Alguns Problemas do Paradigma Trotskista
Comentário ao artigo de Bernardo Cerdeira
Por Ícaro Leal Alves
Alguns comentários que elaborei sobre o artigo do jornalista
trotskista Bernardo Cerdeira <>.
Nesse
trabalho Cerdeira desenvolve a velha leitura trotskista da história soviética
que pressupõe a ruptura entre o velho bolchevismo de Lênin, revolucionário e
democrático, e o <> do período de Josef Stálin, que
seria por sua vez contrarrevolucionário e totalitário.
Aqui,
aponto alguns problemas dessa linha de raciocínio e proponho alguns elementos
de reflexão.
A mitologia do “período de Lênin”
O primeiro problema que identifiquei na tentativa de
Cerdeira em desvincular o leninismo do stalinismo, ou na sua expressão, o
bolchevismo do stalinismo, é a leitura que faz do período de Lênin, que ele
identifica como bolchevismo. Para Cerdeira, Stálin teria introduzido um regime
burocrático-totalitário, que identifica como stalinismo em oposição ao regime
instituído por Lênin e que supostamente se diferenciaria por uma maior
liberdade e uma maior democracia para os trabalhadores. Não sei se essa afirmação
pode ser considerada como 100% (cem por cento) condizente com a realidade.
Vejamos
como Cerdeira caracteriza o período de Lênin:
Mesmo nos momentos de guerra civil, com todas as óbvias
limitações que essa luta implacável impunha, o regime bolchevique de 1917 a
1923 foi extremamente democrático para a classe operária e os setores populares
a ela aliados. Apesar de atacado por todos os lados, pelo exército branco e
pelas tropas de 14 nações comandadas pelos maiores países imperialistas; apesar
de sabotado internamente pelos partidos oportunistas, como os
socialistas-revolucionários e mencheviques; apesar de tudo isso, foi o regime
mais democrático para a classe operária e para o povo que a história já
conheceu.[1]






