sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Tratado de Não Agressão e a vitória sobre o nazismo


O Tratado de Não Agressão e a vitória sobre o nazismo 

Os 21 meses adicionais de preparação da defesa do país que a União Soviética conseguiu após firmar o pacto de não-agressão com a Alemanha, em 1939, permitiram à Humanidade derrotar a barbárie nazista 

CARLOS LOPES 

O mais absurdo - isto é, mentiroso - na difamação promovida sobre o pacto de não-agressão de 1939 entre a URSS e a Alemanha é, como vimos em nossas duas últimas edições na “Nota sobre os falsificadores da história”, emitida pela diplomacia soviética em 1948, a tentativa de atribuir o papel de estimuladores de Hitler ao país que resistiu ao nazismo e, no fundamental, o derrotou.

Bastante interessante é que Churchill - cabecilha assumido das campanhas anti-soviéticas desde a Revolução Russa e, sobretudo, depois da II Guerra - não tinha dúvidas que esse papel coube aos governos inglês e francês. Aliás, é uma questão de justiça reconhecer que Churchill expôs claramente esse papel, tanto antes quanto depois da guerra. Note-se que não se trata apenas – o que já seria muito – do primeiro-ministro da Inglaterra durante o conflito. Churchill era membro do Parlamento inglês desde o longínquo ano de 1900, integrante do Gabinete várias vezes desde 1908, e, além disso, um tetraneto do Duque de Marlborough, talvez a mais importante personalidade política inglesa dos fins do século XVII e inícios do século XVIII. Em suma, Churchill era um perfeito membro do establishment britânico.

No primeiro volume de suas memórias da II Guerra Mundial, publicado pela primeira vez em 1948, Churchill transcreve a parte mais importante do discurso pronunciado pelo Comissário do Povo da URSS para as Relações Exteriores, Maxim Litvinov, na Liga das Nações, a 21 de setembro de 1938, uma semana antes que a Inglaterra e a França, em Munique, entregassem a Tchecoslováquia à sanha de Hitler. Dizia o ministro soviético:

Quando, dias antes de embarcar para Genebra [sede da Liga das Nações], o governo francês indagou pela primeira vez qual seria a nossa atitude na eventualidade de um ataque à Tchecoslováquia, dei, em nome de meu governo, a seguinte resposta, perfeitamente clara e sem ambiguidade:

Pretendemos cumprir nossas obrigações nos termos do Tratado [de Assistência Mútua entre a França, a Tchecoslováquia e a URSS] e, juntamente com a França, oferecer ajuda à Tchecoslováquia pelos meios que estiverem à nossa disposição. Nosso Ministério da Guerra está pronto a participar, imediatamente, de uma conferência com representantes dos Ministérios da Guerra francês e tchecoslovaco, para discutir as medidas adequadas ao momento.

Há apenas dois dias, o governo tchecoslovaco dirigiu ao meu governo uma indagação formal, para saber se a União Soviética está disposta, de acordo com o Tratado Soviético-Tcheco, a fornecer ajuda imediata e efetiva à Tchecoslováquia, caso a França, fiel aos seus deveres, preste uma ajuda semelhante, indagação a qual o meu governo deu uma clara resposta afirmativa”.

Winston Churchill faz o seguinte comentário ao discurso de Litvinov:

Essa declaração pública e irrestrita, por parte de uma das maiores nações interessadas, não teve nenhuma influência nas negociações de Chamberlain [com Hitler, em Munique] ou na condução francesa da crise. A oferta soviética foi ignorada. Não foi posta na balança contra Hitler e foi tratada com uma indiferença - para não dizer desdém - que deixou marcas na mente de Stalin. Os acontecimentos seguiram o seu curso como se a Rússia Soviética não existisse. Mais tarde, pagaríamos caro por isso” (Churchill, “The Gathering Storm”, Bantam Books, NY, 17ª imp., setembro/1961, págs. 272/273, grifos nossos).

O que Churchill chama de “marcas na mente de Stalin” é a crescente e muito justa - porque correspondia à realidade - convicção soviética de que a política anglo-francesa consistia em atirar a Alemanha contra a URSS.  Com efeito, depois que a Inglaterra e a França entregaram aos nazistas a região tcheca dos Sudetos, essa conclusão era inevitável para todos – e não somente para Stalin.

Os Sudetos são uma cadeia de montanhas. Como observou William Shirer, não apenas essa cadeia é a defesa natural da Tchecoslováquia contra uma invasão alemã, mas, em 1938, todas as instalações militares tchecas que poderiam se opor à agressão estavam nessas montanhas. Assim, os governos inglês e francês entregaram a Hitler as próprias defesas da Tchecoslováquia - defesas que, como relata Shirer, os generais alemães, posteriormente, comprovaram que não tinham, naquele momento, como quebrá-las ou passar por elas. E, além disso:

Olhando retrospectivamente, e com o conhecimento que possuímos dos documentos secretos alemães e do testemunho de após guerra dos próprios alemães, o seguinte resumo (....) pode ser feito: A Alemanha não estava em condições de ir à guerra a 1º de outubro de 1938 contra a Tchecoslováquia, a França e a Inglaterra, para não mencionar a Rússia. Se fosse, teria sido rápida e facilmente derrotada, o que significaria o fim de Hitler e do Terceiro Reich. Se uma guerra europeia tivesse sido declarada, no último momento, pela intercessão do Exército Alemão, Hitler podia ter sido derrubado (....) pela execução do plano de prendê-lo logo que tivesse dado a ordem final para o ataque à Tchecoslováquia” (William L. Shirer, “Ascensão e Queda do III Reich”, Volume 2, Civilização Brasileira, 3ª ed., 1963, trad. de Pedro Pomar, págs. 206 a 210, grifos nossos).

Realmente, o comando do Exército alemão considerava, nessa época, que uma guerra europeia, para a Alemanha, seria uma loucura - e chegou a fazer planos de prender Hitler, se a guerra fosse deflagrada. Porém, a capitulação inglesa e francesa em Munique fez com que Hitler adquirisse uma súbita popularidade (e uma fama de genialidade...) no Exército. Em suma, os governos da Inglaterra e da França haviam aberto a porteira para a II Guerra Mundial.

DEBATE 

O primeiro-ministro inglês, Chamberlain, entrou no Parlamento, a 3 de outubro de 1938, bajulado como “o salvador da paz”. A traição de Munique seria aprovada, dois dias depois, por 369 a 150 votos.


Porém, no dia 3, o primeiro orador, um colega de partido e ministro de Chamberlain, o conservador Duff Cooper, Primeiro Lord do Almirantado (ministro da Marinha), renunciou ao Gabinete em protesto contra Munique, encerrando sua intervenção com as seguintes palavras:

O primeiro-ministro deve estar certo. Eu posso assegurar, sr. presidente, com a mais profunda sinceridade, que espero e rezo para que ele esteja certo, mas eu não posso acreditar que ele acredite nisso. Lembro que quando nós estávamos discutindo o ultimatum de Godesberg [de Hitler ao governo tcheco] eu disse que, se tomasse parte em persuadir, ou mesmo sugerir, que o governo tchecoslovaco deveria aceitar esse ultimatum, eu nunca seria capaz de novamente levantar a minha cabeça... Eu arruinei, talvez, a minha carreira política. Mas isso tem pouca importância; eu retive algo que é para mim de grande valor - eu posso ainda andar pelo mundo com minha cabeça ereta” (cf. a ata da sessão em “Parliamentary Debates”, 5th series, vol.339 (1938), transcrito in “Munich: Blunder, Plot, or Tragic Necessity?”, ed. Dwight E. Lee, D.C. Heath and Company, 1970).

Antes da votação final, a 5 de outubro de 1938, Churchill subiu à tribuna. Citaremos extensamente o seu pronunciamento pelo que ele revela do papel dos governos inglês e francês no estímulo a Hitler:

...Começarei por dizer o que todo mundo gostaria de ignorar ou esquecer, mas que deve, entretanto, ser dito, a saber - sofremos uma derrota total e consumada, e a França sofreu uma derrota ainda maior do que nós”.

Foi interrompido pela Viscondessa de Astor, que gritou “non sense!”. Mas Churchill prosseguiu:
“O máximo que o meu muito honorável amigo primeiro-ministro conseguiu, com respeito à Tchecoslováquia e às pretensões do ditador alemão...”

“Foi a paz! Foi a paz!”, gritaram, em coro, parlamentares do seu próprio partido.
O orador retomou a palavra:

O máximo que ele foi capaz de conseguir para a Tchecoslováquia, e os assuntos que estavam em disputa, foi que o ditador alemão, ao invés de trinchar ele mesmo a sua comida na mesa do banquete, ficasse satisfeito por ter-lhe sido servida, prato por prato, pelo primeiro-ministro.

Chego ao ponto da salvação da paz. (....) não compreendo claramente porque podia haver tanto perigo de que a Inglaterra e a França viessem a se envolver numa guerra com a Alemanha se ambas estavam prontas para sacrificar a Tchecoslováquia. (....) Não se pode prever a possibilidade de uma luta quando um dos lados está determinado a ceder em tudo.

Quando essa decisão foi tomada (….) estava já estabelecido em princípio que não seria promovida a defesa da Tchecoslováquia em caso de guerra.

“… a manutenção da paz depende de colocar obstáculos ao agressor (....). A França e a Grã Bretanha juntas, especialmente se tivessem mantido próximo contato com a Rússia, o que certamente não foi feito, teriam sido capazes, quando tinham o prestígio, de influenciar muitos dos pequenos Estados da Europa, e acredito que poderiam ter determinado a atitude da Polônia.
Tudo está acabado. Silenciosa, enlutada, abandonada, despedaçada, a Tchecoslováquia desaparece nas trevas... Ninguém tem o direito de dizer que o plebiscito [nas áreas sob ocupação nazista] é um veredicto de auto-determinação. É uma fraude e uma farsa invocar este nome.

“[A Tchecoslováquia] não está apenas politicamente mutilada, mas, também, econômica e financeiramente em completa confusão. (....) As indústrias estão sendo esquartejadas e o movimento da população, de um lado para outro, é o que há de mais cruel. Os mineiros sudetos, todos tchecos, e cujas famílias viviam nessa área há séculos, devem agora mudar-se para outra área, onde raras minas foram deixadas para os que nelas trabalham. O que ocorreu, nesse particular, é por si só uma tragédia. Há de existir sempre, no coração da Inglaterra, um arrependimento e um profundo sentimento de desolação, diante do infortúnio que caiu sobre a República da Tchecoslováquia. Mas o seu sacrifício, é preciso que saibamos, não terminou ainda. A qualquer momento, deve iniciar-se uma nova etapa do programa. A qualquer momento, a uma ordem de Hitler ou de Goebbels, pode recomeçar a campanha de calúnias e mentiras. A qualquer momento um incidente pode ser provocado, como pretexto para a conquista total. Agora, que a linha fortificada foi abandonada, o que poderá conter a vontade do conquistador? (….) o Estado tchecoslovaco não poderá se manter como Estado independente. (....) a Tchecoslováquia será, então, absorvida pelo regime nazista, deixando-se, possivelmente, empolgar pelo desespero e pelo desejo de vingança. (....) Isso representa a mais grave consequência de tudo quanto fizemos e deixamos de fazer nos últimos cinco anos. Tais são os assuntos que vim expor neste momento e que assinalam a conduta imprevidente pela qual a Inglaterra e a França terão que pagar.

Quando penso nas caras esperanças de paz duradoura que ainda existiam na Europa no início de 1933, quando Herr Hitler obteve a primeira investidura no poder, e em todas as oportunidades de barrar o crescente poder nazista então fácil de esmagar, quando penso nas imensas possibilidades e nos recursos que foram desperdiçados ou negligenciados, não posso acreditar que exista caso paralelo em toda a história dos povos. Tanto quanto toca a este país, a responsabilidade deve ser lançada sobre aqueles que tinham então o controle indisputável dos nossos negócios políticos. Esses homens de Estado nunca impediram a Alemanha de se rearmar (....). Querelaram com a Itália, sem no entanto salvar a Abissínia [invadida por Mussolini]. Exploraram e desacreditaram a vasta instituição da Liga das Nações e se esqueceram, negligentemente, de fazer alianças e combinações que poderiam ter corrigido os erros anteriores.

Estamos diante de um desastre de grande magnitude, desastre em que a Inglaterra e a França são atingidas em cheio. (....) O exército alemão, atualmente, é mais numeroso que o da França e, segundo creio, mais preparado. No próximo ano, tornar-se-á ainda maior, em número, e mais capaz, em técnica. (....) a Alemanha nazista poderá escolher livremente qual o caminho que lhe interessa seguir, em qual direção quer fazer marchar as suas tropas. Se o ditador nazista olhar para o nosso lado, a Inglaterra e a França muito terão a deplorar a perda desse fino exército da antiga Boêmia [Tchecoslováquia], que, segundo as estimativas da última semana, exigiria pelo menos trinta divisões alemãs para o total aniquilamento” (“Parliamentary Debates”, ibidem, cotejado com a versão revisada pelo orador - Churchill, “Sangue, Suor e Lágrimas”, vol. I, Ed. Opera Mundi, 1973, trad. R. Magalhães Junior, págs. 117-129, grifos nossos).


MOSCOU 

Chamberlain falou em seguida. Sua resposta foi uma acusação - proferida em débil tom, e de forma enviesada - de que seu oponente queria a guerra. A rigor, o primeiro-ministro transferia a responsabilidade de Hitler para Churchill.

Cinco meses depois desse debate, os nazistas, desprezando as garantias dadas à Tchecoslováquia pela Inglaterra e França, ocuparam o que restara do país, entrando em Praga a 15 de abril de 1939. Nem Londres nem Paris fizeram absolutamente nada para honrar a palavra dada ao governo tcheco.
No dia seguinte, a União Soviética propôs à França e à Inglaterra uma aliança militar contra a Alemanha. Em suas memórias, Churchill comenta:

...não há dúvida, mesmo em retrospectiva, que a Grã-Bretanha e a França deviam ter aceito a oferta russa (....). Mas o sr. Chamberlain e o Ministério das Relações Exteriores ficaram perplexos (....). A aliança entre a Grã-Bretanha, a França e a Rússia teria causado uma profunda comoção no coração da Alemanha em 1939, e ninguém pode provar que, ainda nessa época, a guerra não pudesse ter sido evitada” (Churchill, “The Gathering Storm”, ed. cit., pág. 324).

Somente três meses depois, a 25 de julho de 1939, com a opinião popular na Inglaterra e na França revoltada com a ocupação da Tchecoslováquia, os governos desses países aceitaram as conversações com a URSS. Nessa altura, os alemães já haviam transferido a maior parte das suas tropas para a fronteira polonesa, onde pretendiam realizar - e, com efeito, realizaram - o próximo ataque.

No dia seguinte, 26 de Julho de 1939, o governo alemão propôs à URSS um acordo de não-agressão. Mas o governo soviético, esperando as negociações com a Inglaterra e a França, não respondeu aos alemães. Estes insistiram nas semanas seguintes, sempre com a mesma reação soviética. Os alemães ofereciam à URSS a renúncia de suas pretensões sobre a Lituânia, Letônia e Estônia e a retirada das tropas que haviam ocupado a cidade lituana de Memel, considerada por eles como parte da Prússia Oriental. Os soviéticos, mais uma vez, não responderam - e ofereceram ajuda militar à Polônia em caso de agressão, que foi recusada pela ditadura feudal polonesa, na decisão mais desastrosa da história do país.

Enquanto isso, as delegações inglesa e francesa que iriam negociar com a URSS levavam 18 dias para chegar a Moscou... E quando chegaram, a 12 de agosto, apenas 20 dias antes da agressão nazista à Polônia, declararam que não tinham recebido poderes dos seus governos para negociar uma aliança militar ou de qualquer outra natureza com a URSS. Os chefes das delegações inglesa, almirante Drax, e francesa, general Doumenc, disseram ao chefe da delegação soviética, marechal Voroshilov, Comissário do Povo para a Defesa, que suas instruções eram as de examinar “uma hipótese”. 

Voroshilov, naturalmente, sugeriu aos ingleses e franceses que pedissem, por telegrama, os devidos poderes aos seus governos, o que foi aceito pelas delegações.

A URSS considerava, há muito, que os alemães, cedo ou tarde, atacariam o país. Sem a Inglaterra e a França, a questão era ganhar tempo que permitisse ao país estar melhor preparado para a guerra. No mesmo dia em que as delegações inglesa e francesa declararam que não tinham poderes para negociar um acordo, o governo soviético comunicou ao governo alemão que aceitava empreender negociações com vistas a um pacto de não-agressão - como vimos na edição passada, França e Inglaterra já tinham assinado pactos de não-agressão com os alemães.

Os governos inglês e francês só responderam aos telegramas de suas delegações três dias depois - negando poderes a elas para firmar um acordo com a URSS. Os soviéticos ainda fizeram uma última tentativa: Voroshilov declarou que o governo soviético colocava à disposição de uma aliança com a Inglaterra e a França, 136 divisões, uma artilharia pesada de 5.000 canhões, um contingente blindado de 9.000 tanques e uma força aérea de 5.000 aviões. Não houve resposta da Inglaterra e da França.

Dez dias após a chegada das delegações inglesa e francesa a Moscou, no dia 22 de Agosto de 1939, as conversações se encerraram por falta de propostas da Inglaterra e da França. Nesse mesmo dia, repentinamente, o governo francês concedeu poderes ao general Doumenc para assinar um acordo com a URSS. Uma explicação para essa mudança foi aventada por Mário Sousa, em seu artigo de 1999, “O tratado de não agressão mútua entre a União Soviética e a Alemanha”:

O interesse repentino da França pelas negociações (e a proposta renovada pela Alemanha de um tratado de não agressão…) terá talvez a sua origem no fato de que nesta altura o exército imperial japonês invasor da Mongólia estava a ser totalmente aniquilado pelos exércitos da União Soviética e da Mongólia. Entretanto, no ato da entrega dos seus novos poderes ao marechal Voroshilov, o general Doumenc foi obrigado a reconhecer que a delegação inglesa não tinha obtido plenos poderes do seu governo e que a sua participação na aliança militar não se iria verificar”.

Sem a Inglaterra, com sua influência na Europa Central e seu poder naval, a aliança contra a Alemanha era, evidentemente, impossível.

Depois da entrevista de Voroshilov com o general Doumenc, o governo soviético comunicou à Alemanha que resolvera assinar o pacto de não-agressão. Logo no dia seguinte, 23 de agosto, Ribbentrop, o ministro das Relações Exteriores alemão, já estava em Moscou para firmá-lo.

Uma vez mais, foi o anti-comunista Churchill quem fez a melhor consideração sobre as mudanças geo-políticas introduzidas pelo acordo da URSS com a Alemanha. Segundo ele, essas mudanças eram “absolutamente necessárias para a segurança da Rússia em relação à ameaça nazista”.

Além disso, nos 21 meses que o pacto permitiu adiar a agressão nazista, a URSS aumentou o ritmo de sua indústria de defesa – que cresceu, nesse período, a uma taxa de 39% ao ano (bem mais que o conjunto da economia, que cresceu a 13% a.a.), mostrando que esse intermezzo foi muito bem aproveitado. Fábricas da Ucrânia, Bielo-Rússia e Rússia ocidental foram transferidas para os Urais e outras localidades no interior do país, constituindo a retaguarda industrial que permitiu a vitória contra o nazismo. Por fim, o contingente do Exército Vermelho foi aumentado para 5 milhões de membros. No artigo que mencionamos acima, o autor chega a uma conclusão que é inescapável: “O Tratado de Não Agressão foi a base que possibilitou à União Soviética vencer a segunda guerra mundial, destruir a Alemanha nazi e libertar o mundo da barbárie nazi” (Sousa, art. cit.).

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