quarta-feira, 27 de março de 2013

Contra a RPDC a guerra fria não acabou



Contra a RPDC a guerra fria não acabou 

Por Rosanita Campos - Jornal Hora do Povo

É um atentado à inteligência dos leitores o que disse em editorial um dos monopólios de mídia no Brasil a serviço dos interesses dos EUA. O jornal afirma que “guerra fria terminou em 1991, mas a Coreia do Norte parece não ter se dado conta do fato” e “é um país fechado” referindo-se ao fato da República Popular Democrática da Coreia manter no país o sistema socialista que o jornal considera anacrônico.

Bem, se o jornal acha que o socialismo é anacrônico, tem todo o direito de achar, só não tem o direito de querer impor que o mundo inteiro pense igual. Conviver com pensamentos diferentes é um princípio democrático que deve ser respeitado. Também não vale mentir.

Anacrônica é a análise que o jornal apresenta sobre a RPDC que, ao que tudo indica, não conhece. Anacrônico é querer que um país socialista não tenha o direito à autodeterminação e à soberania como qualquer outro país apenas pelo fato de seu regime de governo, escolhido por seu povo, não ser do agrado ou da conveniência dos EUA e seus satélites com quem o jornal bajulador de ditaduras capitalistas mantém um alinhamento político automático sem nenhuma independência. Além do mais a Coreia socialista não é um país fechado aos amigos da Coreia, e só não é mais aberto graças à hostilidade dos EUA que tentam isolar a Coreia para melhor poder mentirosamente incriminá-la, difamá-la e chantageá-la, ao mesmo tempo em que tentam proibir o comércio exterior e impor sanções políticas e econômicas com o objetivo de asfixiar economicamente o país.

Não é a RPDC “que não se deu conta” de que a guerra fria acabou, pois a guerra fria não acabou. Em relação à RPDC foram os EUA que mantiveram um estado de guerra permanente apesar de que desde o fim da guerra de agressão que os EUA cometeram contra a Coreia em 1950 e que terminou com um armistício em 1953 o então Presidente da RPDC, Kim Il Sung, propôs por várias vezes que o armistício assinado fosse substituído por um tratado de paz definitiva que permitisse a criação de um ambiente mais tranquilo e de paz na Península Coreana. Tal proposta da RPDC jamais foi aceita pelos EUA que, ao contrário, além de manter suas tropas com arsenais nucleares no sul da Coreia vem realizando, entra ano sai ano, uma série de provocações militares utilizando os sul-coreanos na fronteira com a RPDC. Além disso, o país com mais armamentos nucleares no mundo, os EUA, vêm se utilizando desavergonhadamente de pressões contra a comunidade internacional, a ONU e seus organismos para atacar a RPDC e lhe impor sanções injustas por este país defender seu direito de existir, sua integridade territorial, sua soberania enquanto nação livre.

As atuais sanções impostas pela ONU sob mando dos EUA não têm nenhuma razão de ser na medida em que o pretexto utilizado foi um programa científico aeroespacial para fins pacíficos e um programa de autodefesa nuclear, direito de qualquer país que não pode ser questionado por nenhuma potência nuclear, e portanto, segundo os princípios do direito internacional não são passíveis de sanções.

Quem vive sob ameaça não tem outra coisa a fazer que não seja se defender, e é isso que a RPDC está fazendo. Quem tem imposto sanções e feito uma política extremamente hostil contra a RPDC são os EUA com a participação de sul-coreanos e seus aliados. Essas provocações chegaram à histeria quando em dezembro a RPDC usou seu direito internacionalmente reconhecido para lançar com sucesso um satélite para usar em pesquisas científicas e com isso promover avanços tecnológicos para melhorar a vida do povo de seu país.

É falsa e parcial a acusação dos monopólios de mídia pró-EUA de que é a Coreia quem faz provocações. Não fosse as ameaças, inclusive nucleares, que vem sofrendo desde o fim da guerra da Coreia em 1953, não teria sido necessário que a RPDC prosseguisse com seu projeto nuclear autodefensivo e realizasse também com sucesso os recentes testes nucleares. Foi necessário criar um poder dissuasório para barrar uma nova guerra. O governo da RPDC tem corretamente afirmado que a culpa do país ter que fazer grandes esforços em pesquisas nucleares para sua autodefesa e dissuasão da guerra é inteiramente dos EUA. Não fosse as permanentes hostilidades e ameaças nucleares por parte dos EUA, a RPDC poderia empenhar, como preferiria, seus esforços em outras áreas do desenvolvimento econômico e social do país. Mas defender-se não tem sido uma escolha, mas uma necessidade.

Fonte - Solidariedade a Coreia Popular

segunda-feira, 18 de março de 2013

60 anos depois, Stálin vive!



Há 60 anos falecia a maior personalidade política da história da luta revolucionária mundial. Jossif Vissarionóvitch Djugashvili, ou apenas Stálin (pseudônimo que em russo significa “homem de aço”), dirigente máximo do Partido Comunista Bolchevique e da construção do socialismo na União Soviética, morria em 5 de março de 1953, aos 74 anos, devido a um derrame cerebral. Em seu enterro compareceram 4 milhões de pessoas.
Foi uma perda incomensurável para o movimento comunista internacional. Não era apenas a morte de uma figura política qualquer. Tratava-se do homem cuja vida e obra foram capazes de sintetizar o movimento histórico de toda uma classe oprimida pela verdadeira libertação da exploração capitalista.
Stalin nasce em 21 de dezembro de 1879 em Gori, província de Tblissi, na Geórgia, filho de pai sapateiro e mãe camponesa. Conheceu a literatura revolucionária ainda na adolescência, quando estava no seminário de sua terra natal. Foi fundador e principal dirigente, ao lado de Lenin, do Partido Operário Social-Democrata da Rússia (Bolchevique), responsável pela direção do movimento de massas que culminou na Revolução de Outubro de 1917, que pôs nas mãos dos operários, soldados e camponeses organizados nos sovietes (conselhos populares) o poder do Estado, inaugurando a primeira nação socialista da história.
Esteve à frente da luta titânica do povo soviético pela consolidação do socialismo na Rússia e nas demais nações que compunham a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, fundada em 1922. Todas as batalhas enfrentadas pela classe operária revolucionária e pelos bolcheviques contaram com sua firme participação e direção. O firme combate aos inimigos internos e externos após a Revolução e durante a guerra civil de 1918 a 1921; a luta contra os traidores do socialismo e contrarrevolucionários (entre os quais Trotski)  na década de 1930; o desenvolvimento vertiginoso da economia e as incontáveis conquistas sociais e culturais conquistadas; a heroica guerra travada para destruir o nazi-fascismo; e a reconstrução dos países agredidos pelas hordas de Hitler poucos anos após o final da Segunda Guerra Mundial tornam-se simplesmente ilegíveis se desconsiderarmos a importância decisiva de Stálin na história do processo revolucionário.
Por isso que sua figura é, ao mesmo tempo, uma das mais amadas pelos lutadores e lutadoras de todo mundo e a mais odiada pela burguesia e seus ideólogos mercenários.
Até hoje observam-se inúmeras demonstrações de homenagem à sua memória, sobretudo nos países que pertenceram à URSS. Cartazes com fotos de Stalin em manifestações populares e atos reunindo milhares de pessoas contra a retirada de monumentos do dirigente soviético são só uma pequena demonstração da esperança que seu nome incita naqueles que ainda acreditam ser possível acabar de vez com o jugo capitalista.
É por isso que a burguesia faz de tudo para falsear a história sobre sua vida e seu papel à frente da União Soviética e do Partido Bolchevique. Todo arsenal ideológico anticomunista fabricado após a apresentação do famigerado “relatório secreto” de Kruschev após o XX Congresso do Partido é repetido até hoje, ad nauseum, nos meios de comunicação, nas escolas e universidades em quase todo mundo.
Ela, para manter seu domínio de classe, necessita acabar com qualquer rastro de esperança de emancipação dos trabalhadores. Só que, à medida que se aprofunda a crise do capitalismo, fica cada vez mais difícil para os capitalistas e seus papagaios manter seu castelo de areia repleto de mentiras, já que é cada vez maior a rebeldia, a mobilização e a organização do povo contra a opressão.
Aproxima-se o dia em que os ventos vermelhos que dizimaram as mazelas da exploração do homem pelo homem da face de quase um terço do globo terrestre estremeçam novamente o mundo.
Jonatas Henrique, Belo Horizonte

Fonte - A Verdade

sábado, 16 de março de 2013

A FESTA DOS SAQUEADORES: A PILHAGEM DA URSS



Em 1987, a dívida externa dos EUA subiu para US$ 246 bilhões. E no dia 19 de outubro de 1987, Wall Street caiu. Só um milagre poderia salvar os EUA. E o milagre aconteceu, e seu salvador foi Gorbachev.

Gorbachev salvou a economia dos EUA arruinando a URSS.

Sabe como isso aconteceu?

Em janeiro de 1987 as restrições sobre o comércio exterior foram revogadas. Essas restrições protegiam o mercado interno da União Soviética do colapso. Sem eles, o mercado doméstico da URSS - com seus preços ridiculamente baixos para alimentos e bens essenciais de consumo, em comparação com os mercados estrangeiros - não poderia manter-se por um único dia.

E, de repente, empresas e indivíduos foram autorizados a exportar alimentos para o exterior, matérias-primas, equipamentos eletrônicos, energia, produtos químicos, simplesmente... tudo!

Era como se um furacão poderoso tivesse passado sobre o vasto território da URSS. Em apenas um instante ele sugou para fora do país todos os produtos de valor. Mantimentos e objetos manufaturados desapareceram das prateleiras das lojas.

A pilhagem das reservas de ouro

Em 21 de julho de 1989 novos regulamentos alfandegários revogaram todas as restrições sobre a exportação de ouro e pedras preciosas.

O trabalho das alfândegas soviéticas dos últimos 70 anos foi imediatamente jogado no lixo.

Ouro, em quantidades até então inéditas, foi jogado para o mercado interno, a ser comprado a um preço interno, e então exportados.

Na época, o jornal "The Moscow Komsomol" descreveu assim o comércio de jóias: "Uma imagem brilhante de especulação desenfreada, a quota de vendas do Tesouro do Estado (Gokhran) para joias foi alocado mais e mais... Os contadores estavam sob ataque, o Tesouro do Estado era bombardeado com cartas solicitando novos suprimentos de ouro e pedras preciosas ... ".

O jornal "Izvestia" solicitou como medida de controle contra filas por ouro e diamantes "ser colocado no mercado uma quantidade formidável de ouro, tais como as reservas de ouro do Estado."

O jornal "Cultura Soviética" conclamou à remoção definitiva das barreiras alfandegárias para a exportação de ouro.

Depois de algum tempo G. Yavlinsky (responsável pela economia no governo na época) alarmou a imprensa com uma declaração sobre o desaparecimento das reservas de ouro. Mas tudo se acalmou rapidamente.

Ficou pior e pior

Naquele mesmo ano cidadãos exportaram individualmente 500.000 televisores a cores e 200 mil máquinas de lavar. Em 1988, apenas uma única família exportou: 392 geladeiras, 72 máquinas de lavar, 142 máquinas de ar-condicionado... Uma das milhares de organizações estrangeiras exportou: 1.400 ferros, 174 ventiladores, 3.500 peças de sabão e 242 kg de sabão em pó, produtos que foram especificamente comprados pelo Estado - por insistência do MPS - com moeda estrangeira, supostamente para o uso de cidadãos soviéticos.

Estes dados apareceram inadvertidamente na imprensa na época. Em 1989, sozinhos, em apenas um dos pontos de controles alfandegários, alguns indivíduos exportaram mais de 2 milhões de toneladas de produtos que estavam em falta na URSS.

Toda a produção da colhedora de algodão Krasnoyarsk foi exportada. Na época um bom lençol custava 5 rublos, uma folha dupla, 8 rublos. As exportações de pano triplicaram, as de algodão quase quadruplicaram, enquanto as de linho foram multiplicadas por 7.

Estes são números sobre exportações do Estado apenas. Exportações privadas superaram as do governo. Além disso, determinar os números exatos das exportações era impossível. O mesmo jornal "Izvestia" escreveu na época: "O nosso Estado é um dos poucos no mundo que não registra estatísticas aduaneiras."

Qual é o milagre “Balcerowicz” sobre o qual a mídia tanto fala?

Especialistas americanos sugeriram a Balcerowicz (o organizador e inspirador ideológico das reformas econômicas na Polônia) reduzir a produção e o comércio normais ao mesmo tempo que incentivava pequenos negócios.

Isso significava rebaixar a classe trabalhadora e transformá-la numa "nação de vendedores ambulantes." Todos esses indivíduos rebaixados, aos milhões, reuniram-se na URSS, como gafanhotos, e começaram a exportar tudo o que podiam colocar em suas mãos, desde mobiliário importado até pasta de dentes, e às toneladas.

No Congresso de Deputados havia um terrível escândalo e gritarias sobre a falta de pasta de dente para a população soviética. Nunca ocorreu aos representantes do povo questionarem-se sobre as causas que levaram à penúria flagrante de pasta de dente. Eles simplesmente decidiram comprar no exterior US$ 60 milhões de pasta de dente.

Quem ficou rico com esses 60 milhões de dólares?

Na França, de onde foi importado, o tubo de creme dental custava 15 francos, enquanto na URSS era vendido por um rublo. É claro que, em nenhum momento, a pasta de dentes saiu novamente para o exterior. Elas foram enviados para a Polônia em embalagens de 500 tubos (o pacote original da fábrica francesa) e, novamente, sem quaisquer restrições.

Os tubos foram transportados em carros-botas, compartimentos inteiros de trem, ou recipientes nos conveses dos barcos. Assim como as formigas que só deixam o esqueleto do corpo de um leão morto, as "piranhas de Balcerowicz" levaram tudo e deixaram o povo soviético com prateleiras vazias. Não havia um artigo de consumo, de produtos alimentares ou de aparelhos domésticos que não foi exportado.

Ficamos a pensar como é que estes bens haviam desaparecido, pois a indústria, ao longo dos anos, continuou a produzir em toda sua capacidade.

O "Pravda de Leningrado" de 1992

"Na URSS, até 1990-1991, produzimos 38 metros de pano per capita. Isso representava 75% da produção mundial de linho, 16% de lã e 13% de seda. De acordo com dados oficiais do Estado, apenas 50% dos produtos de linho e 42% dos produtos de lã foram exportados. "

Mas estes números não levam em conta as exportações por particulares. Porque, como gafanhotos, eles exportavam tudo o que podiam comprar.

A URSS produziu 21,4% da produção mundial de manteiga (a população soviética era 4,88% da população mundial). A produção de manteiga continuou a aumentar, mas por causa das exportações, os bilhetes de racionamento foram introduzidos. Na União Soviética, a produção de manteiga per capita foi de 26% a mais do que na Grã-Bretanha. Sendo assim, não havia manteiga nas lojas soviéticos, mas era possível comprá-la na Grã-Bretanha, sem qualquer problema. Estranho, não é?

As estatísticas oficiais consideravam como consumida na URSS toda a manteiga e a carne que foram enviados para armazéns que abasteciam as mercearias. Para a compra de manteiga e carne, os passaportes não eram obrigatórios, e conseqüentemente, produtos adquiridos na URSS, ainda que exportados para além de suas fronteiras, foram considerados como contribuindo para o bem-estar do povo soviético. De fato, toneladas de carne e manteiga nem passaram pelas lojas de varejo e foram diretamente para armazéns no exterior por mar (em contêineres), por via terrestre (rodoviário e ferroviário) e via aérea.

Todas as estatísticas demonstram que o insaciável povo soviético devorou tudo sozinho.

No final dos anos 80 e início dos 90, tudo tinha desaparecido. Meias e geladeiras, televisores e chapas, papel e máquinas de lavar! O gafanhoto voardor tinha devorado tudo, as salsichas e os peixes, a semolina e o açúcar. Panelas de alumínio, sopa de tigelas e colheres foram exportados a baixo preço mesmo sendo material muito valioso que tinha passado por fases de produção que exigem uma grande quantidade de energia e polimento. Os insetos e os exportadores de madeira corroeram o outrora poderoso navio que era a economia soviética e a reduziu a pó.

E em 1991, ela entrou em colapso.

Tatiana Yakovleva
Tradução de Glauber Ataide


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