domingo, 18 de setembro de 2011

Figuras do Movimento Operário - Stálin, José Visarionovich




Figuras do Movimento Operário
Stálin, José Visarionovich

Rosenthal e Yudin



Stálin é o genial teórico e guia do proletariado mundial, grande companheiro de armas e amigo de Lénin, continuador da doutrina e da causa de Marx, Engels e Lénin. Nasceu a 21 de dezembro de 1879, no povoado de Gory, província de Tiflis. Seu pai, camponês de origem, mas sapateiro de profissão, foi posteriormente operário de uma fábrica de calçados.

Stálin entrou para o movimento revolucionário aos 15 anos, ligando-se aos grupos clandestinos dos marxistas russos que atuavam na Transcaucásia e, em 1889, tornou-se membro da organização de Tiflis do Partido Operário Social Democrata Russo.

No grupo "Mesame-Dasy", primeira organização social-democrata georgiana, Stálin, juntamente com Ketzjoveli e Tsulukidze, representava a corrente do marxismo revolucionário, opondo-se à maioria oportunista do "Mesame-Dasy". Nesse tempo já era Stálin um marxista formado e pregava magistralmente a teoria marxista entre Os círculos operários. Devido à propaganda do marxismo foi expulso do Seminário.

Desenvolvendo sua atuação revolucionária, Stálin manifestou-se logo ardente partidário da "Iskra" leninista. Por sua iniciativa e de Ketzjoveli começou-se a editar o primeiro periódico social-democrata georgiano ilegal "Brdsola" ("Luta").

Em 1901, Stálin foi eleito membro do Comitê de Tiflis do P.O.S.D.R., por cujo cargo, pouco depois mudou-se para Batum, onde se pôs em contacto com os operários avançados, criou e dirigiu círculos, instalou uma imprensa ilegal; escrevia volantes, dirigia as greves nas fábricas de Batum e, a 9 de março de 1902, organizou a famosa demonstração política dos operários de Batum. A 5 de abril do mesmo ano, Stálin foi preso e recolhido ao cárcere de Batum e, em fins de novembro de 1903, condenado a 3 anos de desterro, na Sibéria Oriental, na aldeia de Novaia Uda, do distrito de Balagan, província de Irkutsk.

Nem no cárcere, nem no desterro suspendeu Stálin sua atividade revolucionária. Em 1903, no desterro, recebeu ele a primeira carta de Lénin.

Depois de sua fuga do desterro, despendeu Stálin grande energia para realizar o plano leninista de construir um partido marxista de novo tipo e travou uma luta tenaz contra os menchevistas e os que se conciliavam com eles.

Em dezembro de 1904, Stálin dirigiu a grandiosa greve dos operários de Bakú, que foi "às vésperas da grande tempestade revolucionária, como o raio que precede à tormenta." (História do P. C. (b) da (U.R.S.S., Compêndio). Ao mesmo tempo que realizava um imenso trabalho na imprensa, organizou, em plena justeza com a linha de Lénin, a luta pelo III Congresso. Criou o periódico "Luta do Proletáriado", órgão da Federação Caucasiana do P.O.S.D.R., que apareceu em três idiomas: russo, georgiano e armênio. Lénin tinha em grande conceito este periódico. Em alguns de seus trabalhos: "Como a social-democracía entende o problema nacional?", "A classe dos proletários e o partido dos proletários", "Alguma cousa sobre as divergências no Partido", e no artigo "Resposta a um social-democrata" — do que Lénin escrevia, que "dá uma noção formidável do problema sobre a famosa "introdução da consciência desde fora" — Stálin intervém em defesa dos princípios ideológicos e organizativos leninistas do Partido de novo tipo.

Durante os anos da primeira revolução russa (1905-1907), Stálin dirige a luta dos bolchevistas da Transcaucásia com estratégia e a tática leninista, contra os menchevistas, os social-revolucionários, e os partidos nacionalistas pequeno-burgueses.

Em dezembro de 1905, Stálin é delegado dos bolchevistas transcaucasianos à I Conferência bolchevista de toda a Rússia, em Tammerfors (Finlândia). Ali, pela primeira vez, conheceu pessoalmente Lénin.

Em uma série de artigos de 1905 e, particularmente nos intitulados "A insurreição armada e nossa tática" e "A reação cresce", bem como em "Anotações de um delegado", escritos por Stálin após seu regresso do V Congresso (Londres), faz Stálin, magistral defesa das posições táticas do bolchevismo. Em 1906-1907, sob um único título de "Anarquismo ou Socialismo", foram publicados os artigos de Stálin dedicados à defesa e a ulterior elaboração dos fundamentos da concepção filosófica do partido marxista: o materialismo dialético e o materialismo histórico.

Durante os anos da reação depois da derrota da revolução de 1905-1907, Stálin sustentou um imenso trabalho para a construção e consolidação da organização ilegal do Partido e para a preparação do novo ascenso revolucionário. O centro de sua atuação nesse período era Bakú, onde organizou com êxito a luta pela conquista das massas operárias sob a bandeira do bolchevismo e pelo esmagamento dos menchevistas das regiões operárias.

Em 25 de março de 1908, Stálin foi detido e, depois de oito meses de prisão, foi deportado por dois anos para a província de Vologod, em Solvichegodsk. Mas a 24 de junho de 1909 fugiu do desterro e regressou a Bakú, para o trabalho ilegal. A 23 de março de, 1910, foi outra vez detido e após seis meses de cárcere, desterrado de novo para Solvichegodsk. No verão de 1911, Stálin fugiu novamente do desterro para Petersburgo (hoje Leningrado), onde sustentou a luta contra osliquidacionistas e os trotskistas, unindo e consolidando a organização bolchevista. A 9 de setembro de 1911, foi preso e deportado para a província de Vologod. A Conferência do Partido de toda a Rússia, celebrada em Praga, que expulsou osmenchevistas do Partido e fundamentou a existência autônoma do Partido Bolchevique, e, sob proposto de Lénin, elegeu Stálin, ausente, membro do C. C. e criou o Bureau Russo do C. C, cuja direção foi entregue a Stálin.

A 29 de fevereiro de 1912, fugindo do desterro de Vologod, Stálin visitou por determinação do C. C. as regiões mais importantes da Rússia, preparou o 1° de Maio desse ano, escreveu o conhecido manifesto do C. C. para o 1° de Maio, dirigiu o periódico "Estrela". Sob sua direção, preparou-se o primeiro número do periódico "Pravda" que foi criado por sua iniciativa, de acordo com as indicações de Lénin. Mas a tarefa de Stálin, sempre perseguido pela polícia tzarista foi pouco depois interrompida novamente por outra prisão, que teve lugar a 22 de abril de 1912. No cárcere permaneceu recluso vários meses, ao cabo dos quais foi deportado para o território de Narim, por três anos, Em 1° de setembro de 1912, Stálin fugiu do desterro e regressou a Petersburgo, onde dirigiu os periódicos "Estrela" e "Pravda", e a atividade dos bolchevistas na campanha eleitoral à V Duma do Estado, intervindo nos motins operários. Escreveu o famoso "Mandato dos Operários de Petersburgo a Seu Deputado Operário", que Lénin qualificou como um documento "sumamente importante". Todo o trabalho de Stálin se realizou em estreito contacto com Lénin.

Em 1912-1913, Stálin escreveu sua obra "O Marxismo e o Problema Nacional", sobre o qual Lénin escrevia que na literatura teórica marxista, dedicada ao problema nacional, "em primeira linha... se destacam os artigos de Stálin."

A 23 de fevereiro de 1913, Stálin foi novamente preso e desterrado por quatro anos para o território de Turujan. Mas também, neste longínquo desterro, Stálin resolve de uma maneira leninista todos os problemas essenciais da guerra, da paz e da revolução. Em dezembro de 1916 foi êle transferido para Krasnoiarsk e depois para Achinsk, onde recebeu a notícia da revolução de fevereiro e de onde marchou para Petrogrado. Em uma série de artigos, Stálin expôs aos bolchevistas, as tarefas traçadas, defendeu a política de desconfiança ao Governo Provisório, manifestou-se contra o espírito de defensiva, chamando-os à luta ativa contra a guerra imperialista e contra o oportunismo.

Em Petrogrado, Stálin, junto com Lénin, ao regressar este do exílio, dirigiu a luta dos bolchevistas na nova etapa histórica.

Na Conferência de Abril, traçaram ambos a orientação da luta pela transformação da revolução democrático-burguesa em revolução socialista, lutando contra a posição traidora de Kamenev, Rikov e Bukharin. Nessa Conferência, Stálin como informante, interveio sobre o problema nacional. Em maio de 1917 foi Stálin eleito membro do Bureau Político do C.C., criado então, tendo sido reeleito, invariavelmente desde aquela época. O período que corre da revolução democrático-burguesa de Fevereiro à Grande Revolução Socialista de Outubro foi o de mais intensa atividade para Stálin. Sob sua direção, por indicação indicação de Lénin, foi realizada a tarefa do VI Congresso, que orientou o Partido à insurreição armada, até a revolução socialista. Neste Congresso, Stálin protestou energicamente contra a proposta traidora de Kamenev, Rikov eTrotski sobre o comparecimento de Lénin ao tribunal da contra-revolução. O VI Congresso apoiou a opinião de Stálin e a vida de Lénin foi salva. Desmascarou ainda, nesse Congresso, aos trotskistas que apresentaram teses contra-revolucionárias, da impossibilidade do triunfo do socialismo na URSS.

Nas sessões históricas do C.C. do Partido de 10 a 16 de outubro, Stálin interveio contra Kamenev e Zinoviev, defendendo a resolução apresentada por Lénin sobre a insurreição armada. Stálin encabeça a chapa eleita pelo Comitê Central para dirigir a insurreição, e sob sua direção, foi elaborado o plano da mesma. Junto com Lénin foi o organizador da Grande Revolução Socialista de Outubro. Vitoriosa, a Revolução fez parte do primeiro Conselho de Comissários do Povo, dirigido por Lénin.

A nova etapa na história do Partido Comunista (b), começando desde o advento dos bolchevistas ao Poder, está relacionada com as novas páginas, extraordinariamente luminosas da atuação de Stálin como organizador das vitórias nas frentes de batalha durante a guerra civil, como teórico do Partido e dirigente de povos, como grande estadista e genial transformador do país.
Desde os primeiros dias de existência do Governo Soviético, ocupou Stálin os cargos de maiores responsabilidades no Estado, exercendo já no primeiro Conselho de Comissários do Povo o cargo de Comissário de Assuntos das Nacionalidades, e, desde 1919, também o de Comissário do Povo do Controle do Estado.

Nos dias de Brest-Litovski atuou com Lénin contra os traidores Trotski e Bukharin, defendendo a paz a fim de consolidar a República Soviética.
Excepcionais são os méritos de Stálin na criação e construção do Exército Vermelho e na organização do esmagamento dos intervencionistas e da contra-revolução interna durante os anos da guerra civil. Ao nome de Stálin estão ligados os triunfos do Exército Vermelho em todas as frentes decisivas: a defesa de Tsaritsin, a derrota de Koltchak e de Denikin, realizada plenamente dentro do plano proposto por ele, a defesa de Petrogrado (Leningrado), a vitória sobre os "panis" polaco e a destruição de Wrangel.

Em 1919, por proposta de Lénin, foi condecorado com a ordem da Bandeira Vermelha, devido à sua abnegação às lutas das frentes, durante a guerra civil. Em 1922, por indicação de Lénin, Stálin foi eleito Secretário Geral do Comitê Central do Partido Comunista (bolchevique) da URSS e desde essa época ocupa esse cargo.

Grandes são os seus méritos na criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A decisão histórica adotada sobre a formação da URSS foi proposta de Lénin e Stálin (30 de dezembro de 1922 no I Congresso dos Soviets de toda a Rússia). Depois da morte de Lénin (21 de janeiro de 1924), o núcleo leninista do Comitê Central, e todo o Partido Bolchevista se unem em torno de Stálin, o mais fiel e firme continuador da obra de Lénin, Em nome do Partido Bolchevista, Stálin jurou sobre a tumba de Lénin seguir os seus ensinamentos e cumprir seus legados.

Sustentando uma luta tenaz contra os trotskistas, Stálin uniu o Partido sob a bandeira do leninismo. Excepcional importância tem o livro de Stálin, publicado em 1924, "Sobre os Fundamentos do Leninismo", que é uma magistral exposição e uma fundamentação teórica muito séria do leninismo, que armou e continua hoje armando aos bolchevistas do mundo inteiro com a arma aguçada da teoria marxista-leninista" (História do P. C. (b) da URSS, Compêndio). No esmagamento do trotskismo teve grande importância o trabalho de Stálin publicado no mesmo ano, "A Revolução de Outubro e a Tática dos Comunistas Russos", dando uma síntese teórica das experiências da Grande Revolução Socialista de Outubro. Nesse trabalho, continua Stálin desenvolvendo a teoria leninista da possibilidade do triunfo do socialismo na URSS, examinando os dois aspectos deste problema: o das condições internas que dão a possibilidade de construir a sociedade socialista na URSS e o das condições externas, das quais depende a vitória definitiva do socialismo na URSS. E Stálin não só deu uma fundamentação teórica completa da possibilidade do triunfo do socialismo na URSS como também traçou os caminhos e meios para alcançá-lo. Stálin desenvolveu as idéias de Lénin sobre a industrialização socialista do país e a coletivização da economia rural, elaborando os planos concretos para tão gigantesca tarefa. E defendeu a idéia da industrialização e da coletivização, dentro de uma luta resoluta contra os trotskistas e bukarinistas que resistiam furiosamente à política do Partido. Sob a direção de Stálin, o Partido conseguiu, porém, criar com êxito as bases da economia socialista. Em fevereiro de 1930, foi Stálin, por propostas dos operários e camponeses, condecorado com a segunda ordem da Bandeira Vermelha, por seus grandes méritos à frente da edificação socialista.

Stálin é o criador da Constituição da sociedade socialista, cuja fundamental importância está esboçada claramente no seu informe ao VIII Congresso Extraordinário dos Soviets da URSS A nova Constituição da URSS era a expressão pura de que a URSS entrara numa nova fase de seu desenvolvimento, a fase do término da construção da sociedade socialista sem classe e de que caminhava paulatinamente até ao comunismo. Estas conquistas de significação histórica universal, que tornaram o socialismo uma realidade viva, foram alcançadas sob a direção de Stálin.

O Compêndio de História do PC (b) da URSS, publicado por iniciativa de Stálin e com sua participação direta, teve um grande papel na educação ideológica dos quadros do Partido e do Estado e enriqueceu o Partido com as experiências genialmente sintetizadas de toda a sua riquíssima história. O trabalho "Sobre o Materialismo Dialético e o Materialismo Histórico", escrito por Stálin para essa História, eleva a um novo grau superior o materialismo dialético. De acordo com a nova fase de desenvolvimento que se iniciava na URSS, Stálin expôs, em seu informe ao XVIII Congresso do PC (b) da URSS o grandioso programa da luta pela realização da passagem gradativa para a fase superior do comunismo; planejou a tarefa de igualar e superar nos próximos 10 a 15 anos, inclusive economicamente, aos países capitalistas mais adiantados; fundamentou a possibilidade de construir o comunismo na URSS, nas condições do cerco capitalista; continuou o desenvolvimento da teoria de Marx, Engels, Lénin sobre o Estado. Stálin em seus trabalhos teóricos desenvolveu e propagou todos os princípios integrantes do marxismo-leninismo: a filosofia, a economia política, o comunismo científico. Enriqueceu ainda o materialismo dialético e o materialismo histórico com uma síntese filosófica da gigantesca prática histórica dos fins do século XIX e a primeira metade do século XX, com a síntese das extraordinárias experiências dos muitos anos de luta do Partido Bolchevista. Excepcionalmente grande é a contribuição de Stálin à teoria leninista sobre o imperialismo e sobre a possibilidade do triunfo do socialismo em um só país e a impossibilidade de seu triunfo simultaneamente em todos os países. Analisou profundamente as novas formas de luta de classes, engendradas na época da ditadura proletária, assinalou com a sua atuação um genial modelo de direção da política exterior do Estado Socialista nas condições do cerco capitalista, armou o Partido com o conhecimento das leis da luta política, da construção do comunismo. Stálin desenvolveu a teoria leninista no Partido, descobriu as leis que regem seu desenvolvimento interno; elevou cada vez mais a idéia de Lénin sobre a democracia interna do Partido, sobre o papel e o significado dos seus quadros; aprofundou a ciência leninista sobre a direção das massas, sobre as relações do Partido com o povo.

No seu 60.° aniversário, por deliberação dos povos da URSS, o Presidium do Soviet Supremo da URSS concedeu a Stálin o título de Herói do Trabalho Socialista com a entrega do Ordem de Lénin, pelos seus excepcionais e inestimáveis méritos aos povos da União Soviética e à humanidade trabalhadora.

Fonte: Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 5 - Dezembro de 1947 . 

Fonte - Marxists.org

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Truman marcou data para jogar 300 bombas na União Soviética

Harry S. Truman


Em 1949, o governo dos EUA aprovou o plano “Dropshot”. Sinteticamente, tratava-se de jogar sobre a URSS 300 bombas atômicas e 250 mil toneladas de explosivos convencionais. O plano estabelecia uma data para o início do bombardeio atômico da URSS: 1º de janeiro de 1957. Como frisou o historiador que o revelou (após ser desclassificado da categoria de “secreto” em 1978), Anthony Cave Brown, “o plano americano Dropshot de guerra mundial contra a União Soviética foi elaborado em 1949 por uma comissão da Junta de Chefes de Estado Maior com autorização e conhecimento do presidente Truman” (“Dropshot. The United States Plan for War with the Soviet Union in 1957”, N.Y., 1978).

Durante quase 10 anos ele foi o norte da estratégia ianque em relação à URSS: “Dropshot, plano para uma terceira guerra mundial (....) governou o pensamento estratégico [americano] dos anos 50” (John J. Reilly, “World War in 1957”, Part I).

Como relata Brown, a data de 1957 era um adiamento. A anterior era 1º de janeiro de 1950. Na época, as 300 bombas eram todo o estoque nuclear dos EUA. Elas seriam jogadas sobre as 100 principais cidades soviéticas. Como não existiam ainda os mísseis balísticos intercontinentais, eram previstos 6.000 vôos para lançá-las, às milhares de toneladas de bombas “convencionais”. A Junta de Chefes de Estado Maior já havia começado os exercícios para atingir Moscou, Leningrado, os Urais, a área do Mar Negro, o Cáucaso, Arkhangelsk, Tashkent, Alma-Atá, Baikal e Vladivostok. Somente sobre a região do Mar Negro, seriam enviados 233 bombardeiros - e atiradas 32 bombas atômicas. Nesse momento, o nome dado ao plano era “Troiano”. Em suma, assumia-se que o ataque era de surpresa, à traição.

O bombardeio da URSS em 1950 não se levou a efeito porque a Força Aérea chegou à conclusão que – nas palavras de um dos seus comandantes, major-general Anderson – não podia “a) completar inteiramente a ofensiva aérea” planejada e “b) assegurar a defesa aérea dos EUA e Alaska”.

Daí o adiamento da guerra nuclear para 1957, quando, segundo pressupunha o plano Dropshot, já teriam resolvido esses detalhes – como se, nesse tempo, a URSS não aumentasse, como aumentou, a sua capacidade de se defender.

Com esse adiamento não concordava o general Curtis Le May, na época comandante da força aérea americana na Europa – e, depois, comandante da força aérea e membro da Junta de Chefes de Estado Maior até o governo Kennedy. Segundo Le May, era preciso imediatamente “despovoar vastas dimensões da superfície terrestre, deixando só vestígios da atividade material do homem” (Brown, pág. 5). Vinte anos depois, em suas memórias (“America in Danger”), Le May se queixaria: “tínhamos o poder de destruir por completo a Rússia sem machucarmos sequer as mãos”.

Desde 1945, logo depois de ter matado 250 mil civis em Hiroshima e 150 mil em Nagasáqui, o establishment ianque planejava outro ataque nuclear. Dessa vez a um país que era, na época, oficialmente aliado e amigo. Nesse ano, a Junta de Estado Maior fez uma lista de 20 cidades soviéticas para alvo de bombardeio atômico. As 20 cidades soviéticas eram: Moscou, Leningrado, Gorky, Kuibishev, Baku, Tashkent, Cheliabinski, Nizhni Taguil, Magnitorsk, Sverdlovsk, Novosibirisk, Omsk, Sarátov, Kazan, Perm, Tblisi, Novokuznetsk, Grozni, Irkutsk, Yaroslavl. Os EUA já haviam aprontado 196 bombas atômicas. A URSS não possuía nenhuma. A resolução 432/D do Comitê Conjunto de Planejamento Militar (14/12/1945) dizia: “segundo nossos cálculos, utilizando as 196 bombas atômicas que compõem 100% das reservas, os EUA estariam em condições de causar tal destruição que o golpe poderia ser decisivo”. E o documento 329 do Comitê Conjunto de Informação da Junta esclarece que espécie de destruição: “a capacidade de destruir concentrações humanas é uma das propriedades relevantes da arma atômica”.

Não se tratava de planejar “retaliação” em caso de suposta agressão. Não havia nem ameaça de agressão. Tanto a Junta quanto o Departamento de Estado reconheciam que a URSS “não era um perigo imediato”. A Junta queria fazer o ataque pelo risco de que os avanços tecnológicos da URSS a capacitassem a “um ataque aos EUA ou a defender-se de nosso ataque”. Em suma, queriam impedir qualquer possibilidade de resistência a submeter o mundo. E, acrescentavam, as bombas atômicas deviam ser usadas “para a destruição maciça de cidades” (Michael Sherry, “Preparing for the Next War. American Plans for Postwar Defense”, 1941-1945, Yale University Press, 1977, pág. 57).

Logo que produziram mais bombas, o plano foi ampliado: em 1948, o plano “Charioteer” previa no primeiro momento, 133 bombas atômicas sobre 70 cidades soviéticas (oito para Moscou e sete para Leningrado), e mais 200 bombas atômicas nos dois anos seguintes, além de 250 mil toneladas de bombas “convencionais”. Um plano derivado, o “Fleetwood”, previa a data de 1º de fevereiro de 1949, para o lançamento das 133 bombas atômicas (“Containment: Documents on American Policy and Strategy, 1945-1950”, NY, 1978).

Alguns meses depois, uma comissão chefiada pelo general Harmom, da Força Aérea, estimou que “A fase inicial da ofensiva atômica provocará, pelo menos, 2 milhões e 700 mil mortos e 4 milhões de vítimas adicionais”. O relatório Harmon terminava assim: “...as vantagens do uso imediato da arma atômica devem estar acima de tudo. Devem ser empreendidos todos os esforços razoáveis com o objetivo de preparar os meios para levar rápida e eficazmente o máximo número de bombas atômicas aos alvos planificados”.

Mas, então, a URSS produziu a sua primeira bomba atômica. Tornou-se impossível realizar o bombardeio nuclear da URSS sem contar com alguma resposta no mesmo nível. No entanto, não desistiram. Apenas adiaram a data para 1º de janeiro de 1957. Depois, já com Eisenhower (que, ao contrário de Truman, era extremamente enfronhado e interessado no assunto, ao ponto de não faltar a uma reunião do Conselho de Segurança Nacional durante oito anos - Truman foi a 11 delas entre mais de 50; Kennedy nem aparecia lá), foram feitas algumas correções: documentos dos anos 1954 e 1955 mostram que o ataque planejado para dois anos depois, era agora em 118 cidades soviéticas, que receberiam 750 bombas atômicas em apenas duas horas. Num desses documentos, havia a prazerosa observação: “Duas horas, e não restará mais do que um montão de ruínas radioativas”. (David A. Rosenberg, “A Smoking Radiation Ruin at the End of Two Hours”, International Security, 1982, p. 34).

A data de 1º de janeiro de 1957 teve também que ser abandonada. Os soviéticos, como era de se prever, tinham aumentado a sua capacidade de defesa, tonando inviável destruir a URSS, como diria o general Le May, “sem machucar sequer as mãos”. É verdade que nem isso os fez desistir de todo: em 1962, em meio ao bloqueio de Cuba, Le May e seus colegas da Junta de Estado Maior, e Robert Mcnamara, um moleque de recados de Nelson Rockefeller, propuseram a Kennedy o bombardeio nuclear da URSS, com a “garantia” de que podiam destruir os estimados 50 mísseis intercontinentais que os soviéticos tinham, antes que fossem disparados. Kennedy, que não era maluco, “não se entusiasmou e preferiu não testar a garantia” (John J. Reilly, “World War in 1957”).

domingo, 11 de setembro de 2011

Ziuganov: “acordo Molotov-Ribbentrop permitiu à URSS vencer o fascismo”

Ziuganov

Há 70 anos, no dia 23 de agosto, foi firmado o Pacto de Não Agressão germano -soviético, “graças ao qual a União Soviética conseguiu vencer o fascismo”, afirmou o presidente do Comitê Central do Partido Comunista da Federação Russa e líder da bancada comunista na Duma (Congresso Nacional), Guen-nadi Ziuganov.

“José Stalin tomou a genial e única decisão possível naquelas condições históricas, quanto à assinatura do acordo de não agressão entre a URSS e Alemanha, que agora denominam pacto Molotov-Ribbentrop”, disse Ziuganov, em entrevista às revistas “Rossia” e “Politi-cheski klass”, de Moscou.

“Depois que a URSS não conseguiu chegar a um acordo com as ‘democracias’ ocidentais para frear a Alemanha fascista, essa medida sem precedentes foi adotada. Documentos publicados recentemente confirmam, mais uma vez, que era a única decisão correta para nosso país em umas condições em que os países do Ocidente incentivavam a maquinaria militar hitlerista para avançar em direção à URSS, e eram necessários ao nosso país, como o ar, mais uns anos de respiro em paz para poder resolver as inadiáveis tarefas de fortalecimento da capacidade defensiva”, ressaltou o dirigente do PCFR.

“A sabedoria do político é uma questão fundamental. Quero sublinhar outra vez, que a decisão de fechar o pacto é uma das geniais decisões tomadas então e, o que não é casual, que hoje em dia lembrem dela todos os inimigos da Rússia e de nosso povo”, disse, advertindo que, “se o fascismo tivesse conseguido o que queria teria cercado toda a Europa de arames farpados, exterminando povos inteiros”.

Têm tentado recentemente reabilitar a campanha de falsificações sobre o Pacto de Não Agressão, iniciada praticamente em 1939, acusando o país que foi a força chave para a derrota do fascismo de ter colaborado com Hitler, sendo também responsável pelo início da II Guerra.

“Ao alcançar o acordo, Stalin ganhou a batalha pelo espaço e o tempo, transformando-se numa das garantias de nossa futura grande vitória em 1945”, assinalou Ziuganov, denunciando que o objetivo da campanha era e é manchar o prestígio e o papel de proa da URSS em todo o mundo obtido pelo heróico comportamento do povo soviético em Leningrado, Moscou, Stalingrado, Odessa, Minsk, Kursk, Brest, Kharkov, Smolensk, Tula, Kiev, Sebastopol e muitas outras batalhas contra Hitler e em defesa da Humanidade.

“Os serviços de contra-inteligência exterior soviéticos, conseguiram - em mais de uma ocasião - provas documentais, de que os Estados Unidos e uma série de países da OTAN se fixaram - e vêm desde há muitos anos colocando em prática - uma tarefa: conseguir por todos os meios que a União Soviética seja vista como Estado agressor, ou pelo menos, cúmplice ativo de Hitler na realização de suas aspirações e planos expansionistas na Europa e no mundo”, relatou Ziuganov.

“Isso explicaria a reanimação de momento da campanha anti-russa em relação com o 70º aniversário do Pacto Molotov-Ribbentrop, em particular a recente e tristemente célebre resolução da assembléia parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE): ‘Reunificação da Europa dividida: violação dos direitos humanos e as liberdades civis na região da OSCE no século XXI’. Instando a declarar o dia 23 de agosto, ou seja o dia da assinatura há 70 anos do pacto Molotov-Ribbentrop, dia em memória das vítimas do stalinismo e do nazismo, a OSCE na prática declara a Alemanha e a URSS responsáveis no mesmo grau pelo começo da Segunda Guerra Mundial”, frisou o dirigente comunista.

O PCFR encabeçando a maioria dos partidos do país, o governo russo, e cerca de 70 partidos comunistas e progressistas de todo o mundo condenaram essa resolução da OSCE.

Em 1948, o Ministério de Relações Exteriores da URSS, em resposta à campanha promovida pelos setores imperialistas nos EUA a respeito do Pacto de Não Agressão assinado com a Alemanha em 1939, emitiu o documento “Nota sobre os falsificadores da História”, rico em informações que não podem ser desmentidas. A mídia imperialista, não podendo responder a ele, resolveu escondê-lo. O HP publicou, nas edições 2783 e 2784 do mês de julho passado, os principais trechos.

Documentários e Vídeos

Intelectual da Ucrânia fala sobre as "repressões de Stalin"  ¡Stalin de acero, conciencia del obrero! O nome da Rússia: Stalin, por Valentin Varennikov 

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