quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Ficção e História em A Revolução dos Bichos


FICÇÃO E HISTÓRIA EM A REVOLUÇÃO DOS BICHOS




Valdirene Leite[1]




RESUMO






Nesse texto buscamos um outro olhar não-convencional, sobre o texto A Revolução dos Bichos. Partimos do pressuposto de que George Orwell não apresenta uma narrativa objetiva sobre a União Soviética ao utilizar essa narrativa histórica como base para sua fábula. Nossa hipótese é que a fábula é trotsquista e anticomunista. E assim ela foi utilizada durante a Guerra Fria. Apesar disso, mesmo a esquerda continua a prestigiar o texto e não o aborda em termos mais críticos. Ao analisar que narrativa histórica é essa que Revolução dos Bichos aborda, notamos que é preciso repensar o seu uso em sala de aula, utilizando uma bibliografia a respeito da União Soviética e buscando ser mais objetivo, em especial sobre as dicotomias pobres entre Trotsky e Stálin que o texto A Revolução dos Bichos traz.


  


Palavras-chave: Orwell, Revolução dos Bichos, história, União Soviética, ficção, fábula


  


1 INTRODUÇÃO


            O livro A Revolução dos Bichos, de autoria de Eric Arthur Blair (mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell) (1903-1950), apresenta, através de uma fábula onde os animais falam, uma crítica política totalizante a respeito da revolução russa, supomos, desde 1917 até 1943. O texto, publicado em 1945 no Reino Unido sob o nome de Animal Farm, foca principalmente o governo de Stálin, adotando a hipótese (de origem trotsquista) de que foi durante esse governo que a revolução se perverteu e se burocratizou.


            Nossa hipótese é que a fábula de Orwell apresenta as posições antissoviéticas de Trotsky de forma ilustrada (e vai mais além). Por exemplo: a coletivização de 1933-34 é representa pela situação do moinho de vento. O entusiamo de Bola de Neve pela construção do moinho de vento e a oposição de Napoleão representaria a situação e a discussão na União Soviética na altura de 1926, quando os trotsquistas propuseram a coletivização e ela foi rejeitada.


            Assim, esse artigo buscará lançar um outro olhar sobre a obra de Orwell, considerando que o objetivo de Revolução dos Bichos, de George Orwell, foi traçar paralelos entre o governo do porco Napoleão e o de Stálin, na União Soviética. O objetivo aqui será entender e criticar esses paralelos, assim como entender quais eram, historicamente, as posições de Trotsky e de Stálin, representadas, na fábula, por Bola de Neve e Napoleão, respectivamente. A contraposição entre os dois será objeto de debate nesse artigo. O livro não é isento: tende a defender Bola de Neve, que era Trotsky. Pesquisando sobre história e ligando aos acontecimentos do livro, pode-se dizer que Bola de Neve é Trotsky, Napoleão é Stálin, o animalismo é o comunismo.



 2 Ficção e história em A Revolução dos Bichos



A hipótese a ser articulada nesse artigo é de que Revolução dos Bichos não é uma alegoria neutra do autoritarismo e sim uma ficção carrega de uma ideologia partidária, ou seja, o narrador onisciente toma partido deliberadamente das explicações históricas de Trotsky sobre a revolução russa. Atualmente, essas explicações históricas são totalmente hegemônicas no Ocidente e formam o chamado paradigma histórico da Guerra Fria. Somente agora, nos anos 2000, esse paradigma está sendo questionado por historiadores norte-americanos como John Arch Getty, Mark Tauger e Grover Furr, e outros russos como Yuri Zhukov, assim como ingleses, como Harpal Brar, dentre outros. Como o artigo é sobre literatura, nos concentramos em recontar a história sem citar exaustivamente esses historiadores e autores, cujas obras estão disponíveis na bibliografia (BAR, 1998, p. 12).


Essa pesquisa permite articular história e literatura e fazer uma leitura, sob um novo olhar, da narrativa de Orwell, uma vez que ela está profundamente atrelada a uma determinada versão da história. Optou-se, nesse trabalho, por lançar um outro olhar, vendo essa narrativa de acordo com outra hipótese sobre a história: a hipótese da vertente maoísta do marxismo-leninismo. Segundo essa vertente, a negação do marxismo-leninismo não ocorreu em 1929 (ou seja, não ocorreu com Stálin) e sim em 1956 (ao tempo de Kruschev). A comparação entre as figuras históricas e os personagens foi a seguinte, segundo Olgário Vogt:




O animalismo O socialismo ou o comunismo


O Solar dos Bichos União Soviética


O canto Bichos da Inglaterra A Internacional Socialista


Os porcos A burocracia soviética


Os homens A burguesia


Os animais O proletariado


Sr. Jones O Czar Nicolau II


O Velho Major Marx10


Napoleão Stálin


Bola de Neve (Snowball) Trotsky


As ovelhas A massa alienada


Os cachorros A polícia política (KGB)


Sansão (Boxer) O trabalhador iludido


O corvo Moisés A Igreja Ortodoxa


O porco Garganta (Squealer) A propaganda


A bandeira verde com o chifre e o


casco


A bandeira soviética com a foice


e o martelo (VOGT, 2007, p. 4).




Em Revolução dos Bichos, a narrativa histórica de Trotsky sobre os acontecimentos é uma constante em todo o livro. O processo opera do seguinte modo: a coletivização, por exemplo, é apresentada como sendo a passagem que se refere ao moinho de vento na Fazenda Animal. A divergência entre Bola de Neve e Napoleão representa a forma como a coletivização foi motivo de polêmica entre o grupo de Trotsky e o de Stálin. Tal passagem é comentada nos seguintes termos em A Revolução dos Bichos:




Bola de Neve estudara atentamente alguns números atrasados da revista O Agricultor e o Criador de Gado, encontrados na casa grande, e andava com a cabeça cheia de planos de invenções e melhoramentos (...). Napoleão não fazia projetos próprios, apenas dizia com toda calma que os de Bola de Neve não dariam em nada e parecia aguardar sua vez. De todas as divergências, nenhuma foi tão grave quanto a do moinho de vento (ORWELL, 2007, p. 43).




A narrativa histórica aqui visada é a coletivização da agricultura russa nos anos 30. O problema era o seguinte: embora depois da revolução russa houvesse o fim do latifúndio, continuaram existindo uma classe de fazendeiros ricos (os kulaks) e pequenos proprietários empobrecidos. A solução sugerida por Lênin era a criação de fazendas de produção coletiva. A partir da recusa dos kulaks em vender grãos ao governo soviético, a coletivização começou, em 1926, ainda incipiente.


No entanto, de forma inconseqüente os trotsquistas sugeriram que a coletivização fosse adotada rapidamente. O verdadeiro objetivo da oposição de esquerda era infringir uma derrota ao poder soviético; a coletivização naquelas circunstâncias, quando ainda estava apenas em seu início, provocaria novos e mais violentos boicotes por parte doskulaks e poderia ser derrotada por eles, pois provocaria desabastecimento e fome. A idéia foi recusada, mas entre 1933-34, depois de uma grande fome na Ucrânia, quando a coletivização já estava adiantada, ela foi posta em prática. Os fazendeiros ricos foram, então, derrotados. A forma como a história aparece em A Revolução dos Bichos dá a entender que Stálin (“Napoleão”) era uma criatura maldosa que apenas roubou as ideias de Trotsky (“Bola de Neve”). As seguintes palavras serviram para finalizar a questão do moinho de vento (que refigura o fato histórico da coletivização):




Garganta explicou aos outros bichos, em particular, que Napoleão nunca fora contra a construção do moinho de vento (...). Aí estava a esperteza do camarada Napoleão (...). Ele fingira ser contra o moinho de vento, apenas como manobra para livrar-se de Bola de Neve, que era um péssimo caráter e uma influência perniciosa (ORWELL, 2007, p. 51).




            Assim, uma versão histórica do livro de Orwell que oculta que os trotsquistas, em 1926, quiseram colocar, prematuramente, o poder soviético contra os kulaks, o que causaria sua derrota. A conclusão que se tira é exatamente a contrária: a coletivização foi uma idéia de Trotsky roubada por Stálin. Outro indício da tomada de partido é como a polêmica entre a revolução permanente (Trotsky) e a revolução em um só país (Lênin e Stálin) é apresentada:




Além da disputa sobre o moinho de vento, havia o problema da defesa da granja. Eles bem que sabiam que (...) segundo Napoleão, o que os animais deveriam fazer era conseguir armas de fogo e instruir-se em seu emprego. Bola de Neve achava que deveriam enviar mais e mais pombos e provocar a rebelião entre os bichos das outras granjas(ORWELL, 2007, p. 45).




Acima, a controvérsia entre a revolução permanente e a revolução em um só país é apenas esboçada de forma pouco compreensível. A revolução em um só país foi teorizada por Lênin como conseqüência do próprio capitalismo (a chamada lei do desenvolvimento desigual), afirmando que dificilmente o socialismo venceria em vários países ao mesmo tempo e que era necessário construir o socialismo assim mesmo, mas sem deixar de ajudar a desenvolver o socialismo nas demais nações. Já Trotsky retomava, a propósito da revolução permanente, idéias que ele já apresentara em 1906, quando estava no partido menchevique em oposição a Lênin e aos bolcheviques. Ele condicionava a vitória da revolução na Rússia à vitória da revolução na Europa.


Pode-se dizer que o dilema proposto por Trotsky era aventuras militares ou derrotismo: a Rússia deveria mandar tropas para a Alemanha, ou seja, exportar a revolução ou retornar ao que havia antes de outubro de 1917, entregando o país a um regime burguês. Essa visão foi chamada de bonapartista em seu tempo e rejeitada pela maioria do partido. Não obstante, Trotsky passou a chamar Stálin e seu grupo de bonapartista e fazer uma campanha cada vez mais furiosa contra o poder soviético, culminando em sua expulsão do partido e do país em 1929.


E assim a narrativa prossegue: o papel de Bola de Neve na batalha do Estábulo é a discussão sobre o papel de Trotsky na revolução russa (Krupskaia e Stálin acreditavam que John Reed, autor de Dez Dias que Abalaram o Mundo, exagerou ao dar um papel preponderante a Trotsky). Trotsky aceitou a revolução russa de outubro como condição de que ela fosse o estopim da revolução européia.


            O episódio da fome na Granja dos Bichos é outro exemplo de apresentação da história da revolução russa, e, em especial do período de Stálin, sob a mesma luz. Possivelmente o episódio simboliza a grande fome na Ucrânia entre os anos 1932-33, causada por fatores climáticos naturais e que tornou necessária a coletivização, privilegiando os camponeses pobres em detrimento dos kulaks. Esse episódio da fome é descrito nos seguintes termos na fábula de moral antisstalinista:




Napoleão bem sabia dos maus resultados que poderiam advir, caso a verdadeira situação alimentar da granja fosse conhecida, e resolveu utilizar o Sr. Whymper para divulgar uma impressão contrária(ORWELL, 2007, p. 64).




            O que ocorreu não foi uma tentativa do governo da URSS de esconder o fato da fome e sim a ampla divulgação da fome por nazistas alemães e reacionários da Polônia e da própria Ucrânia como sendo causada intencionalmente pelo governo da União Soviética como forma de exterminar o povo ucraniano, o chamado “holodomor” (em ucraniano, morte por fome). O pesquisador e historiador Mark Tauger, de West Virginia, estudou recentemente a questão e concluiu que a fome não foi causada pelo governo e sim por fatores naturais. Antes da coletivização, sucediam-se ondas de fome em razão das más colheitas na Ucrânia. Tal fato, no entanto, foi abundantemente usado para fazer propaganda antissoviética. Mais adiante, surge, na Revolução dos Bichos, uma passagem que se referem às conspirações zinovievistas-trotsquistas:




Subitamente, descobriu-se um fato alarmante. Bola de Neve estava freqüentando a granja à noite, em segredo ! (...). Napoleão decretou uma ampla investigação sobre as atividades de Bola de Neve. Com seus cachorros na atitude de alerta, saiu e fez uma cuidadosa inspeção nos galpões da fazenda, com os outros animais a segui-lo a uma distância respeitosa. (...). Bola de Neve vendeu-se a Frederick, da Granja Pinch Field, que neste mesmo instante está planejando atacar-nos e tomar nossa granja! (...) Foi o tempo todo, agente de Jones!(ORWELL, 2007, p. 69).




O texto acima só pode ser corretamente entendido se for apresentada a narrativa histórica do período do governo de Stálin ao qual essa passagem se refere: embora Trotsky tivesse se exilado do País, ainda tinha grupos fiéis a ele na União Soviética, assim como, desde 1932, ele havia formado um bloco junto com Zinoviev, Kamenev e Bukharin. Começaram a acontecer inúmeros atentados e sabotagens pelo país, causando muitas mortes, entre as quais a do prefeito de Leningrado, segundo na hierarquia soviética. A partir de um esforço de investigação, chegou-se ao grupo de Trotsky, Zinoviev e Bukharin, que ainda tinha muitos integrantes em altos escalões do Estado. Os acusados foram processados nos famosos Julgamentos de Moscou, julgamentos abertos à imprensa internacional e muitos, como Bukharin, foram fuzilados, outros, como Radek, foram condenados à prisão.


De acordo com o historiador norte-americano John Arch Getty, os expurgos que produziram os famosos Julgamentos de Moscou foram mais para poder organizar um sistema de poder que era caótico do que um exemplo de totalitarismo, de acordo com textos como Origens dos Grandes Expurgos (livro inédito em português), do historiador norte-americano Arch Getty. De acordo com esse historiador, até essa época, se alguém era expulso do partido, bastava uma autocrítica verbal para poder voltar. Não foram apresentados, até hoje, documentos comprovando a tortura dos acusados e as falsificações dos chamados Julgamentos de Moscou. E existem, pelo contrário, evidências demonstrando que os julgamentos foram justos. Comentou o historiador Grover Furr (também inédito em português), de Montclair State University (New Jersey) a respeito desse assunto:




Durante a última década, muita evidência documental emergiu dos arquivos formais soviéticos para contradizer o ponto de vista canônico desde o tempo de Kruschev de que os réus, nos Processos de Moscou e na conspiração militar do “Caso Tukachevsky”, foram vítimas inocentes forçadas a fazer confissões falsas. Nós publicamos e escrevemos um grande número de trabalhos ou, ao pesquisar para publicar, podemos dizer que agora temos forte evidência de que as confissões não eram falsas e que os réus dos Processos de Moscou pareciam ter sido verdadeiros em confessar as conspirações contra o governo soviético (FURR, 2010, p. 7).




Portanto, a narrativa histórica que Revolução dos Bichos supõe não é a mesma que todos os historiadores registram, ou não é neutra como muitos imaginam. Dentre as revelações nos julgamentos, ficou esclarecido que desde 1925 já existiam contatos entre Trotsky e Von Seekt (representante do estado maior da Alemanha); os contatos prosseguiraam e se tornavam mais intensos quando da subida do nazismo ao poder. Hitler às claras anunciou seu ódio ao bolchevismo e a necessidade que o povo alemão tinha de invadir a Ucrânia para conquistar “espaço vital”.


            Jamais foi dito, portanto, que o papel de Trotsky foi negado. Ele foi é objeto de denúncias e revelações. As conspirações, em A Revolução dos Bichos, são tidas como falsas, ou seja, são mostradas como provocações criadas por Napoleão para que ele pudesse conquistar o poder através do terror. Tal constatação pode ser lida no fragmento a seguir:




--Alerto a todos os animais desta fazenda para que mantenham os olhos bem abertos. Temos motivos para pensar que alguns agentes secretos de Bola de Neve estão ocultos entre nós neste momento(ORWELL, 2000, p. 71).




            A partir daí são descritas imagens de execuções que seriam, no entanto, imotivadas e sem nenhum sentido a não ser perverterem os ideais e a utopia, reforçando a autoridade tirânica de Napoleão (“Stálin”). Pela natureza da relação entre os porcos e Napoleão, pode-se dizer que eles representam Bukharin, Zinoviev e Kamenev:




[Os animais]eram os mesmos que haviam protestado quando Napoleão abolira as reuniões dominicais. Sem mais demora, confessaram ter realizado contatos secretos com Bola-de-Neve desde o dia de sua expulsão e haver colaborado com ele na destruição do moinho de vento (...). Ao fim da confissão, os cachorros estraçalharam-lhes as gargantas e Napoleão, com voz terrível, perguntou se algum outro animal tinha qualquer coisa a confessar. As três galinhas que haviam liderado a tentativa de reação sobre os ovos aproximaram-se e declararam que Bola-de-Neve lhes aparecera em sonho, instigando-as a desobedecer às ordens de Napoleão. Também foram degoladas (...). E assim prosseguiu a sesão de confissões e execuções, até haver um montão de cadáveres aos pés de Napoleão e um pesado cheiro de sangue no ar, coisa que não sucedia desde a expulsão de Jones(ORWELL, 2007, p. 73).




Assim, reforça-se a tese de que o marxismo-leninismo é idealismo ingênuo e que, quando praticado, leva a uma terrível tirania. Acima, pode-se notar a leitura dos expurgos dos anos 30 e dos Julgamentos de Moscou como o fuzilamento dos verdadeiros revolucionários.


            A teoria que Orwell apresenta, resumidamente ao final do texto, é que as teses stalinistas destruíram as idéias de Marx. Essa mensagem é comentada quando a narrativa trata das distorções nos pensamentos do personagem Major. O cavalo Sansão, por exemplo, pode ser associado ao Bukhárin, ou seja, era um velho companheiro de Stálin. Por fim, o fato final é a Conferência de Teerã, onde debatiam Roosevelt, Churchill e Stálin. A narrativa de Orwell iguala soviéticos e as potências capitalistas nessa conferência. No entanto, nessa época o nazismo ainda não tinha sido vencido. Parece-nos, inclusive, que mesmo que o nazismo esteja representado nessa fábula por Frederik, da Granja Pich Field, pode-se dizer que faltou a Orwell uma melhor compreensão da ameaça que representava o nazismo, em sua pressa de criticar a União Soviética.


            Na Inglaterra atual, assim como no Brasil, é muito comum a presença da obra de George Orwell nas escolas, onde ele é elogiado como um gênio literário, assim como é celebrado como um escritor na linhagem de Swift e outros. A fábula costuma ser lida como sobre “o totalitarismo em geral”.


No entanto, estudos como os de Stephen Spender e Jodi Bar analisam que aquilo que é de fato avaliado em provas (quando o livro é cobrado na Inglaterra) é a habilidade de regurgitar clichês da Guerra Fria. Para que a narrativa de A Revolução dos Bichosfuncione, é preciso concordar com a assertiva de que, embora os governantes de hoje sejam ruins, expulse-os e teremos uma nova tirania ainda pior. Esse é, de fato, o pressuposto desse texto. Embora hoje seja tido como crítica ao totalitarismo em geral, o texto de fato tem sido utilizado como propaganda contra Stálin e a União Soviética. Um leitor, ao ler Revolução dos Bichos, passa a pontificar a respeito da história da União Soviética, embora na prática não esteja tendo acesso a uma versão preocupada com a realidade objetiva. Na prática, está apenas repetindo a versão de Trotsky dos acontecimentos da revolução de outubro e do período de Stálin (mas sem saber que a narrativa é partidária). E a versão de Trotsky é a adotada, em geral com ainda mais exageros negativos, pelo chamado paradigma histórico da Guerra Fria, ou seja, o paradigma adotado pelas universidades norte-americanas nos anos 40 e 50, tendo em vista combater ideologicamente os seus inimigos no campo das democracias populares e socialistas.


            E porque o texto seria ainda tão popular e tão recomendado, se a Guerra Fria, na qual ele foi largamente incentivado, tendo sido até objeto de uma adaptação para desenho animado patrocinada pela CIA, terminou em 1989? O fato é que o comunismo ainda é uma ameaça para a sociedade burguesa, com ou sem Guerra Fria. É preciso refutar as calúnias nos livros de Orwell e orientar a juventude a buscar uma visão mais objetiva, distante dos clichês da Guerra Fria, a respeito do que se passou na União Soviética.




3 REVOLUÇÃO NA REVOLUÇÃO DOS BICHOS


            Os textos que foi possível encontrar na bibliografia brasileira respeito de ARevolução dos Bichos (Teoria e suas implicações: compreensão da utilização doAnimalismo na Revolução dos Bichos e do marxismo na URSS de Stálin, de autoria de Felipe Fontana, Olgário Vogt) não buscam questionar o paradigma histórico da Guerra Fria, pelo contrário, o confirmam e o acentuam. Em geral, o tom de celebração em torno de Orwell, o mito, é geral. Fontana se baseia em Marilena Chauí, Simone Weil e José Paulo Netto (Chauí e Netto tendem bastante ao trotsquismo) para concluir que o marxismo, no Leste Europeu, tornou-se uma ideologia (no sentido de produzir falsa consciência). Tanto Fontana quanto Vogt não buscam novas pesquisas históricas nem suspeitam da mensagem claramente partidária que é transmitida em Revolução dos Bichos.


Olgário Vogt vai no mesmo sentido, supondo que Orwell está criticando “o totalitarismo em geral”. Mais precavido do que Fontana, diante das evidências do uso da obra de Orwell na Guerra Fria, Olgário insiste em afirma que Orwell era um esquerdista e o defende, afirmando que ele desejava um socialismo “independente”.


Orwell é apresentado, nos livros didáticos ingleses, como um “herói”, um jornalista “independente”, “objetivo”, “imparcial”, assim como é visto como exemplo de intelectual engajado em causas sociais. Nos últimos anos, no entanto, têm sido fortes os questionamentos acadêmicos a respeito do antissemitismo, homofobia e racismo presentes em seu texto. Como escreve a respeito Alberto Escusa:




De todos os traços que tinha Orwell, teria que acrescentar alguns que não se comentam e que tiveram grande peso em suas atitudes políticas, como sua fobia contra os homossexuais, seu extremo conservadorismo e seu racismo escondido. Toda a combinação de experiências vividas e concepções sociais nebulosas e abstratas, junto de suas fobias, foram levando rapidamente Orwell a posições marcadamente direitistas, ainda que seguisse formalmente sendo um escritor esquerdista. Um dos traços mais desconhecidos do escritor foram suas manias de perseguição. Segundo Isaac Deutscher, que o conheceu pessoalmente, Orwell vivia em um estado de angústia (...). Essa atitude, junto de sua capacidade de perceber a maneira científica e realista das questões sociais e políticas, o empurraram a converter-se em um colaborador direto do imperialismo inglês. Até o final de sua vida, em 1949, decidiu colaborar com pleno conhecimento de causa com os serviços britânicos de inteligência, o Foreign Office, ou concretamente com o departamento de investigação de informação (IRD) ao qual lhe entregou uma lista de 135 pessoas suspeitas de serem simpatizantes ou companheiros de viagem dos comunistas. Nesta lista, ao lado de nome anotou os principais defeitos de cada um, revelando a natureza racista e homofóbica de Orwell, que tinha interesse em mostrar traços pessoais dos acusados (ESCUSA, 2012, p. 22).




O antiimperialismo de Orwell, que sempre os comentadores afirmam que teria advindo de suas experiências como policial na Birmânia, também tem sido posto em questão. Outros elementos de sua trajetória têm sido desmistificados: de origem na classe média alta, Orwell tinha uma arrogância típica das classes superiores inglesas; rejeitava o socialismo realmente existente, mas propondo em seu lugar um “socialismo” vago, que se confundia com desapego cristão. Ele também pregava contra os “marxistas dogmáticos”, no sentido de valorizar a classe média e considerá-la parte dos proletários, assim como propunha o resgate do heroísmo físico, o cavalheirismo, dentre outros valores que ele julgava que estavam sendo esquecidos pelos intelectuais (e que também se aproximam dos valores da classe média inglesa de onde ele se originou). Para escrever seus livros, passou algum tempo, embora bastante rápido, entre os pobres em Paris e Londres, assim como foi, de passagem, às regiões do Norte da Inglaterra. Sobre os pobres tirava conclusões dizendo que sua grande diferença era o “odor”.


Orwell foi à Espanha como jornalista e participante do pequeno grupo de linha trotsquista POUM. No entanto, seu conhecimento da situação política na Espanha era pequeno e seu principal foco era fazer um livro. Orwell colaborou, com o livroHomenagem à Catalunha, para fortalecer a versão dos anarquistas e dos trotsquistas de que a União Soviética e a Frente Popular foram os responsáveis pela derrota da República na guerra civil. O título do livro celebra um levante de anarquistas e trotsquistas contra a frente popular que, na época, foi considerado uma punhalada pelas costas que favoreceu a Franco e a Hitler.


Assim como em A Revolução dos Bichos, Orwell tomou partido pelo trotsquismo Acontece que o trotsquismo é a base de boa parte do anticomunismo ocidental e dos ataques feitos à URSS durante a Guerra Fria.


            Outro ponto que tem sido ressaltado são os conteúdos anticomunistas presentes na obra, principalmente em seus últimos anos de vida, em plena Guerra Fria. Surgiu a denúncia de que Orwell trabalhou, durante a II Guerra, como informante do estado inglês, fazendo listas de artistas que simpatizavam e militavam a favor do comunismo. O ensinamento que fica ao final da leitura de A Revolução dos Bichos é que os homens não são melhores do que os animais. A “natureza humana” decide tudo.


Os valores afirmados em um texto devem ser buscados a partir dos valores afirmados ao seu final. Deve-se, então, analisar a cena final, que se refere à conferência de Teerã, representa o momento em que se reuniram Roosevelt, Churchill e Stálin:




Se vossas senhorias têm problemas com vossos animais inferiores, nós os temos com as nossas classes inferiores (...). Doze vozes gritavam, cheia de ódio, e eram todas iguais. Não havia dúvidas, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco (ORWELL, 2007, p. 118).




            Orwell age como se estivesse criticando uma esquerda oficial apoiada pela União Soviética e que, junto aos capitalistas e igual a eles, estivesse repartindo o mundo. No entanto, qual era o contexto histórico no ano de 1943 em que Orwell terminou Revolução dos Bichos e tentou publicar esse escrito antissoviético? Os nazistas haviam invadido a União Soviética e matado milhões de russos, arrasando o país. Já havia acontecido a maior batalha da guerra, Stalingrado, mas não se sabia quem venceria o conflito, se a Alemanha nazista ou os soviéticos. Mas o que queria Orwell com seu Revolução dos Bichos? Ele ambicionava acabar com o “mito” da União Soviética como Estado socialista. Mas a quem beneficiava, em 1943, essa postura de Orwell? É curioso como se esquece tão facilmente no Ocidente como a vitória foi obtida com enormes sacrifícios pelo povo soviético e pelo exército vermelho.


            Se em 1943 ainda havia atitudes reticentes quanto à posição de Orwell, a ofensiva contra o socialismo em 1945 as desfez e o mundo ocidental passou a ter uma postura favorável com relação a ele, chegando até ao ponto de mistificá-lo. Os espiões de guerra nazistas foram aproveitados por serviços de guerra norte-americanos, como por exemplo, o general alemão das SS Reinhard Genhlen, cuja rede de espionagem passou inteiramente aos norte-americanos e passou a agir no Leste da Europa. Essa rede foi uma das responsáveis pela rebelião antissoviética em Berlim em 1953 e na Hungria em 1956.


            Em A Revolução dos Bichos, o porco Napoleão é caracterizado como grande, feio, com expressão agressiva e descrito como tirânico, rude, hipócrita, vaidoso, ou seja, (“Stálin”). Bola de Neve é mostrado como jovem, bonito, com expressão inteligente e os seguintes atributos: articulado, inovador, brihante, estrategista, modernizador, idealista (“Trotsky”). Não seria a hora de questionar esse tipo de dicotomia pobre que termina sendo passado como aula de literatura e história? Não chegou a hora de quebrar com esse corporativismo trotsquista que tem protegido Orwell de ser criticado nesses últimos cinqüenta anos?


            Nossa hipótese, portanto, foi de que A Revolução dos Bichos é libelo antissoviético e trotsquista, utilizado largamente como propaganda anticomunista, ao ponto mesmo de servir de base para desenhos animados patrocinados pela CIA. George Orwell, ao escrevê-lo em 1948, estava claramente obcecado por seus escritos antissoviéticos.






CONCLUSÃO


            Embora seja muito estudada e lida em sala de aula e na escola, A Revolução dos Bichos é um livro que ainda pede uma releitura crítica. A narrativa histórica na qual ele se baseia é uma narrativa fortemente partidária do anticomunismo, baseada principalmente em Trotsky, embora ele não se apresente assim. Ele é lido como narrativa neutra que é capaz de engajar e de politizar a juventude. Isso precisa ser questionado e uma visão mais objetiva, que não repita, meramente, os clichês da Guerra Fria sobre o período Stálin precisa ser abordada em sala de aula. No Brasil, os trabalhos disponíveis sobreRevolução dos Bichos, com os textos de Felipe Fontana e Olgário Vogt, fixam-se totalmente no mito Orwell, celebrando sem maiores críticas o “clássico”, repetindo elogios a respeito de sua biografia e vida, mas sem aprofundar-se em sua obra. No entanto, na Inglaterra novos estudos sobre Orwell o fazem aparecer sob uma outra luz: antissemita, homofóbico, anticomunista que chegou a trabalhar como informante do Estado em plena Guerra Fria e delatar outros escritores. Igualmente, historiadores como Grover Furr, Arch Getty, Yuri Zhukov e outros estão repensando a narrativa do tempo da Guerra Fria. Como a narrativa sobre a coletização russa dos anos 30 está sendo repensada, é importante verificar como ela foi apresentada em A Revolução dos Bichos. E ela foi apresentada do ponto de vista trotsquista e antissoviética. O texto constrói uma dicotomia pobre entre Stálin (“Napoleão”) e Trotsky (“Bola de Neve”). Não há dúvidas de que o texto tomou claro partido por Trotsky e o anticomunismo. No entanto, os estudiosos brasileiros nunca mostram isso, pelo contrário, dão a essa hipótese o caráter de verdade inquestionável. Nesse trabalho, adotamos a hipótese maoísta, de que o abandono do marxismo-leninismo pela União Soviética aconteceu em 1956.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS






BAR, Jodi. George Orwell, Anti-communist Propagandist, Champion of Trotskyism and State Informer. February 1998. Stalin Society. Disponível em: <http://www.stalinsociety.org.uk/ publications.html>. Acesso em 16 de outubro de 2012.






ESCUSA, Alberto. Quien fué realmente George Orwell? ¿Quién fue realmente George Orwell? Los mitos orwellianos: de la Guerra Civil española al holocausto soviético. Disponível em: . Acesso em 13 de outubro de 2012.






FONTANA, Felipe. A Revolução dos Bichos (Teoria e suas implicações: compreensão da utilização doAnimalismo na Revolução dos Bichos e do marxismo na URSS de Stálin.Revista Urutágua, n. 21, mai./jun/jul./ag. de 2010.


FURR, Grover. Evidências da Colaboração de Trotsky com a Alemanha e o Japão. Disponível em: . Acesso em 13 de outubro de 2012.


_______________. Stalin e a luta pela reforma democrática. Disponível em: . Acesso em 17 de outubro de 2012.


GETTY, Arch. The Origins of the Great Purges: The Soviet Party Reconsidered, 1935-1938. New York: Cambridge University Press, 1995.
ORWELL, G. A Revolução dos bichos. Trad. por: Heitor Aquino Ferreira. 4 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.


 TAUGER. B. Tauger, The 1932 Harvest and the Famine of 1933, Slavic Review, Volume 50, Issue 1 (Spring, 1991), 70-89,


 VOGT, Olgário. A Revolução Russa através da Revolução dos Bichos. Revista Ágora, Vol. 13, n. 1, 2007.


Fonte - República Socialista

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

El pacto de Hitler y Trotsky

Este estudio es un análisis pormenorizado de la alianza táctica, para destruir la Unión Soviética. Los hechos y las pruebas son tan abrumadoras que los medios de comunicación capitalistas que defienden la dictadura de la burguesía, han ocultado sistemáticamente a los trabajadores.

Por Luis Urrutia.



La memoria de los Procesos de Moscú son un elemento esencial de la superestructura de nuestra época. A través de estos Procesos, por su contenido y por el momento en que se realizaron, se define el móvil de la mayor represión acaecida en el primer país socialista: 
¿Fue el modo de acallar disidencias a un poder dictatorial? ¿O fue la obligada defensa a una amenaza que provenía nada menos que de la Alemania nazi? 

El 90% de las penas capitales dictadas en toda la existencia del estado soviético, lo fue en las circunstancias que dieron lugar a esos célebres juicios. Sin conocerlos es imposible entender la historia de la URSS y esta imposibilidad, a su vez, afecta gravemente toda comprensión de la experiencia socialista, la historia en general y, por lo tanto, la sociedad misma. 
Mientras el socialismo estuvo en ascenso, estos juicios gozaron de respetabilidad como acto de justicia, no sólo entre los comunistas, sino entre la opinión democrática y progresista del mundo. Luego, esa reputación fue progresivamente desbaratada desde la propia URSS con sucesivas rehabilitaciones de los condenados. Se trató del período de la esclerosis burocrática. Finalmente, un fallo de la Corte Suprema de la URSS virtualmente consideró nulas todas las condenas. 

Eran los tiempos de la Perestroika, los prolegómenos del retorno al capitalismo.
 
Sin embargo, no fue éste el final de la historia. La publicidad de archivos de los servicios secretos soviéticos, que se anunció como la refutación definitiva de los Procesos de Moscú, en la letra chica de sus contenidos no hizo más que ratificarlos y aún ampliar sus denuncias. Mientras tanto, Stalin se consolidó largamente como la figura histórica preferida de los rusos, en tanto que sus detractores -Trotsky, Jruschov o Gorbachov- han desaparecido de cualquier encuesta de valoración positiva. El trotskismo en Rusia se reduce a algunas decenas de personas, en su mayoría extranjeros. El retrato de Stalin acompaña las pancartas de las movilizaciones comunistas,  así como sus campañas electorales.


Toda esta reversión del proceso de "desestalinizaciónculmina en una expresión orgánica:
El 21 de julio de 2001, el XXXII Congreso Extraordinario del UPC-PCUS, que reúne al Partido Comunista de la Federación Rusa y el grueso de los partidos y organizaciones del movimiento comunista en Rusia, rechazó el célebre informe Sobre el culto a la personalidad y sus consecuenciasdel XX Congreso del PCUS, así como la decisión del XXII Congreso de remover del mausoleo de Lenin los restos de Stalin.
¡21 de julio de 2001! 
¿Por qué nadie ha informado de esto en la Argentina?
Lo que sigue es un aporte severamente documentado, a los fines de establecer objetivamente lo que fueron los Procesos de Moscú. 

Parte I
León  Trotsky
La supervivencia del trotskismo dependió y depende del sostén social de una premisa desesperada: que las decenas de confesiones de los Procesos de Moscú (1936, 1937 y 1938), protagonizadas muchas de ellas por primeras figuras del bolchevismo,  fueron falsas y producto de la tortura.
El proceso al trotskismo tenía curso en enero de 1937 y había arrojado al mundo la curiosa y terrible nueva: Trotsky había pactado con Rudolf Hess, el ministro sin cartera de Hitler, el apoyo nazi para un golpe de estado. El nuevo gobierno consentiría la cesión de Ucrania y la URSS, territorialmente mutilada, sería puesta al servicio del expansionismo alemán como fuente de materias primas. Los golpistas se componían de una alianza de derechistas (Bujarin), trotskistas y militares, pero esto se precisó un año más tarde en el Proceso al bloque derechista-trotskista.
Frente a esto, nazis y trotskistas, con calcada virulencia en el lenguaje, se manifestaron simultánea y coincidentemente. No se trataba de impugnar algún testigo o alguna prueba clave. Frente a la avalancha probatoria que mostraban los juicios, sólo cabía la impugnación entera del procedimiento judicial, presentándolo como el armado de una gran farsa.  

Así, un cable desde Berlín para el New York Times del 30/1/37, cita un discurso  del " Coronel General Hermann Goering, como Presidente del Reichstag," atacando las "acusaciones de que Alemania está complotando con León Trotski".
“Yo puedo mostrar”, dijo, “con un ejemplo, cuán estúpidas y absurdas son estas mentiras. En los juicios de Moscú, para los cuales los periódicos del mundo entero pueden encontrar solamente la expresión “juicios teatrales,” cuando es aseverado que un Ministro responsable del Reich negoció con Trotski, no solamente nosotros, sino el mundo entero se ríe.”
Otro cable, de Asociated Press, del mismo día, el 30/1/37, publicado por el New York Times, reporta declaraciones todavía más descalificantes, si cabe, provenientes de Trotsky, desde Méjico: “Los acusados no existen como personalidades...Ellos fueron triturados antes del juicio…Ante los ojos del mundo entero ellos se arrojaron bajo el carro de guerra de una terrible divinidad, pero a diferencia de los devotos hindúes, ellos no lo hicieron así voluntariamente, en un exceso de fanatismo, o en éxtasis religioso,  sino a través de una acción a sangre fría para disminuirlos, bajo un garrote que los condujo a un estado de impasse.”
Paul Joseph Goebbels
La prensa alemana, bajo el control del Ministro de Propaganda Paul Joseph Goebbels, ya se había expresadoantes que Goering, según se resume enun radiograma desde Berlín para el New York Times del 25/1/37:
“Voceros oficiales germanos, tanto como los periódicos, ridiculizan los cargos de la fiscalía soviética, según los cuales trotskistas han supuestamente conspirado con Rudolf Hess, Canciller de Hitler y su primer lugarteniente. Estas acusaciones son calificadas como “descaradas e idióticas” y al desarrollar la refutación, avanzan para establecer que León Trotski y nueve de los acusados en Moscú son judíos.”

En el New York Times del 21 de enero de 1937, se puede leer, aún antes de iniciarse las audiencias:

Trotsky ve en el juicio una caza de brujas

Planea comentar diariamente la información sobre las audiencias

Cable especial para el New York Times

Méjico DF 20 de enero de 1937

León Trotsky, el ex-lider Bolchevique exiliado, calificó hoy el juicio de los diecisiete presuntos trotskistas, previsto para mañana sábado en Moscú, como una nueva trampa de José Stalin, asegurando que los cuatro principales acusados fueron todos traidores políticos que abandonaron la causa del Sr. Trotsky por la de Stalin durante 1928.
El Sr. Trotsky anunció su intención de hacer diariamente su comentario durante todo el juicio.
El que fuera co-líder de la revolución soviética asemejó el juicio a la caza de brujas de la inquisición medieval en el cual las confesiones fueron impuestas a las víctimas por la tortura.
Él afirma que solamente traidores han podido ser presentados en Moscú, en lugar de los genuinos trotskistas, y aquí remarcó: en las prisiones hay cientos de verdaderos trotskistas.
Mencionando a los cuatro principales acusados –Karl Radek, Gregorio Piatakoff, Gregorio Sokolnikoff, ex embajador soviético en Londres, y L. Serebyakoff, ex Comisario Asistente para Comunicaciones- el Sr. Trotsky citó su larga historia como líderes de la revolución soviética y entonces subrayó:
“El buró político (comunista) entero y casi el comité central entero del heroico período de la revolución, excepto por Stalin, es proclamado agente de la restauración del capitalismo. ¿Quién creerá esto?”

Comentarios:
   1) Sobre esta información preliminar, el lector verificará rápidamente, en nuestras reproducciones del New York Times, que mintió el líder nazi Goering  cuando afirmó que “los periódicos del mundo entero pueden encontrar solamente la expresión “juicios teatrales” para los Procesos de Moscú. Este tipo de comentario provenía del fascismo, no de la opinión democrática. En la hemeroteca de la Biblioteca Nacional, en Buenos Aires, puede encontrarse información del diario Crítica sobre estos procesos, en tono objetivo, sin comentarios despectivos acerca de sus conclusiones.
     
    2) La aseveración de Trotsky respecto a que la dignidad de “casi el comité central entero del heroico período de la revolución” había sido aniquilada por la tortura del régimen, lleva a la insalvable paradoja de que la Revolución de Octubre estuvo liderada por dos sectores: uno, el de los asesinos y torturadores y otro, el de los quebrados. ¿Acaso fue aquélla una épica sin héroes? ¿Es posible que a la inteligencia de Trotsky no saltara a la vista este contrasentido? ¿Por qué incurrió en él? La observación atenta de los juicios mostrará palpablemente que todo esto es falso, reconstruyendo, aún en las propias confesiones de los inculpados, los caracteres de personalidades descollantes, acordes con la envergadura de ese suceso revolucionario. Naturalmente, para Trotsky todo esto fue una vivencia directa. ¿Por qué la desmintió?
 
     3) Sugerimos tomar nota de la fecha, 20 de enero de 1937, y lo dicho por Trotsky ese día, esto es, bien entrada la década del 30, en tono acusatorio y no, por supuesto, en defensa de Stalin: " en las prisiones hay cientos de verdaderos trotskistas". A doce años de la muerte de Lenin, o lo que es lo mismo, de gobierno "stalinista": "cientos" de trotskistas presos. ¿Cómo se pudo llegar a los millones de trotskistas que, como algunos alcanzan a decir sin encender polémica, Stalin habría asesinado para consolidar su poder?


Parte II


Es comprensible que, para el observador poco avisado, cueste admitir que el “izquierdista” Trotsky acuerde secretamente con Rudolf Hess una virtual alianza que involucra horripilancias como realizar espionaje a favor del nazismo.
Y, precisamente, el clima de la refutación que Trotsky ensaya de los Procesos de Moscú se crea en lo fundamental con argumentos de este género:
¿Cómo revolucionarios como Trotsky, Bujarin, Piatakov, Rykov, etc. podrían haber pactado con Hitler?
¿Cómo creer semejante cosa si el que lo afirma es Stalin?
Sin embargo, ateniéndonos a un pensamiento riguroso, encontramos que el recurso de Trotsky contiene una falacia esencial: un pacto es un acto de táctica política, dictado por conveniencias mutuas de coyuntura, que no necesita de afinidades ideológicas entre los pactantes. El pacto Molotov-Ribbentrop no volvió nazi a Stalin, ni comunista a Hitler. Además, los Procesos de Moscú son bastante más que las acusaciones (¿“stalinistas”?) del fiscal: son las convincentes confesiones de destacados dirigentes  de algo tan frecuente en política como es una traición en masa de un determinado sector o tendencia, en circunstancias de cambios históricos trascendentes.
Pero un acuerdo secreto entre un Hitler bien nazi y un Trotsky igualmente trotskista, no sólo diluye su apariencia sorprendente, sino que se vuelve verdaderamente probable, en cuanto se observa que Trotsky, ya no en las sombras de una conspiración, sino en su actitud pública, a la vista del mundo entero, se comportaba como un izquierdista aliado objetivo del nazismo. Trotsky, como político experto, debió ser consciente de ello. Desde este punto de vista, los Procesos de Moscú son también perfectamente creíbles porque denuncian hechos que serían apenas un capítulo de una general actitud traidora de Trotsky que, por no ser secreta, es directamente comprobable.


Claro que, para apreciar esto, es menester distinguir entre la fraseología izquierdista de Trotsky y su significado concreto, práctico, en el contexto que se formula: año 1937, en plena guerra civil española, con la intervención del fascismo alemán e italiano, la agresión japonesa a China y los prolegómenos de la guerra mundial y de la invasión nazi a la Unión Soviética.
Las citas que siguen en apoyo de lo dicho, provienen todas del Tomo V de las obras de Trotsky, publicadas por el propio trotskismo.  En cada cita se señala el número de página con la que puede ser hallada en


http://es.scribd.com/doc/32478636/Trotsky-Escritos-Tomo-V

En orden a la brevedad, se seleccionan algunas citas representativas. Otras se acumulan al pie de este trabajo, como apéndice.



Trotsky borra las diferencias entre el fascismo y el antifascismo


La crucial necesidad de frenar al fascismo en el orden mundial obligaba, elementalmente, a inculcar en la opinión pública una apreciación de los valores democráticos y el consecuente señalamiento del fascismo como su negación inmediata. El empeño de Trotsky estaba puesto exactamente en lo contrario.


¿Cómo “aportaba” Trotsky a que la opinión diferenciara entre el fascismo y el antifascismo, distinguiera y valorara a las naciones y a las fuerzas que efectivamente, en el mundo, en mayor o menor medida, con mayor o menor consecuencia, podían constituirse en obstáculo del fascismo?


Frases como éstas lo ilustran:



Sobre el antifascismo:
“El “antifascismo” es una fórmula muy útil para la cháchara de sus excelencias los diputados, profesores, periodistas y charlatanes de salón. La fórmula desnuda del “antifascismo” no tiene ningún significado concreto para los obreros, desocupados, campesinos pobres, farmers arruinados, pequeños comerciantes en bancarrota, vale decir, la abrumadora mayoría de la población.” (p.254)



“…la democracia es la forma más aristocrática de gobierno. Solamente aquellos países del mundo que tienen esclavos son capaces de conservar la democracia, como Gran Bretaña, donde cada ciudadano tiene nueve esclavos; Francia, donde cada ciudadano tiene esclavo y medio, y Estados Unidos. No puedo calcular sus esclavos, pero es casi todo el mundo, comenzando por Latinoamérica. Los países más pobres como Italia renunciaron a su democracia.” (p.502)


Sobre el respeto a la legalidad internacional:
“Evidentemente, Francia, Inglaterra, o Rusia tenían bases “legales” para ayudar al gobierno legal de España, mucho mayores que las de Mussolini o Hitler para ayudar a un general insurrecto. Pero, como dijimos antes, la política de las grandes potencias no se basa en lo más mínimo en principios jurídicos o morales.” (p. 252)


Sobre los movimientos y personalidades pacifistas y progresistas:
Romain Rolland
“Hasta no hace mucho tiempo, los pacifistas de todo los colores creían, o fingían creer, que se podría impedir una nueva guerra con ayuda de la Liga de las Naciones, congresos aparatosos, referéndums y otros despliegues teatrales, la mayoría de los cuales fueron financiados con dinero de la URSS. ¿Qué ha sido de esas ilusiones?” (p.236)



“Es preciso abrir los ojos de la opinión pública al hecho de que la propaganda melosa y falsa de mucho filósofos, moralistas, estetas, artistas, pacifistas, y “dirigentes” laborales,  en defensa del Kremlin, bajo el pretexto de “defensa de la Unión Soviética”, es pagada generosamente con el oro de Moscú. Debemos cubrir estos caballeros con la infamia que han ganado tan copiosamente. (p.334)



Henry Barbusse
"Escritores con la reputación de Romain Rolland, el difunto Barbusse, Malraux, Heinrich Mann o Feucht-wanger, son en realidad pensionistas de la GPU, la cual paga generosamente los servicios “morales” de estos amigos, a través de la Editorial del Estado.” (p. 333)
Sobre los países en oposición al bloque fascista de Alemania, Italia y Japón:
“Para justificar su política militarista y chovinista, las internacionales Segunda y Tercera difunden la idea de que la nueva guerra tendrá por misión defender la libertad y la cultura - representadas por los países “pacíficos”, encabezados por las grandes democracias del Nuevo y del Viejo Mundo- frente a los agresores fascistas: Alemania, Italia, Austria, Hungría, Polonia y Japón. Esta clasificación resulta dudosa, inclusive desde un punto de vista puramente formal. El estado yugoslavo no es menos “fascista” que el húngaro, Rumania no se encuentra más cerca de la democracia que Polonia. La dictadura militar impera no sólo en Japón, sino también en China. El sistema político de Stalin se aproxima cada vez más al de Hitler. En Francia, el fascismo está barriendo a la democracia cuando la guerra todavía no se ha declarado. Los gobiernos del “Frente Popular” hacen todo lo posible por facilitar la transición. Como vemos, ¡en el sistema mundial imperante no resulta fácil separar a los lobos de los corderos!”(p.237)



Sobre los frentes populares antifascistas:
Jorge Dimitrov
“…la política del llamado Frente Popular fluye totalmente de la negación de las leyes de la lucha de clases.” (p.416)



“En suma, el Frente Popular es un frente político de la burguesía y el proletariado. Cuando dos fuerzas tienden en direcciones opuestas, la diagonal del paralelogramo se aproxima a cero. Esta es exactamente la fórmula gráfica de un gobierno del Frente Popular.” (p. 389)



“La responsabilidad por el ascenso de Hitler recae sobre un nombre: Comintern.” (pag 607)

¿Cómo “contribuía” Trotsky a que la opinión pública viera a la República Española con ojos distintos al franquismo, a discernir allí entre democracia y fascismo?


Con expresiones de este tipo:


“Pero aun suponiendo que Negrín lograra la victoria sobre Franco, el resultado de una victoria puramente militar sería la instauración de una nueva dictadura militar que no sería muy distinta de la dictadura de Franco…”


“…Si la guerra civil en su forma actual se prolonga por un periodo largo ante la creciente indiferencia de las masas nacionales, la culminación podría ser la desmoralización de los dos bandos y un acuerdo entre generales con el fin de instaurar una dictadura militar conjunta.” (p.252)



¿Cómo “ayudaba” Trotsky a que la opinión pública viera a la Unión Soviética con ojos distintos a la Alemania Nazi?


Con frases como éstas:



“Es difícil encontrar en la historia un caso de reacción no teñido de antisemitismo. Esta peculiar ley histórica se corrobora hoy día completamente en la Unión Soviética.” (p. 402)



“La historia no conoce crímenes más horribles, tanto por su intención como por su ejecución, que los procesos de Moscú de Zinoviev-Kamenev y Piatakov-Radek.” (p.108)



“¿Cuándo y en qué lugar la personalidad del hombre se ha degradado tanto como en la URSS?” (p. 200)





“La época en que el imperialismo mundial sometió a la Unión Soviética a un asedio pertenece al pasado. El bloqueo actual es organizado por la misma burocracia soviética. De la revolución, tal como la entiende, solamente ha conservado el culto a la violencia policíaca. Cree que con la ayuda de perros policías se puede cambiar el curso de la historia. Lucha por su existencia con una furia conservadora que no ha sido demostrada por ninguna clase dirigente en toda la historia. Por este camino llegó en corto tiempo a cometer crímenes como no los ha cometido el fascismo.” (p.498)


¿Cuál es la respuesta que Trotsky propone ante el avance fascista?


¡El derrotismo!


Por eso propone ¡negarle financiación al Ejército Republicano Español!




“En el Socialist Appeal del 1° de noviembre de 1936, en la primera página, en el editorial, encuentro la frase siguiente: “Los obreros revolucionarios deben proseguir su agitación para conseguir armas para los obreros y campesinos españoles, no para el gobierno democrático burgués español.”


“Esto fue escrito en la época de Largo Caballero, antes de la sangrienta represión de los obreros revolucionarios. Siendo así, ¿cómo pudimos votar (los trotskistas españoles) a favor del presupuesto militar para el gobierno de Negrin? (p.285)



“…Llevar la lucha de clases a su forma más alta -la guerra civil- es la tarea del derrotismo. Pero esta tarea sólo puede ser resuelta por medio de la movilización revolucionaria de las masas, es decir, ampliando, profundizando y agudizando aquellos métodos revolucionarios que constituyen el contenido de la lucha de clases en "tiempos de paz"…


“…El derrotismo revolucionario sólo significa que en la lucha de clases el partido proletario no se detiene ante ninguna consideración "patriótica", porque la derrota de su propio gobierno imperialista, provocada o acelerada por el movimiento de masas revolucionario, es un mal incomparablemente menor que la victoria lograda al precio de la unidad nacional, es decir, por la postración política del proletariado. Allí radica el significado completo del derrotismo y este significado es totalmente suficiente.” (p. 535)


“Imaginémonos que en Checoslovaquia tenemos una política revolucionaria y que ésta conduce a la conquista del poder. Sería cientos de veces más peligroso para Hitler que el apoyo patriótico de Checoslovaquia. Es por esto que resulta absolutamente obligatorio que nuestros camaradas sigan una política derrotista.” (p.548)




Todas estas manifestaciones públicas de Trotsky, en que fascismo y antifascismo, Hitler y Stalin, se vuelven  variaciones de opresión indiferentes para los pueblos, revelan que no existía ninguna incompatibilidad principista en su pensamiento que pudiera impedirle, ideológicamente, concertar una alianza con Hitler con el fin de derribar a Stalin.
Pero ¿hacer espionaje para los nazis? ¿podría rebajarse a tanto?


A la luz de su pública promoción de la delación, Trotsky se muestra perfectamente capaz de eso:


“Es preciso establecer definitivamente y publicar los nombres de todos los stalinistas extranjeros que tuvieron o tienen cualquier cargo militar, policial o administrativo en España. Todos estos individuos son agentes de la GPU, implicados en los crímenes cometidos en ese país.” (p.334)



“Tenemos que publicar literatura apropiada y recoger fondos para su publicación. En cada país debería ser publicado un libro revelando completamente la sección respectiva de la Comintern.” (p.334)





APENDICE

Sobre los países en oposición al bloque fascista de Alemania, Italia y Japón:

“La política internacional de Stalin, basada en la opresión al pueblo de la URSS, coincide o busca coincidir en todo con las políticas de las democracias imperialistas. Stalin mira hacia un acercamiento con los actuales gobiernos de Francia, Gran Bretaña y los Estados Unidos. Con este fin, ha transformado las secciones correspondientes de la Comintern en partidos social imperialistas.” (p.593)

Por consideraciones de carácter político interno o diplomático, León Blum, León Jouhaux, Vandervelde, y sus compañeros de otros países, han organizado en el sentido exacto de la palabra, una conspiración de silencio alrededor de los crímenes de la burocracia stalinista en la Unión Soviética y en el resto del mundo. Negrín y Prieto, son cómplices directos de la GPU. ¡Hacen todo esto bajo el pretexto de defender la “democracia”! (p. 333)

“Podemos partir de la afirmación de que, en todo caso, el futuro conflicto militar no se producirá entre las naciones “democráticas” y las fascistas. En la actualidad podría parecer que no es así: de un lado tenemos a Italia, Alemania, Japón y Polonia. (Es absolutamente erróneo decir que Japón es fascista, pero, por el momento, podemos aceptar esta caracterización vulgar que hace Moscú.) En el otro bando están Inglaterra, Francia, la Unión Soviética. No sé si este último es un país “democrático”, pero podemos aceptar esta caracterización en aras de la simplificación. Estados Unidos colabora con esta combinación.” (p.292)

“Creo que la derrota de España que ahora se aproxima -la deserción del gobierno ocurrirá en las próximas semanas-, producirá la más grande impresión, que se dirigirá directamente contra los stalinistas. Después de la derrota, las partes comprometidas se acusarán unas a otras. El odio de los socialistas en España es terrible. Luego regresarán los voluntarios y tendremos cientos de Beattys porque la guerra civil es una gran escuela. Además el Frente Popular en Francia es un fracaso total. Hoy los informes muestran que el mercado de la bolsa norteamericana está de nuevo nervioso, ha caído. Estas son las últimas convulsiones de la política del New Deal con todas sus ilusiones. Estos tres factores -la derrota en España, la derrota del Frente Popular en Francia y, con vuestro permiso, la bancarrota del New Deal- significan un golpe mortal para los demócratas. Naturalmente que también depende de nuestra actividad.” (p.518)



¿Cómo “contribuía” Trotsky a que la opinión pública viera a la República Española con ojos distintos al franquismo, a discernir allí entre democracia y fascismo?
“La GPU es el verdadero gobierno de la llamada España Republicana. Tanto el ejército como la policía del gobierno de Valencia están en sus manos.”

Ante tal declaración, preguntan a Trotsky si la GPU ejerce su influencia por intermedio de alguna agencia española que colabora con Moscú.

“No - exclama Trotsky enfáticamente - es la verdadera GPU, la rusa, actuando bajo las órdenes directas de Stalin. (p 318)

“En España, donde el llamado gobierno republicano, sirve como escudo legal a las bandas criminales de Stalin, la GPU encontró el campo más favorable para realizar las instrucciones del plenum de abril.” (p. 331)

“La democracia ideada por la burguesía no es, como pensaron Bernstein y Kautsky, un saco vacío que se puede llenar indiferentemente con cualquier clase de contenido. La democracia burguesa puede servir solamente a la burguesía. Un gobierno del “Frente Popular”, ya sea encabezado por Blum o Chautemps, Caballero o Negrín,
es solamente “un comité para el manejo de los negocios comunes de toda la burguesía”. Siempre que este “comité” maneja mal los negocios, la burguesía lo expulsa de una patada.” (p.324)

“…sostuve que no había esperanzas de una verdadera victoria militar de los llamados republicanos, porque tienen el mismo programa que Franco. Un campesino español ve las grandes propiedades terratenientes y se pregunta: ¿Por qué debo luchar por la democracia? Vio la democracia en el pasado, pero en la Guerra Civil no existe democracia. Existe una fuerte censura militar y los obreros o los campesinos no ven ninguna diferencia. Para ambos bandos es un régimen militar. Por eso los campesinos y los obreros se han vuelto indiferentes a la Guerra Civil. Yo no voy a ser indiferente; estoy por la victoria del ejército republicano, pero mi opinión no tiene importancia. La victoria estará determinada por los sentimientos de millones de trabajadores pobres y oprimidos de que ésta es la revolución, y yo afirmo que los republicanos hicieron todo lo posible por garantizar su propia derrota.”
(AunqueTrotsky pareciera, por momentos, hablar de la República como si ya no existiera, esto está dicho el 27 de julio de 1937, p. 228)
¿Cómo “ayudaba” Trotsky a que la opinión pública viera a la Unión Soviética con ojos distintos a la Alemania Nazi?
De una entrevista concedida al Jewish Daily Forward, el 18 de enero de 1937: …el proceso de Moscú es el fraude judicial más grande de toda la historia política mundial. Otros juicios que han pasado a la historia, tales como el de Beilis en Rusia zarista, el de Dreyfus en Francia y el del incendio del Reichstag en Alemania son un juego de niños al lado del proceso de los dieciséis…”
“…En 1927, Stalin ya escribía en los documentos oficiales -en tono sumamente discreto, pero con intenciones claras- que la mayoría de los militantes de la Oposición eran judíos. Decía: no lucharnos contra Trotsky, Zinoviev, Kamenev y los demás porque son judíos sino porque militan en la Oposición. La intención es, evidentemente, señalar que los dirigentes de la Oposición son judíos…
“Stalin es el organizador de los crímenes políticos más grandes de la historia universal.”  (p.83)
“Los experimentos electorales totalitarios atestiguan solamente que, una vez que todos los partidos han sido aplastados, incluyendo el propio, que los sindicatos han sido estrangulados, que la prensa, la radio y el cine han sido subordinados a la Gestapo o a la GPU, si pan y trabajo se dan solamente a los dóciles o los silenciosos, mientras un revólver se coloca en la sien de todo sufragante, entonces es posible alcanzar elecciones“unánimes”. (p.403)
"Hitler combate la alianza franco-soviética, no por hostilidad principista hacia el comunismo (¡ninguna persona seria cree ya en el papel revolucionario de Stalin!) 235
¿Cuál es la respuesta que Trotsky propone ante el avance fascista?
¡El derrotismo!
“Si usted no quiere apoyar a los gobiernos aliados de la Unión Soviética, usted es prácticamente un derrotista.”… Contesté aclarando que desarrollamos nuestra política no a través de los gobiernos, sino a través de las masas y mientras continuamos en oposición irreconciliable hacia los gobiernos burgueses aliados de la Unión Soviética, como Francia; en la aplicación práctica de nuestra línea general, hacemos todo - todo lo posible - por proteger los intereses de la defensa de la Unión Soviética, o China, etcétera.” (p.397)
Fuente:

Documentários e Vídeos

Intelectual da Ucrânia fala sobre as "repressões de Stalin"  ¡Stalin de acero, conciencia del obrero! O nome da Rússia: Stalin, por Valentin Varennikov 

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