do livro La Gran Guerra Patria de la Unión Soviética – 1941-1945

A derrota das tropas germanofascistas na batalha de Kursk 


“A batalha de Kursk é outra página brilhante nos anais da Grande Guerra Pátria. Como nas batalhas de Moscou e de Stalingrado, se distinguiu por suas proporções e sua tensão. Durou quase dois meses [5 de julho-23 de agosto-1943] e enquanto se desenrolava em território relativamente pequeno, participaram nos sangrentos combates por ambas as partes mais de 4 milhões de pessoas, 69.000 peças de artilharia e morteiros, 13.000 tanques e canhões automotores e até 12.000 aviões de combate. O comando da Wehrmacht empregou nessa batalha mais de 100 divisões, ou seja, mais de 43% do total que se encontrava na frente soviético-germânica. Produziu-se a mais grandiosa confrontação de tanques na história da Segunda Guerra Mundial, ganha pelo Exército Soviético. As tropas soviéticas derrotaram nessa batalha 30 divisões inimigas. A Wehrmacht perdeu cerca de 500.000 soldados e oficiais, 1.500 tanques, 3.000 peças de artilharia e mais de 3.700 aviões. Durante as sete semanas de encarniçados combates, os hitlerianos perderam diariamente, em média, 10.000 soldados e oficiais entre mortos, feridos, prisioneiros e desaparecidos, cerca de 30 tanques (além dos canhões de assalto), 60 peças de artilharia e 74 aviões. A aviação soviética conquistou definitivamente o domínio do ar.

Nessa batalha o comando hitleriano empreendeu um novo intento de por em discussão e resolver em seu benefício a questão cardeal de “Quem vencerá”?, mediante uma ofensiva decidida, levada a cabo com um objetivo de longo alcance: ganhar toda a campanha oriental. Mas, com sua defesa premeditada e logo com sua contra-ofensiva, o Exército Soviético frustou esse intento, o último intento dos hitlerianos. Na batalha de Kursk fracassou definitivamente a estratégia ofensiva da Wehrmacht com sua porfiada aspiração de recuperar a iniciativa estratégica e conseguir uma viragem no curso da guerra. O comando soviético não deixou escapar de suas mãos a iniciativa estratégica até o fim da guerra. Ao ganhar a batalha de Kursk, o Exército Soviético colocou as tropas germanofascistas ante uma catástrofe. A raiz da batalha de Kursk, a correlação de forças e meios mudaram inquestionavelmente em favor do Exército Soviético.

O fracasso da estratégia ofensiva no leste obrigou o comando da Wehrmacht a buscar novos métodos de condução da guerra que lhe permitissem salvar o fascismo do desastre iminente. Agora se propunha fazer a guerra de posições, ganhar tempo e semear discórdias na coalizão anti-hitlerista. O historiador germano-ocidental H. Hubatsch escreveu: “Os alemães empreenderam na frente oriental o último intento de recuperar a iniciativa, mas sem resultado. O fracasso da operação “Cidadela” foi o começo do fim do exército alemão. Desde então, a frente alemã no leste jamais se estabilizou”.

A vitória alcançada pelas tropas soviéticas no arco de Kursk produziu um enorme impacto no curso ulterior da Segunda Guerra Mundial. Graças a derrota de uma parte considerável das forças da Wehrmacht, se criaram condições favoráves para o desembarque das tropas anglo-americanas na Itália e a saída desse país da guerra, em que participava ao lado da Alemanha fascista. Tudo isso acelerou o desmoronamento da coalizão fascista.

A derrota das tropas hitlerianas na batalha de Kursk fortaleceu ainda mais a confiança dos povos dos países ocupados em sua próxima libertação e elevou a um novo nível a luta contra os invasores fascistas. Novas e novas forças iam se incorporando à luta contra os hitlerianos. Os relevantes êxitos alcançados pelas armas soviéticas exerceram uma profunda influência na Conferência de Teerã, em que se tomou a decisão de abrir em 1944 a segunda frente na Europa.

Os historiadores reacionários ocidentais têm feito não poucos esforços para falsear os feitos relacionados com a batalha de Kursk. Muitos deles tratam de colocar a culpa do fracasso da operação “Cidadela” somente a Hitler. Outros apresentam a batalha de Kursk como um episódio ordinário da Segunda Geurra Mundial e terceiros não a mencionam em geral. Porém, todos perseguem um mesmo objetivo: silenciar os erros cometidos pelos generais alemães, embelezar as ações do Estado Maior General alemão, diminuir o significado das vitórias alcançadas pelo Exército Soviético. 

As fontes da vitória alcançada na batalha de Kursk radicam na força e na vitalidade da economia socialista, no trabalho abnegado do povo soviético, na superioridade da arte militar, assim como na força invencível e na maestria militar dos combatentes soviéticos.

Nessa batalha, que rompeu a coluna vertebral da Alemanha hitlerista e reduziu à cinzas suas tropas blindadas de choque, a arte militar soviética demonstrou sua indiscutível superioridade sobre a arte militar do inimigo. A batalha de Kursk dissipou o mito, criado pela propaganda hitlerista, de que o Exército Soviético alcançava vitórias somente no inverno e que o verão era a temporada de vitórias do exército alemão” (P. Zhilin e outros. La Gran Guerra Patria de la Unión Soviética – 1941-1945, pp. 248-250; Editorial Progreso, Moscou, 1985).



O marechal Gueorgui Zhukov escreveu em suas Memórias e Reflexões:



“A destacada vitória de nossas tropas no arco de Kursk demonstrou o crescente poderio do Estado Soviético e de suas forças armadas. A vitória se forjou na frente e na retaguarda sob a direção do Partido Comunista com os esforços de todos os soviéticos. Na batalha de Kursk nossas tropas revelaram excepcional intrepidez, heroísmo em massa e perícia militar. O Partido Comunista e o governo valorizaram a bravura das tropas condecorando com ordens e medalhas mais de 100.000 soldados, oficiais e generais; a muitos combatentes foi concedido o título de Herói da União Soviética.

A derrota das tropas fascistas alemãs no arco de Kursh teve grande significado internacional e elevou ainda mais o prestígio da União Soviética. Ante a Alemanha fascista surgiu o fantasma da iminente hecatombe. A derrota das tropas alemãs obrigou os hitlerianos a transferir de outras frentes, no verão de 1943, à frente soviético-germânica, 14 divisões e uma parte considerável de reforços, debilitando assim as frentes na Itália e na França. 

Os intentos de Hitler de arrebatar a iniciativa estratégica ao comando soviético sofreram um fracasso completo e desde então e até o fim da guerra as tropas alemãs se viram obrigadas a travar somente batalhas defensivas. Isto evidenciava o esgotamento da Alemanha. Agora já não havia forças capazes de salvá-la. Era questão de tempo.

O comando estratégico, operativo e tático soviético se havia desenvolvido e fortalecido sensivelmente, dominando a arte de condução da guerra.

Diferente das contra-ofensivas de Moscou e Stalingrado, a do arco de Kursk foi um golpe profundo decidido de antemão e bem assegurado.

Para isso se concentraram forças bastante maiores que nas anteriores grandes operações contra-ofensivas. Por exemplo, na de Moscou tomaram parte 17 exércitos inter-armas pouco numerosos sem unidades encouraçadas e na de Stalingrado 14 exércitos inter-armas, um exército encouraçado e vários corpos mecanizados. Na contra-ofensiva de Kursk participaram 22 potentes exércitos inter-armas, cinco encouraçados, seis aéreos e importantes forças de aviação de grande raio de ação.

(...) 

Um dos fatores decisivos que asseguraram a vitória no arco de Kursk foi o elevado estado moral e político de nossas tropas. A isso contribuiu o intenso e minucioso trabalho realizado pelos chefes e instrutores políticos, pelas organizações do Partido e do Komsomol [organização da juventude comunista], tanto no período de preparação da batalha como em seu curso. Consagraram muitas energias e elevaram as possibilidades combativas das tropas” (Gueorgui Zhukov – Marechal de la Unión Soviética: Memorias y reflexiones, Editorial Progreso, Moscou, 1991, tomo 2, pp. 213-215). 


Enviado por Percival Alves
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