quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O papel das mulheres na defesa de Stalingrado


Em homenagem ao 70º aniversário da vitória do Exército Vermelho na batalha de Stalingrado (02/02/1943)

Trecho das memórias escritas pelo Marechal Vasili I. Tchuikov, comandante do 62º Exército de Stalingrado
Rememorando a batalha às margens do Volga, devo deter-me por um momento numa questão importante, que, na minha opinião, não tem merecido grande atenção na literatura da guerra e que, às vezes, sem razão, é desprezada, nas tentativas de tirar conclusões da nossa experiência nela. Estou pensando no enorme papel desempenhado na guerra pelas mulheres, não somente na retaguarda, mas na linha de frente. Elas suportaram as agruras da vida militar do mesmo modo que os homens e acompanharam os homens até Berlim.
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Houve muitas mulheres na história militar, desde as marketankti dos tempos de Pedro, O Grande e Suvorov até as guerrilhas de 1812, as irmãs de caridade na defesa de Sebastopol e no sítio de Porto Artur, as mulheres da primeira guerra mundial, que recordamos como dedicadas e corajosas patriotas russas. Mas em nenhuma guerra, antes, haviam as mulheres desempenhado papel tão importante como na guerra germano-soviética de 1941/1945.
Embora, no passado, muitas mulheres tenham servido nas forças armadas e na linha de frente por sua própria iniciativa, as mulheres soviéticas partiram para a frente convocadas pelo Partido e pelo Komsomol1, profundamente cônscias dos seus deveres na defesa dos interesses do seu país socialista. Tinham sido preparadas para isso pelo nosso Partido Comunista, porque na ocasião o nosso Estado era o único no mundo em que as mulheres gozavam, de acordo com a Constituição, dos mesmos direitos que os homens.
Há ainda quem provavelmente não compreenda que o fizeram como construtoras do socialismo e defensoras dos interesses dos operários. Eis porque, na guerra contra os invasores nazistas, vimos as mulheres soviéticas servindo como enfermeiras, levando dezenas e centenas de feridos para a retaguarda, como médicas, realizando intervenções cirúrgicas sob ataque aéreo de artilharia, ou como telefonistas e rádio-operadoras, cuidando das conversações operacionais e da administração em batalha. Vimo-las trabalhando nos comandos e nas organizações políticas, onde realizavam trabalhos de administração militar e educavam as tropas no espírito da tenacidade em combate. Quem quer que visitasse a frente veria mulheres agindo como artilheiras em unidades anti-aéreas, como pilotos combatendo contra os ases alemães, como comandantes de barcos blindados, na Frota do Volga, por exemplo, transportando cargas da margem esquerda para a margem direita, ida e volta, em condições incrivelmente difíceis.
Não há exagero em dizer que as mulheres combateram juntamente com os homens, em toda a parte, durante a guerra.
Deve-se também recordar que, na segunda metade de 1942, quando os nossos exércitos se haviam retirado para uma linha que corria por Leningrado, Mozhaysk, Voronezh, Stalingrado e Mozdok, deixando áreas densamente povoadas em mãos inimigas, novos recrutas eram necessários. As mulheres, en masse, se apresentaram voluntárias ao Exército e isto nos tornou possível repor em toda sua eficiência as nossas unidades e estabelecimentos.
Tínhamos unidades inteiras (como as baterias anti-aéreas e os regimentos noturnos de bombardeio PO-2) em que a maioria dos artilheiros e das tripulações era constituída de mulheres. E é de justiça dizer que essas unidades cumpriram as suas tarefas tão bem quanto as unidades em que predominavam os homens. Podemos tomar, por exemplo, dois tipos de trabalho das operações de defesa –a artilharia anti-aérea e as comunicações.
A maioria dos artilheiros no corpo de defesa anti-aérea de Stalingrado, tanto das baterias anti-aéreas como dos holofotes, consistia de mulheres. Mas a eficácia dessas tripulações e baterias não era de modo algum inferior à das unidades anti-aéreas que vimos no Don e em outros pontos da frente, onde a maioria da tripulação era de homens. Em termos de tenacidade e abnegação, na batalha contra os aviões de mergulho alemães as guarnições anti-aéreas femininas às margens do Volga eram modelos de coragem. Elas se agarravam aos seus canhões e continuavam disparando mesmo quando as bombas explodiam à sua volta, quando parecia impossível, não apenas disparar com pontaria certeira, mas até mesmo ficar ao lado dos canhões. Envolvidas em fogo e fumaça, em meio a explosões de bombas, aparentemente sem tomar conhecimento das colunas de terra que saltavam no ar em redor delas, mantinham-se firmes até o fim. As incursões da Luftwaffe2 sobre a cidade, a despeito de pesadas perdas entre as guarnições anti-aéreas, eram sempre recebidas com fogo concentrado, que em regra fazia grande número de baixas entre os aviões atacantes. As nossas artilheiras anti-aéreas derrubaram dezenas de aviões inimigos sobre a cidade em chamas.
As tropas do 62º Exército jamais esquecerão como as artilheiras antiaéreas resistiram na estreita faixa de terra às margens do Volga e combateram os aviões inimigos até o último tiro.
Em outubro de 1942 encontrei uma guarnição que continha cinco moças, muito jovens ainda, mas aguerridas e corajosas. Jamais esquecerei a tristeza que se estampou no rosto de uma moça loura a quem, após disparar contra uma formação de nove aviões inimigos, e derrubar um deles, uma das companheiras disse que, na sua opinião, teria sido possível derrubar dois ou três.
As moças das unidades antiaéreas da cidade não fechavam os olhos ao perigo, não cobriam a cabeça nem corriam para proteger-se, mesmo nos dias em que o inimigo fazia mais de 2000 sortidas aéreas.
Estou certo de que não havia soldado no 62º Exército que tivesse alguma coisa a reprovar a mulheres que, com eles, defendiam a sua terra natal.
As unidades de comunicações do 62º Exército compunham-se principalmente de mulheres, que executavam com dedicação as suas instruções. Se as mandávamos para um posto de comunicações, podíamos estar certos de que as comunicações estavam asseguradas. A artilharia e os morteiros podiam disparar contra o posto, aviões podiam atirar bombas contra ele, as tropas inimigas poderiam cerca-lo –mas, a menos que recebessem ordens de o fazer, as mulheres não abandonavam o seu posto nem mesmo diante da morte.
Conheço o caso de uma moça que ficara num posto de comunicações perto da estação de Basargino –uma jovem chamada Nadya Klimenko. As suas companheiras tinham sido mortas ou feridas, mas ela permaneceu no seu posto e continuou a informar o que estava acontecendo no campo de batalha. Este foi o seu último informe ao centro de comunicações do Exército: “Não há mais ninguém no posto. Estou só. Obuses explodem em redor...À direita posso ver carros, com cruzes pintadas sobre eles, em movimento, com a infantaria atrás...É tarde demais para eu sair. Não me importo que atirem! Continuarei a informar do mesmo modo. Escutem! Um carro se aproxima do meu posto. Dois homens saltam dele...Estão olhando em volta –penso que são oficiais. Vêm na minha direção. O meu coração parou de bater com receio do que possa acontecer...”. Isto foi o fim. Ninguém sabe o que aconteceu a Nadya Klimenko.
(...)
Mulheres_da_infantaria_do_Exrcito_Vermelho_em_treinamento
Muitas vezes lembro as condições em que nossas sinaleiras tinham de viver e trabalhar. Nos combate da cidade ninguém lhes fez abrigos nem trincheiras; elas mesmas, sozinhas, ou em conjunto, cavaram trincheiras e sobre elas puseram uma delgada cobertura de tudo o que puderam conseguir e durante meses sem fim viveram juntas nessas trincheiras. Muitas vezes foram soterradas onde trabalhavam.
Em outubro, quando o inimigo destruiu todos os abrigos do QG, as condições em que as mulheres trabalhavam e viviam na margem direita se tornaram ainda mais difíceis. Trabalhavam em abafados e poeirentos abrigos, repousavam a céu aberto, comiam o que podiam conseguir e durante muitos meses não viam água quente.
Como quer que a vejamos, a vida era dura e difícil para as mulheres na frente. Mas elas não se deixaram vencer pelas dificuldades e executaram as suas tarefas militares com integridade e abnegação.
Na divisão de Batyuk havia uma enfermeira chamada Tamara Shmakova. Eu a conheci pessoalmente. Ela ganhou fama pela sua capacidade de retirar soldados gravemente feridos da linha de frente, quando parecia impossível levantar um dedo, sequer, acima do solo.
Ela rastejava até o ferido, esticava-se ao seu lado e lhe pensava os ferimentos. Tendo-se certificado do seu estado, decidia então o que fazer. Se o soldado estava tão gravemente ferido que não podia continuar no campo de batalha, tomava medidas para evacua-lo imediatamente. Para remover um soldado do campo de batalha normalmente são necessários dois homens, com ou sem padiola. Muitas vezes, porém, Tamara o fazia sozinha. O que fazia era pôr-se embaixo do ferido e arrastar-se de volta, tendo às costas um peso muitas vezes o dobro do seu. Mas, quando o ferido não podia ser levantado, ela abria um tapete, enrolava-o nele e, novamente, rastejando, o trazia a reboque.
Tamara Shmakova salvou muitas vidas. Muitos homens que estão vivos hoje lhe devem a vida. Os soldados salvos da morte muitas vezes nem sequer sabiam o nome da moça que os socorrera. Ela trabalha atualmente como médica, no distrito de Tomsk.
Havia muitas heroínas como Tamara no 62º Exército. Mais de mil mulheres foram condecoradas. Entre estas estavam Maria Ulyanova, que se empenhou na defesa da Casa do Sargento Pavlov do começo ao fim, Valia Pakhomova, que retirou mais de cem feridos do campo de batalha, Nadia Koltsova, duas vezes condecorada com a Bandeira Vermelha, a dra. Maria Velyamidova, que cuidou dos ferimentos de centenas de soldados, sob fogo, nas posições avançadas, e muitas outras. Não terá sido uma heroína Lyuba Nesterenko, que, no prédio sob ataque do tenente Dragan, pensou os ferimentos de centenas de guardas feridos e, sangrando profusamente, morreu com uma bandagem na mão ao lado de um camarada ferido?
Lembro as médicas que trabalhavam nos batalhões de saúde das divisões e nos pontos de evacuação nas margens do Volga; cada qual delas, em cada noite, tratava e pensava os ferimentos de uma centena de soldados. Houve ocasiões em que a equipe médica de algum ponto de evacuação mandava, numa única noite, dois a três mil feridos para o outro lado do Volga. E fizeram tudo isto sob incessante bombardeio e fogo de toda espécie de armas...
Esta era a espécie de mulheres que tinhamos na frente.


1 Juventudes Comunistas da União Soviética. (nota do MEPR).
2 Exército do ar alemão, um dos pilares da doutrina de “guerra relâmpago” hitlerista. (nota do MEPR).

Fonte - MERP

A batalha que salvou a humanidade do nazismo



Em 2013 completam-se 70 anos da vitória soviética na Batalha de Stalingrado com a rendição das hordas de Hitler em 2 de fevereiro de 1943. Foi o inicio da derrocada da ameaça nazista e o triunfo de todos os povos do mundo.
Stalingrado salvou a humanidade da sanha nazi-fascista
Por Max Altman
Por volta de setembro de 1942, a soma das conquistas de Hitler era estarrecedora. O Mediterrâneo havia se tornado praticamente um lago do Eixo, a Alemanha nazista e a Itália fascista dominando a maior parte da costa setentrional, desde a Espanha até a Turquia e a costa meridional da Tunísia até cerca de 100 quilômetros distante do rio Nilo.
As tropas da Wehrmacht mantinham guarda desde o cabo setentrional da Noruega, no Oceano Ártico, até o Egito; da ocidental Brest no Atlântico até a parte sul do rio Volga, às bordas da Ásia Central. Regimes fascistas pré-existentes e governos fantoches faziam o jogo do Reich nazista. França, Holanda, Bélgica, Dinamarca, Áustria, Hungria, Tchecoslováquia, Polônia, os Bálcãs, a Grécia e outras mais já haviam sido engolidas pelasPanzer Divisionen.
Em fins do verão de 1942, Adolf Hitler parecia estar em esplêndida situação. Os submarinos alemães estavam afundando 700.000 toneladas por mês de barcos britânicos e americanos no Atlântico, mais do que se poderia substituir nos estaleiros navais dos Estados Unidos, Canadá e Escócia, então em franco progresso.
As tropas nazistas do 6º Exército do marechal Friedrich von Paulus haviam alcançado o Volga, exatamente ao norte de Stalingrado em 23 de agosto. Dois dias antes, a suástica tinha sido hasteada no monte Elbruz, o ponto mais alto das montanhas do Cáucaso (5.642 metros). Os campos petrolíferos de Maikop, que produziam anualmente 2,5 milhões de toneladas de petróleo, haviam sido conquistados em 8 de agosto.
No dia 25, os blindados do general Kleist chegaram a Mozdok, distante apenas 80 quilômetros do principal centro petrolífero soviético, nas imediações de Grozny e a cerca de 150 quilômetros do mar Cáspio. No dia 31 de agosto, Hitler ordenou que o marechal-de-campo List, comandante dos exércitos do Cáucaso, reunisse todas as forças existentes para o assalto final a Grozny, a fim de se apoderar de todos os ricos campos petrolíferos da região.
Determinou que o 6º Exército e o 4º Exército Panzer se lançassem para o Norte, ao longo do Volga, cercando e sufocando Stalingrado, num vasto movimento envolvente que lhe permitisse avançar de leste e de oeste contra o centro da Rússia, tomando, finalmente, Moscou. Ao almirante Raeder, no final de agosto, Hitler dizia que a União Soviética "era um 'lebensraum' (espaço vital), à prova de bloqueio" o que lhe ensejava voltar-se para os ingleses e americanos que "seriam obrigados a discutir os termos da paz".
Com essas conquistas vitais o "Reich de mil anos" estaria garantindo sua subsistência e permanência: as vastas estepes da Ucrânia, ubérrimas, a fazer brotar um infindável celeiro dourado de trigais; os abundantes campos de ouro negro a besuntar de energia a máquina bélica e industrial alemã.
As imagens mais longínquas de minha meninice datam dessa época. Registram meu pai, cercado de amigos, debruçados sobre um mapa da Europa estendido sobre a mesa, lupa em punho, rádio em ondas curtas. Esta mesma cena provavelmente estaria se repetindo em milhões de outros lares pelo mundo afora. Anos mais tarde, meu pai, um jovem revolucionário imbuído de ideais socialistas, que no começo dos anos 1930 tinha abandonado a Polônia de governo pró-nazi e anti-semita para vir ao Brasil, relatava a agonia e o horror com que acompanhavam a expansão irrefreável do império nazista.
Quando os cabogramas anunciaram que a infantaria alemã havia atravessado o Don silencioso em direção aStalingrado, o assombro se instalou. E se a Alemanha nazista derrotasse a União Soviética?
A ideologia da supremacia racial ariana de Hitler se abateria sobre grande parte do mundo. Negros, eslavos, indígenas, árabes, mestiços, mulatos, amarelos, sub-raças e escória social, trabalhariam sob o tacão de ferro do nazismo, como semi-escravos, para a glória da raça superior. Povos inteiros, judeus, ciganos, seriam aniquilados em nome da limpeza étnica. Comunistas, socialistas e liberais seriam confinados em campos de concentração e de lá não sairiam vivos. O colonialismo na África e Ásia ganharia alento. As liberdades seriam espezinhadas e governos lacaios em todos os quadrantes se encarregariam de organizar gestapos em cujos porões um elenco monstruoso de torturas ao som da Deutschland Über Alles seria levado a cabo contra os inimigos do regime. As conquistas sociais dos trabalhadores estariam esmagadas. O progresso, as artes, as ciências sofreriam abalo.
Além do que, Werner von Braun e seus assistentes em Penemunde estariam aperfeiçoando as mortíferas bombas voadoras de longo alcance com ogivas nucleares e outras máquinas bélicas de alta tecnologia a pender como espada de Dâmocles sobre qualquer país que ousasse desafiar o Reich alemão. E se alguma nação pretendesse enfrentar os interesses do Grande Império Germânico novas ondas de panzers ou de bombas V1 e V2 desencadeariam ‘blitzkriegs’ preventivas para aniquilar pelo terror qualquer tentativa.
Quando o jovem general Konstantin Rokossovsky, levando a cabo as instruções táticas da Operação Uranusordenadas diretamente de Moscou e arquitetadas pelos generais Alexander Vasilievsky e Vasily Volsky, conseguiu romper, em 19 de novembro, o anel de aço que cercava Stalingrado, a esperança reacendeu. No entanto, a cidade estava sitiada, os seguidos bombardeios da Luftwaffe haviam-na reduzido a escombros. Dia após dia o cerco se apertava e em fins de novembro a zona urbana era invadida. Veio a ordem terminante: defender a todo custo as fábricas Outubro Vermelho e Barricadas que produziam os carros de assalto, a Fábrica de Tratores que construía os blindados T-34 e a estação ferroviária central onde as matérias primas eram desembarcadas.
Iniciou-se então a mais feroz, a mais encarniçada, a mais renhida e sangrenta, a mais dramática das batalhas militares que a História da humanidade conheceu. O terreno coberto de destroços impedia qualquer ação de blindados, a proximidade dos contendores tornava impraticável a cobertura aérea. Só restava calar baionetas e passar a travar a luta casa a casa, corpo a corpo, em cada centímetro de chão. Para ilustrar a tenacidade com que se combatia, basta lembrar que a plataforma semidestruída da estação de trens mudou de mãos sete vezes num único dia. Os operários da Outubro Vermelho empunharam armas e estabeleceram uma muralha de fogo em torno da fábrica. Jamais se havia visto tantas cenas de heroísmo, bravura e coragem, de lado a lado, naquele cenário lúgubre das ruínas da cidade. Nunca antes soldados haviam lutado com tanto denodo para conquistar e defender.
Em 30 de janeiro de 1943, décimo aniversário da subida de Hitler ao poder, o führer fazia uma solene proclamação pelo rádio: "Daqui a mil anos os alemães falarão sobre a Batalha de Stalingrado com reverência e respeito, e se lembrarão que a despeito de tudo, a vitória final da Alemanha foi ali decidida". Três dias depois, em 2 de fevereiro, o marechal-de-campo Von Paulus assinava diante do general Vassili Chuikov, comandante das tropas do Exército Vermelho em Stalingrado, a rendição do 6º Exército alemão. A transmissão da capitulação foi feita em Berlim, através da rádio alemã, pelo general Zeitzler, chefe do Alto Comando daWehrmacht (OKW) precedida do rufar abafado de tambores e da execução do segundo movimento da Quinta Sinfonia de Beethoven.
A maior e a mais épica das batalhas da 2ª Guerra Mundial que tivera início em 26 de junho havia chegado ao fim. Foram feitos prisioneiros pelos soviéticos 94.500 soldados alemães dos quais 2.500 oficiais, 24 generais e o próprio marechal Von Paulus. Mortos cerca de 140.000 soldados da Wehrmacht e 200.000 homens do Exército Vermelho. Os soviéticos tomaram do exército inimigo 60.000 veículos, 1.500 blindados e 6.000 canhões. A espinha dorsal do exército nazista e do Terceiro Reich estava irremediavelmente quebrada.
Os mesmos milhões de lares que tinham vivido momentos de apreensão e pavor explodiram de emoção. Hitler havia mordido o pó da derrota. Corações e mentes voltaram-se para glorificar os heróis combatentes do Exército Vermelho e honrar os que tombaram no campo de batalha pela liberdade. A admiração pela extraordinária façanha impunha a pergunta: o que levou aquele contingente de centenas de milhares de jovens a lutar com tal fúria e obstinação?
Certamente o apelo da Grande Guerra Patriótica, livrar o solo pátrio do invasor. Havia mais. A leitura das lancinantes cartas aos familiares escritas no front deixava evidente a determinação de defender as conquistas da Revolução de Outubro por cuja consolidação seus pais, 25 anos antes, haviam derramado sangue enfrentando e derrotando o exército branco e tropas invasoras de catorze países mobilizados para sufocar no nascedouro a revolução bolchevique.
A partir daí o Exército Vermelho arrancou impetuoso rumo a capital do Reich nazista, abrindo em sua passagem os portões macabros de Auschwitz-Birkenau. As tropas anglo-americanas desembarcam na Normandia em 6 de junho de 1944. No dia 2 de maio de 1945, soldados do destacamento avançado do general Ivan Koniev hasteiam a bandeira soviética no mastro principal do Reichstag.
Cinco dias depois, numa pequena escola de tijolos vermelhos em Reims, França, na madrugada de 8 de maio de 1945, o almirante Friedeburg e o general Jodl assinam, em nome do que restou da máquina de guerra nazista, diante do general Ivan Susloparov pela União Soviética, e do general Walter Bedell Smith pelos aliados, a rendição incondicional.
Os canhões cessaram de troar e as bombas deixaram de cair. Um estranho silêncio pairou sobre o continente europeu pela primeira vez desde 1º de setembro de 1939. O mundo estava livre da sanha nazi-fascista.

Fonte - PCB

domingo, 3 de fevereiro de 2013

DEPUTADOS PERMITEM VOLGOGRADO SER CHAMADA DE STALINGRADO



Os deputados da Duma Municipal da cidade de Volgogrado aprovaram o projeto de lei que permite a utilização do antigo nome da cidade, Stalingrado, nas comemorações das suas datas históricas.
Dessa forma, Volgogrado será chamada de cidade-heróica de Stalingrado por ocasião das celebrações das seguintes seis datas: 2 de fevereiro, Dia do fim da Batalha de Stalingrado na II Guerra Mundial; 9 de maio, Dia da Vitória soviética sobre as forças nazistas pondo fim à II Guerra; 22 de junho, Dia do Pesar ou início da participação da União Soviética na Grande Guerra Patriótica ou II Guerra Mundial como reação ao ataque nazista; 23 de agosto, Dia da Homenagem Póstuma às Vítimas do Bombardeio de Stalingrado pelos nazistas; 2 de setembro, Dia do encerramento efetivo da II Guerra Mundial após a capitulação do Japão perante a Marinha soviética; e 19 de novembro, Dia do Início da derrota dos invasores alemães em Stalingrado.
A cidade de Volgogrado se chamou Stalingrado entre os anos de 1925 e 1961.

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Intelectual da Ucrânia fala sobre as "repressões de Stalin"  ¡Stalin de acero, conciencia del obrero! O nome da Rússia: Stalin, por Valentin Varennikov 

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