sábado, 30 de março de 2013
Historiador norte-americano desmente “terror” de Stálin
A pesada artilharia ideológica do revisionismo e da Guerra Fria contra Stálin e suas realizações na construção do socialismo na União Soviética ainda hoje se faz sentir. Não é verdade que o mero distanciamento no tempo nos permite ver com mais clareza o que se passou, como lemos tantas vezes nas capas de dezenas de livros burgueses sobre o período. Não nesse caso. Conforme nos ensina Lênin, não existe neutralidade numa sociedade dividida em classes, e, por isso, não é de se esperar que autores burgueses mudem seu ponto de vista com o passar dos anos.
No entanto, isso não impede que alguns lampejos de lucidez e honestidade intelectual possam ser encontrados entre historiadores não-marxistas que estudam a questão, como é o caso de Robert W. Thurston, professor de História na Universidade de Miami, em Oxford, Ohio, EUA, e autor da obraLife and terror in Stalin’s Russia – 1934-1941 (Vida cotidiana e terror na Rússia de Stálin, em tradução livre), ainda sem tradução para o português.
Ao analisar o período comumente referido como o mais repressivo na história da URSS, que foi entre 1934 e 1941, Thurston afirma que Stálin, ao contrário do que é propagandeado pela academia burguesa, nunca teve a intenção de aterrorizar o país e que não tinha nenhuma necessidade disso. Ao contrário, afirma o historiador, as grandes massas da população soviética não só acreditavam que as mudanças em curso no país eram uma real busca por inimigos internos, como essas mesmas massas colaboravam com o Governo revolucionário nesta tarefa.
Thurston inicia seu livro mostrando que, após um conturbado início de século, ao passar por duas revoluções, uma Guerra Mundial e uma Guerra Civil, o Governo soviético começou a “relaxar” no início da década de 1930, no sentido de introduzir reformas no sistema penal e atenuar as práticas punitivas. Entre os vários exemplos utilizados pelo historiador, encontramos neste ponto o relato de que Stálin e Molotov, em 1933, ordenaram a libertação de nada menos que metade de todos os camponeses que haviam sido presos por questões ligadas à coletivização. Em agosto de 1935, o Governo declarou anistia a todos os trabalhadores condenados a menos de cinco anos e que estavam trabalhando “honradamente e com boa consciência”. Mas, a despeito de todas as positivas ações que vinham sendo tomadas neste sentido, novos acontecimentos fizeram com que essa tendência fosse bruscamente interrompida.
A partir do assassinato de Kirov, em 1934, uma rede conspirativa foi identificada no alto escalão do Governo e do Exército soviéticos. Segundo Thurston, havia realmente um bloco trotskista em atividade na URSS; Bukharin tinha conhecimento de um centro articulado contra Stálin; pelo menos um dos seguidores de Bukharin mencionou matar Stálin; e informações de origens distintas confirmavam um complô no Exército articulado por Tukhachevsky. Assim, todas as evidências apontam para o fato de que as ações do Governo, desse momento em diante, foram uma reação a eventos que se passavam no país, e não uma política deliberada e imotivada de repressão, como defende a historiografia burguesa.
Esta reação do Governo foi levada a cabo em grande parte pela chamada Polícia Política, a NKVD. Mas, ao contrário da fantasia burguesa devaneada no livro 1984, do trotskista George Orwell, a NKVD, segundo Thurston, estava longe de ser uma organização “onisciente” e “onipotente”, uma espécie de “Grande Irmão”. Segundo o historiador, essa organização dependia tanto das informações quanto da colaboração dos cidadãos soviéticos. Assim, a chamada Polícia Política, apontada na historiografia burguesa como uma consequência de um “desequilíbrio mental” de Stálin, foi, na verdade, uma criação da própria sociedade e da história soviéticas. Thurston cita como evidência o fato de que simples cidadãos podiam não somente influenciar a NKVD em algumas detenções, como também tinham o poder de até mesmo impedir algumas delas. Segundo Thurston, “nem Stálin e nem a NKVD agiram independentemente da sociedade”, embora esta organização tenha, de fato, cometido erros e excessos sob a liderança de Ezhov, afastado do cargo e julgado posteriormente.
Este último ponto é de vital importância. A historiografia burguesa superdimensiona as exceções e lhe dão ostatus de regra, querendo indicar, com isso, que a maioria dos prisioneiros do período eram inocentes. Uma consequência de tal cenário seria que a maioria da população viveria então permanentemente atemorizada, com receio de ser presa a qualquer momento, por nada.
“Ninguém pode julgar quantas pessoas temiam o regime no final de década de 1930… mas abundantes fontes revelam… que a resposta a essa situação era limitada… Tal temor ocorria dentro de certas categorias da população…”, afirma Thurston. Seja qual for o momento analisado entre 1934 e 1941, um temor ao Governo era certamente menos importante do que a crença de que as autoridades buscavam identificar inimigos reais do país. Sobreviventes do período reforçam repetidamente este ponto de vista. Pelo menos entre 1939 e 1941 é possível afirmar, com segurança, que os trabalhadores urbanos da URSS exibiam patriotismo, apoio à liderança de Stálin e confiança no seu direito e na sua capacidade de criticar importantes aspectos da situação.
Apoio do povo ao Governo soviético
Outro ponto de destaque na caricatura traçada pela burguesia sobre o Governo de Stálin é a questão da falta de liberdade de crítica. Vão de encontro a isso, no entanto, os inúmeros exemplos citados por Thurston de organizações dos próprios trabalhadores que tinham como objetivo discutir e criticar aspectos de suas vidas nas fábricas e no país. Uma dessas formas era através dos jornais das fábricas, nos quais qualquer trabalhador poderia contribuir. O jornal da fábrica de Voroshilov, em Vladivostok, por exemplo, recebeu mais de duas mil cartas para publicação somente no primeiro semestre de 1935.
Mas o principal teste do Governo de Stálin foi a resposta da população à Segunda Guerra Mundial. Segundo Thurston, não houve deserção em massa durante a guerra. A principal característica do Exército Vermelho foi sua assombrosa determinação de vencer, e essa foi a razão pela qual venceu. Assim, apesar de todos os erros que podem ter ocorrido nos processos do chamado “terror” no final dos anos 1930, a Segunda Guerra Mundial foi, segundo Thurston, o “teste ácido” de todo o período de Stálin, no qual não apenas os soldados do Exército Vermelho lutaram com toda determinação, como os trabalhadores que ficaram no país continuaram a produzir, em situações muitas vezes dificílimas, as armas, os tanques e os armamentos necessários para a vitória.
Glauber Athayde, Belo Horizonte
Fonte - A Verdade
quinta-feira, 28 de março de 2013
AS GALERIAS SUBTERRÂNEAS DOS GUERRILHEIROS SOVIÉTICOS DURANTE A OCUPAÇÃO NAZISTA
A invasão nazista da União Soviética em 1941 deixou incríveis mostras de heroismo e bravura, e a cidade ucraniana de Odessa é um exemplo. Com uma clara desvantagem numérica (86.000 soviéticos contra 340.000 invasores romenos e alemães) e cercados por terra, os defensores da cidade resistiram 73 duríssimos dias lutando contra o inimigo. Em 16 de outubro de 1941, os invasores conseguiram tomar a cidade. Daquele momento em diante a cidade sofreria com a ditadura tirânica e genocida da Romênia fascista, culminando no chamado Holocausto de Odessa. Na cidade foram executadas mais de 100.000 pessoas, das formas mais crueis e covardes.
Mas um Valente comunista começa a organizar um grupo clandestino de resistência. Seu nome de guerra é Pavel Badaev, e a valentia é a sua principal característica. O nome verdadeiro deste jovem era Vladimir Molodtsov. Vladimir nasceu em 1911 na região de Ryazan, e se juntou ao Komsomol quando tinha 15 anos de idade. Depois de trabalhar como mecânico em uma mina, começou a trabalhar na NKVD gerenciando informações provindas do exterior. Em 1941, enquanto os defensores de Odessa resistiam, ele foi enviado à cidade para organizar a resistência posterior. Seu nome clandiestino, Badaev, é escolhido por sua esposa, Antonina Badaeva.
Vladimir Molodtsov organiza então um grupo clandestino dedicado à inteligência, à sabotagem, à agitação, etc. Seu grupo atacava o inimigo por baixo da cidade, escondendo-se nas chamadas "Catacumbas de Odessa", que eram uma vasta rede de túneis construídos desde o século XIX para extrair calcário.
O grupo já atua desde o período da defesa de Odessa, embora a primeira ação de destaque ocorrerá somente em 22 de outubro de 1941. Ainda não havia passado uma semana desde a tomada da cidade, quando uma reunião de comandantes romenos e alemães explode pelos ares. Dois generais e 147 oficiais perderam suas vidas, sendo que mal tiveram tempo de comemorar a captura da cidade.
Em 17 de novembro de 1941, um trem de luxo veio para a cidade cheia de soldados e oficiais, a fim de fortalecer o genocídio que estava ocorrendo ali. Abaixo do trem estava o grupo de Molodtsov, que fez o trem voar pelos ares, causando mais de 250 baixas inimigas.
Enquanto as batalhas ocorriam nos frontes, na cidade de Odessa agia o grupo guerrilheiro com seus 70 membros, realizando sabotagens, eliminando membros da SS, interrompendo as comunicações do inimigo... E tudo isso a partir das galerias subterrâneias que serviam como base de operações, as quais tinham péssimas condições de higiene, muita umidade, etc.
Em 9 de fevereiro Vladimir Molodtsov é preso devido à traição de um de seus soldados. Suportou cruéis sessões de tortura mas jamais entregou ninguém. Foi executado em 29 de maio, sendo que nunca se soube do paradeiro de seu corpo. Ele foi postumamente nomeado Herói da União Soviética por sua coragem, heroísmo e patriotismo.
Fonte: Cultura Bolchevique
Fonte - O Marxista-Leninista
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