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domingo, 18 de dezembro de 2011

A favor de Marx e Lênin, contra os "marxianos"




Artigo que defende o marxismo-leninismo contra a interpretação revisionista de José Chasin.





Por Lúcio Jr

A favor de Marx e Lênin, contra os marxianos 

Marx está na academia, mas Lênin, infelizmente, não. A educação é um elemento importantíssimo para consciência socialista. Educar, para Lênin, é conscientizar de forma crítica e revolucionária. É preciso, também, armar os alunos de um arsenal marxista-leninista que lhes permita combaterem os ?marxianos? esquerdistas como José Chasin e os ?marxólogos? tucanos como José Arthur Gianotti. 

Em primeiro, existem resistências contra o marxismo-leninismo até hoje, agora disfarçadas de marxismo, e que aqui iremos chamar de desvio ?marxiano?. Chafurdam nesse revisionismo teóricos como Lívia Cotrim e Antônio Rago, ainda como o grupo da revista Verinotio, da UFMG, que se dizem marxistas, mas que dizem que o marxismo não derivou do socialismo francês, da economia política inglesa e da filosofia alemã, que chamam de ?tríplice amálgama? assim como contestam a dialética, também parte fundamental do pensamento marxista, combatem a dialética, apresentam convergências com o trotsquismo contra-revolucionário. O que significa para um marxista ser contra a dialética? A dialética é o processo de mudança pelo qual a natureza e as sociedades passam. Amputá-la é destruir toda a linha de pensamento de Marx, é o tipo de revisionismo mais danoso que se pode fazer. 

Outro elemento é a dissociação entre Engels e Marx, atribuindo a Engels características negativas. São basicamente ?marxianos? ligados a Lukács e a Hegel, uma linha politicamente anti-leninista de ?marxismo ocidental? que não se ocupa com problemas reais derivados as experiências marxistas e leninistas no último século e no presente e sim em polemizar questões acadêmicas. No fundo, aproximam e embebem o seu ?marxismo? na filosofia idealista alemã. Permanecem, ainda, imaginando que é o pensamento que cria a realidade e não vice-versa. Para Lênin, que foi o grande aplicador das idéias de Marx, nenhuma filosofia é uma filosofia neutra, todas são partidárias. Deve-se, então, avaliar que tipo de interesse ou partido pode estar ligado a uma deformação do marxismo como essa apresentada acima. Pode-se dizer que essa filosofia tira o marxismo das mãos do proletariado. Ela deixa de ser uma arma nas mãos do proletariado e passa a ser uma teoria revisionista a serviço da burguesia e da pequena burguesia. Em política, quem pensa como quem afirma o que foi dito acima é a favor da conciliação do capital e do trabalho e do reformismo; se as soluções não são políticas, resta deixar o capitalismo evoluir por si mesmo para o socialismo. Há também alguns que se reclamam da versão do Trotsky, que se apresenta como uma versão do marxismo-leninismo, mas contém vários desvios. Trotsky entrou tardiamente no partido bolchevique e sua doutrina manteve elementos de menchevismo, ou seja, de um pensamento de classe média. O principal que fazem é um desvio para os estudos filosóficos do jovem Marx, ainda muito marcado pela filosofia hegeliana. Esses autores se baseiam, para essa releitura de Marx, em publicações de textos da juventude, tais como os Gundrisse, o Manifesto de Kreuzach, os manuscritos econômico-filosóficos. No entanto, o fundamental na obra de Marx é sua crítica econômica presente em O Capital, que é uma obra que combina as três partes fundamentais acima citadas. Lênin, então, não perdeu parte fundamental da obra de Marx nem o destino do estado soviético não seria diferente acaso ele dispusesse desses textos. Esse tipo de teoria que nega as três partes fundamentais do marxismo é astúcia para enganar as pessoas, é ?charlatanismo professoral?. Muitos professores, muitos cientistas, até hoje, são comissionados eruditos da classe dos capitalistas. 

Para Lênin a discussão entre tendências filosóficas deve ser entre o materialismo e idealismo e não entre racionalismo e irracionalismo, como colocam essas tendências elencadas acima.

De Hegel, Marx e Engels tiraram a dialética (doutrina da relatividade do conhecimento humano); de Feuerbach, o materialismo; da economia política inglesa, criticando e analisando as racionalizações do pensamento burguês que a burguesia inglesa costumava fazer. 

Para criticar a obra de Lênin, remete-se a aproximações com Kautsky (por ele criticado duramente), ao uso de uma linguagem escolástica, ou seja, obscura e abstrusa, que não se encontra nem em Lênin nem em Stálin. Esses dois escrevem para os trabalhadores, para as massas, são pedagogos, são escritores didáticos. O grupo ?chasinista? escreve para seus pares, para acadêmicos. Sua versão de marxismo não é incompatível com a versão gramsciana adotada no PT e com a versão trotsquista adotada na esquerda socialista, pelo contrário, embora verbalmente vitupere contra esses partidos e sua política, suas idéias convergem. Aliás, parece que quanto mais as idéias convergem, mais eles destilam veneno verbal (verinotio?) Lukács, embora seja estudioso do marxismo, está sempre embriagado de idealismo alemão, deslocando por isso o eixo para o discussão razão/irrazão, produzindo conclusões falsas. Lukács nunca aceitou a ditadura do proletariado, preferindo a idéia de ?democracia socialista?, ou seja, conforme o leninismo, permaneceu um pequeno-burguês em seu pensamento, tendo assimilado mal o marxismo-leninismo, embora da boca para fora sempre elogie Lênin e critique Stálin, ignorando que um é o seguidor do outro e a política de Stálin é continuadora da de Lênin e assim por diante. Criticado por Lênin na juventude, o autor húngaro sempre fez autocrítica apenas puramente verbal e prosseguiu com os mesmos problemas apontados por Lênin: importância excessiva a questões sem importância, análises pouco concretas, etc. 

Embora a tradição de pensamento de Nietzsche e Heidegger tenha alguns pontos de contato com o movimento político que levou ao nazismo, colocar Hitler como um pensador nessa linha é forçar uma acusação genérica sem maiores critérios. Lukács, ao apoiar Kruschev, a contra-revolução de 56 e fazer uma leitura favorável de Soljenitsin, ou seja, do realismo anti-socialista, mostrou-se um verdadeiro ?Rasputin da linha justa?, ou seja, um pensador capaz de fazer malabarismos mentais para poder se ajustar na linha do partido e estar próximo ao poder. Lukács não pode ser considerado defensor intransigente do ?marxismo-leninismo?. Ele aproxima-se, então, do paradigma trotsquista e do marxismo ocidental. 

Os textos em que Lênin se baseia para fundamentar a teoria das três fontes fundamentais do marxismo são o Ludwig Feuerbach e o Anti-Duhring. 

Os estudantes têm de ser armados contra esse tipode explicação que circula nas faculdades como UFMG e Santo André (SP). É preciso que os estudantes saibam argumentar a respeito. 

Lênin deu uma contribuição ao marxismo centrada em três pontos: questão do estado, definição da fase do capitalismo surgida a partir do final do século XIX (imperialismo), teoria do partido. O pensamento de Lênin até hoje é alvo de muitas distorções. 

O fundamental da educação marxista é se instruir, assim como disseminar os conhecimentos que são importantes para os trabalhadores, para que possam tomar nas mãos a transformação da sociedade. Essa é a finalidade de qualquer educação socialista: ensinar o que os filhos dos trabalhadores precisam saber para que possam tomar o poder político em suas mãos quando forem trabalhadores. 

Não se pode falar em ?marxismo vulgar? (diferente do ?marxismo aristocrático??) como falam determinadas correntes, em especial essa de que se está tratando acima, que se diz inspirada em Lukács. Na Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, Marx diz que a teoria só se converte em força material quando se apossa dos homens. Então, é do vulgo, da massa, dos homens em geral que ele está tratando. Marx confia que, se essa massa entender a teoria, estudá-la, poderá transformar a realidade, daí o fato de escrever claramente uma teoria para essa massa. Ele sabe quem é seu leitor, a filosofia marxista é para não-filósofos, daí o fato de que não cria todo um palavreado técnico, hermético. A vertente que critica Lênin, aproximando-o de Kautsky, costuma também dizer que Stálin fez do pensamento de Marx e Lênin um ?beabá? ou uma ?escolástica?, o que é equívoco e má fé. Stálin é um seguidor de Marx, mas principalmente de Lênin, considerando que o ?leninismo é o marxismo do século XX?, escreve de forma clara, para as massas. Em Glosas Críticas ao Rei da Prússia e a Reforma Social, Marx escreve que ?devemos reconhecer que o proletariado alemão é o teórico do proletariado europeu, como o proletariado inglês é o seu economista e o francês, seu político?. 

Para Marx, os trabalhadores tinham de revolucionar a sociedade. Lênin teorizou que um partido teria um papel muito importante nessa tomada do poder, completando assim as idéias do Marx com uma teorização que se mostrou vitoriosa. Mas, para Marx, o fenômeno político, em si, é positivo, uma vez que pode ser transformado pela luta de classes. O modelo dessa transformação, para Marx, foi a Comuna de Paris. Nessa altura, o palestrista citou uma passagem desse texto de Marx, fazendo a leitura dele. O trecho fala em que a revolução marxista, tal como a da Comuna de Paris, destruiria o antigo estado e criaria outro, não sendo mais como as outras revoluções, que representavam somente a troca de algumas facções da mesma classe no poder. 

O palestrista é admirador de uma vertente marxista que propõe a luta para melhorar o estado e a política. Ele advoga uma relação entre marxismo e educação que está inserida profundamente na própria filosofia marxista: o que ela busca, que é ser uma arma revolucionária nas mãos, do proletariado, só será obtido através da educação. A grande questão que ele responde é: o que ensinar aos filhos dos trabalhadores? A educação dos trabalhadores precisa a ser mais contextualizada com a realidade possível, assim como passar por questões atuais, como política nacional e internacional, economia e salário. O essencial da consciência de classe será que o jovem trabalhador precisa participar de sindicatos, partidos, associações, adquirindo vivências sociais, combatendo o idealismo. 


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