segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A morte de Kim Jong Il e o futuro do socialismo coreano

Coreanos choram pela morte de Kim Jong Il


A morte do líder norte-coreano suscitou uma série de debates referentes o caráter do sistema político existente na parte norte da península coreana. Para alguns analistas burgueses, o modo como se deu a transição da liderança após a morte de Kim Jong Il seria a prova concreta de que o regime político do país é uma ditadura brutal, com traços dinásticos. Logo após a morte do “Dirigente Kim Jong Il” (uma das várias maneiras como os norte-coreanos se referem ao falecido líder) a agência KCNA publicou uma nota exortando o povo norte-coreano a apoiar a nova liderança encabeçada por Kim Jong-Un, filho de Kim Jong Il, que até então era vice-presidente da Comissão Nacional de Defesa. É importante ressaltarmos que durante a década de 90, época em que a RPDC passou por um período que ficou conhecido como “Árdua Marcha” e a Comissão Nacional de Defesa se tornou o organismo político mais importante do estado norte-coreano, depois que o cargo de Presidente é extinto.

Kim Jong-Il se tornou o principal líder do país ocupando um cargo distinto do que ocupava o seu pai, Kim Il Sung. Agora, após a morte de Kim Jong Il, finalmente se confirma que Kim Jong-Un se converterá no novo líder do país. A transição aparentemente hereditária da liderança na Coréia Popular recebe os mais odiosos ataques da imprensa burguesa mundial, que fala em “ditadura monárquica comunista” norte-coreana. Poderíamos concordar com tal linha de argumentação se adotássemos um método de analise raso e superficial, como a maioria dos jornalistas e “analistas” propagandistas da ordem capitalista.

O que acontece na Coréia não pode ser compreendido sem antes de tudo não levarmos em consideração o seu contexto histórico. A revolução coreana e a construção socialista no norte da península desde sempre teve que fazer frente aos mais variados tipos de maquinações imperialistas. A Guerra da Coréia, iniciada já depois da fundação da República Popular Democrática, foi uma demonstração clara de que os coreanos jamais poderiam confiar nas boas intenções do imperialismo norte-americano e seus aliados. Kim Il Sung foi o principal líder do povo norte-coreano nesse período, convertendo-se em uma figura amada pela gigantesca maioria do povo coreano. Durante a Guerra da Coréia, Kim Jong Il era muito novo, mas existem relatos que afirmam que os seus interesses por questões políticas já se manifestavam nessa época. Depois da libertação, se engajou na construção socialista do país como ativo militante do Partido do Trabalho da Coréia, participando de trabalhos voluntários no campo e na construção civil; também participou de intensos debates acadêmicos na Universidade Kim Il Sung.  Esses fizeram com que Kim Jong Il se tornasse cada vez mais uma liderança popular na Coréia Socialista. As Obras Escolhidas de Kim Jong Il que abordam tais períodos são compostas por vários volumes e abordam uma ampla gama de assuntos: filosofia, política, economia, defesa nacional.

Muitos quadros do Partido do Trabalho da Coréia começaram a apoiar a ideia de que Kim Jong Il se convertesse em líder sucessor na RPDC e assim foi depois que o Presidente Kim Il Sung faleceu. A questão da transição da liderança é vista com grande preocupação pelo Partido do Trabalho da Coréia. Para eles, trata-se de continuar a construção revolucionária levando em consideração aquilo que foi feito pela geração anterior, sem golpes de estado e difamação da liderança predecessora, caminho que poderia dar origem a um “Kruschev coreano”. Quando Kim Il Sung morreu, uma das promessas feitas por Kim Jong Il seria a de “não mudar um milímetro” daquilo que foi feito por Kim Il Sung, ou seja, persistiria no caminho socialista dando em uma situação desfavorável criada pela queda da URSS. Cumpriu o que prometeu e foi além, conseguindo estabilizar o país economicamente superando a grave crise econômica que assolou o país nos anos 90. 

Qualquer notícia que fale em “crise econômica” e “fome” na Coréia Popular nos dias de hoje é mera propaganda capitalista, não merecendo sequer ser levada em consideração. Obviamente, não se trata aqui de apontar que tudo no país vai bem, pois sabemos que o país enfrenta diversos problemas, como na dificuldade de obtenção de divisas, decorrente em grande parte pelo bloqueio econômico dos Estados Unidos e aliados, que possui proporções mais devastadoras que o bloqueio cubano, por exemplo.

Diante de uma situação tão adversa criada pelo cerco imperialista, que ameaça o país todos os dias, qual a forma encontrada pelo Partido do Trabalho da Coréia em garantir o apoio e a unidade do povo entorno de suas propostas? Fortalecer o papel da liderança, sendo o novo líder Kim Jong Un quase que uma “criação científica” de líder político, que mesmo que não possua o mesmo acumulo ideológico e prático de seus antecessores, contará com ajuda de inúmeros quadros do Partido do Trabalho da Coréia para exercer de modo exitoso suas funções. Porém, o principal não é deixado de lado, e aí reside a diferença fundamental entre a RPD da Coréia e os países burgueses que a difamam: na Coréia Popular as massas populares são o “centro de tudo” (como eles gostam de dizer). O que isso quer dizer? Quer dizer que a posição ocupada pelas massas populares em seu conjunto (classe trabalhadora, camponeses, intelectuais) é radicalmente diferente da posição ocupada pelas massas populares nos países capitalistas. Não se trata de mera propaganda. Na RPD da Coréia o povo participa e constrói sua vida política no dia a dia, nas escolas, nas fábricas, fazendas coletivas e universidades. Para tudo existem debates e discussões.

Para os ideólogos da ordem capitalista, democracia é sinônimo de subserviência ao capital e eleições de fachada, onde nunca a ordem estabelecida é questionada. Quantos dólares um cidadão norte-americano precisa para ser eleito Presidente da República? Quantos reais um político brasileiro precisa levantar para se tornar Deputado Federal? O que é política para a maioria das pessoas que vivem em países capitalistas? São questões que servem para refletir o verdadeiro caráter da sociedade em que vivemos. Alguns poderão questionar: “Mas aqui eu posso dizer o que eu quiser, não vou ser preso”. Sim, talvez você realmente não seja preso, mas também suas ideias nunca serão colocadas em prática; e se você não é preso é justamente porque se criou uma situação onde suas ideias dificilmente poderão ser colocadas em prática. Caso as coisas se invertam, não tenha dúvidas que as classes dominantes recorrerão à violência e ao arbítrio para preservar os seus interesses fundamentais. Felizmente os norte-coreanos não precisam e não desejam esse tipo de democracia.

Gabriel Martinez – Editor do Blog de Solidariedade a Coréia Popular

Autoridades da RPD da Coreia emitem declaração por ocasião da morte de Kim Jong Il



Autoridades da RPD da Coreia emitem declaração por ocasião da morte de Kim Jong Il

O Comitê Central e a Comissão Militar Central do Partido do Trabalho da Coreia, a Comissão Nacional de Defesa da RPDC, o Presidium da Suprema Assembleia Popular e o Gabinete da RPDC, neste sábado, anunciaram a notícia a todos os cidadãos, membros do partido e trabalhadores:

“O Comitê Central e a Comissão Militar Central do Partido do Trabalho da Coreia, a Comissão Nacional de Defesa da RPDC, o Presidium da Suprema Assembleia Popular e o Gabinete da RPDC notificam com o aval de todos os membros do partido, trabalhadores e cidadãos da República Popular Democrática da Coreia que Kim Jong Il, Secretário Geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente da Comissão de Defesa Nacional da RPDC e comandante supremo do Exército Popular da Coreia, faleceu subitamente por uma doença às 8h30min do dia 17 de Dezembro de 2011 em caminho para uma visita de campo.

O camarada Kim Jong Il dedicou toda sua vida para a vitória da causa revolucionária jucheana e trabalhou energicamente para a prosperidade da Pátria socialista, pela felicidade do povo, pela reunificação do país e pela independência mundial. Para nossa tristeza, subitamente ele faleceu. Sua morte súbita ocorreu numa época histórica em que um grande caminho está sendo aberto para a construção de um poderoso e próspero Estado Socialista, a despeito das dificuldades e dos reveses. A morte do camarada Kim Jong Il foi a maior perda para o Partido do Trabalho da Coreia, para a Revolução Coreana, e para todos os coreanos.

Kim Jong Il, que nasceu como um filho da Guerrilha no Monte Paektu, monte sagrado da Revolução, cresceu como um revolucionário, liderou sabiamente o Partido, o Exército e o Povo durante um longo período, levando a cabo inúmeras tarefas revolucionárias em nome do país. Kim Jong Il possuía a personalidade e as qualidades dignas de um grande homem, de um incomparável pensador e teórico que levou a cabo a revolução e a construção socialista por um caminho de inúmeras e significativas vitórias. Era, também, um experiente político, grande comandante da Política Songun e patriota sem igual que serviu com ardente amor a seu país e a seu povo.

Considerando como centro de sua vida completar a causa revolucionária do Juche iniciada pelo Presidente Kim Il Sung, Kim Jong Il levou a cabo a revolução e a construção socialista sendo o mais querido e leal camarada do Presidente.

Kim Jong Il desenvolveu profundamente a imortal Ideia Juche e a Política Songun, criadas pelo Presidente e glorificadas como ideias diretrizes da era da independência com enorme sabedoria. Kim Jong Il defendeu firmemente as tradições revolucionárias do Monte Paektu, dando continuidade à Revolução Coreana.

Kim Jong Il, gênio da Revolução e da construção socialista, desenvolveu o Partido, o Exército e o Estado, botou a dignidade e o poder da Nação Coreana aos mais altos níveis, na época mais próspera da Nação em cinco mil anos de história, transformando-a com base na Ideia Juche.

Kim Jong Il, mestre da política e grande comandante, defendeu as conquistas socialistas do povo coreano nas maiores dificuldades, num contexto marcado pelo colapso do sistema socialista mundial, pela morte do Presidente Kim Il Sung – maior perda da Nação Coreana – e pela ofensiva das forças aliadas ao imperialismo que tentavam derrubar o sistema socialista do norte da Coreia através de sanções, bloqueios e provocações militares. Ele transformou a RPDC numa invencível potência política e ideológica na qual a unidade monolítica foi lograda, numa potência nuclear na qual inimigo algum ousou atacar.

Levando em conta a vontade do Presidente Kim Il Sung, Kim Jong Il pôs como meta a construção de um próspero e poderoso país, tendo como motor o avanço geral de todo o povo e um novo auge revolucionário por todo o país para conquistar tal meta, trazendo grandes inovações na produção socialista e avançando em todas as frentes da construção socialista.

Kim Jong Il, pai da Nação e farol da reunificação nacional, liderou todos os compatriotas no caminho da independência e da grande unidade nacional. Com uma inquebrável vontade de aplicar as instruções do Presidente na luta pela reunificação nacional, no dia 15 de junho de 2000 a Coreia numa nova era na luta pela reunificação, na qual a consigna “Pela Nação, Nós Mesmos” foi materializada.

Como um grande guardião do socialismo e da justiça, levou a cabo enérgicas atividades externas pela vitória da causa socialista, pela paz mundial, pela estabilidade na Península Coreana e pela solidariedade entre os povos através do banner da independência e da luta anti-imperialista, destacando cada vez mais o prestígio internacional da RPDC e fazendo imortais contribuições à causa da independência.

Durante todo o período no qual se caracterizou como uma grande liderança revolucionária, ele valorizou e amou o povo coreano, estando com ele tanto nos bons quanto nos maus momentos. Seguiu, mesmo com a saúde débil, em seus trabalhos pelo desenvolvimento da luta revolucionária, trabalhando com todos os esforços de coração e alma para construir um grande país e melhorar a vida da população. Ele morreu de forma repentina, de derrame cerebral quando estava indo para uma visita de inspeção.

A vida de Kim Jong Il foi a vida brilhante de um grande revolucionário que levantou, sem hesitar jamais, a bandeira vermelha da revolução. Sua vida foi a vida de um patriota sem igual que se dedicou a todo o momento a seu país e a seu povo.

Kim Jong Il faleceu antes que pudesse ver vitoriosa a causa da reunificação nacional e da construção de uma grande Nação deseja tão desejada por ele, mas poderosa base política e militar assegura o avanço da Revolução Coreana através de todas as gerações e irá prover uma sólida base para a eterna prosperidade do país e da Nação.

Estando à frente da Revolução Coreana, no momento, está o camarada Kim Jong Un, grande sucessor da causa revolucionária do Juche e grande líder de nosso Partido, Exército e Povo.

A liderança de Kim Jong Un proverá a garantia da vitória da causa revolucionária através das gerações que estão por vi, causa iniciada por Kim Il Sung e liderada por Kim Jong Il.

Sob a liderança de Kim Jong Um, transformaremos nosso atual sofrimento em força e coragem, superaremos as presentes dificuldades e trabalharemos duro pela grande vitória da Revolução Juche. O caminho que nossa Revolução deve seguir é árduo, mas nenhuma força nesse mundo conterá o avanço da mesma sob a liderança do camarada Kim Jong Un.

O coração do camarada Kim Jong Il parou de bater, mas seu nobre nome e sua benevolente imagem serão lembrados eternamente por nosso Exército e por nosso Povo. Sua gloriosa trajetória revolucionária brilhará na história da Coreia eternamente.”




Documentários e Vídeos

Intelectual da Ucrânia fala sobre as "repressões de Stalin"  ¡Stalin de acero, conciencia del obrero! O nome da Rússia: Stalin, por Valentin Varennikov 

Postagens populares