terça-feira, 13 de setembro de 2011

Truman marcou data para jogar 300 bombas na União Soviética

Harry S. Truman


Em 1949, o governo dos EUA aprovou o plano “Dropshot”. Sinteticamente, tratava-se de jogar sobre a URSS 300 bombas atômicas e 250 mil toneladas de explosivos convencionais. O plano estabelecia uma data para o início do bombardeio atômico da URSS: 1º de janeiro de 1957. Como frisou o historiador que o revelou (após ser desclassificado da categoria de “secreto” em 1978), Anthony Cave Brown, “o plano americano Dropshot de guerra mundial contra a União Soviética foi elaborado em 1949 por uma comissão da Junta de Chefes de Estado Maior com autorização e conhecimento do presidente Truman” (“Dropshot. The United States Plan for War with the Soviet Union in 1957”, N.Y., 1978).

Durante quase 10 anos ele foi o norte da estratégia ianque em relação à URSS: “Dropshot, plano para uma terceira guerra mundial (....) governou o pensamento estratégico [americano] dos anos 50” (John J. Reilly, “World War in 1957”, Part I).

Como relata Brown, a data de 1957 era um adiamento. A anterior era 1º de janeiro de 1950. Na época, as 300 bombas eram todo o estoque nuclear dos EUA. Elas seriam jogadas sobre as 100 principais cidades soviéticas. Como não existiam ainda os mísseis balísticos intercontinentais, eram previstos 6.000 vôos para lançá-las, às milhares de toneladas de bombas “convencionais”. A Junta de Chefes de Estado Maior já havia começado os exercícios para atingir Moscou, Leningrado, os Urais, a área do Mar Negro, o Cáucaso, Arkhangelsk, Tashkent, Alma-Atá, Baikal e Vladivostok. Somente sobre a região do Mar Negro, seriam enviados 233 bombardeiros - e atiradas 32 bombas atômicas. Nesse momento, o nome dado ao plano era “Troiano”. Em suma, assumia-se que o ataque era de surpresa, à traição.

O bombardeio da URSS em 1950 não se levou a efeito porque a Força Aérea chegou à conclusão que – nas palavras de um dos seus comandantes, major-general Anderson – não podia “a) completar inteiramente a ofensiva aérea” planejada e “b) assegurar a defesa aérea dos EUA e Alaska”.

Daí o adiamento da guerra nuclear para 1957, quando, segundo pressupunha o plano Dropshot, já teriam resolvido esses detalhes – como se, nesse tempo, a URSS não aumentasse, como aumentou, a sua capacidade de se defender.

Com esse adiamento não concordava o general Curtis Le May, na época comandante da força aérea americana na Europa – e, depois, comandante da força aérea e membro da Junta de Chefes de Estado Maior até o governo Kennedy. Segundo Le May, era preciso imediatamente “despovoar vastas dimensões da superfície terrestre, deixando só vestígios da atividade material do homem” (Brown, pág. 5). Vinte anos depois, em suas memórias (“America in Danger”), Le May se queixaria: “tínhamos o poder de destruir por completo a Rússia sem machucarmos sequer as mãos”.

Desde 1945, logo depois de ter matado 250 mil civis em Hiroshima e 150 mil em Nagasáqui, o establishment ianque planejava outro ataque nuclear. Dessa vez a um país que era, na época, oficialmente aliado e amigo. Nesse ano, a Junta de Estado Maior fez uma lista de 20 cidades soviéticas para alvo de bombardeio atômico. As 20 cidades soviéticas eram: Moscou, Leningrado, Gorky, Kuibishev, Baku, Tashkent, Cheliabinski, Nizhni Taguil, Magnitorsk, Sverdlovsk, Novosibirisk, Omsk, Sarátov, Kazan, Perm, Tblisi, Novokuznetsk, Grozni, Irkutsk, Yaroslavl. Os EUA já haviam aprontado 196 bombas atômicas. A URSS não possuía nenhuma. A resolução 432/D do Comitê Conjunto de Planejamento Militar (14/12/1945) dizia: “segundo nossos cálculos, utilizando as 196 bombas atômicas que compõem 100% das reservas, os EUA estariam em condições de causar tal destruição que o golpe poderia ser decisivo”. E o documento 329 do Comitê Conjunto de Informação da Junta esclarece que espécie de destruição: “a capacidade de destruir concentrações humanas é uma das propriedades relevantes da arma atômica”.

Não se tratava de planejar “retaliação” em caso de suposta agressão. Não havia nem ameaça de agressão. Tanto a Junta quanto o Departamento de Estado reconheciam que a URSS “não era um perigo imediato”. A Junta queria fazer o ataque pelo risco de que os avanços tecnológicos da URSS a capacitassem a “um ataque aos EUA ou a defender-se de nosso ataque”. Em suma, queriam impedir qualquer possibilidade de resistência a submeter o mundo. E, acrescentavam, as bombas atômicas deviam ser usadas “para a destruição maciça de cidades” (Michael Sherry, “Preparing for the Next War. American Plans for Postwar Defense”, 1941-1945, Yale University Press, 1977, pág. 57).

Logo que produziram mais bombas, o plano foi ampliado: em 1948, o plano “Charioteer” previa no primeiro momento, 133 bombas atômicas sobre 70 cidades soviéticas (oito para Moscou e sete para Leningrado), e mais 200 bombas atômicas nos dois anos seguintes, além de 250 mil toneladas de bombas “convencionais”. Um plano derivado, o “Fleetwood”, previa a data de 1º de fevereiro de 1949, para o lançamento das 133 bombas atômicas (“Containment: Documents on American Policy and Strategy, 1945-1950”, NY, 1978).

Alguns meses depois, uma comissão chefiada pelo general Harmom, da Força Aérea, estimou que “A fase inicial da ofensiva atômica provocará, pelo menos, 2 milhões e 700 mil mortos e 4 milhões de vítimas adicionais”. O relatório Harmon terminava assim: “...as vantagens do uso imediato da arma atômica devem estar acima de tudo. Devem ser empreendidos todos os esforços razoáveis com o objetivo de preparar os meios para levar rápida e eficazmente o máximo número de bombas atômicas aos alvos planificados”.

Mas, então, a URSS produziu a sua primeira bomba atômica. Tornou-se impossível realizar o bombardeio nuclear da URSS sem contar com alguma resposta no mesmo nível. No entanto, não desistiram. Apenas adiaram a data para 1º de janeiro de 1957. Depois, já com Eisenhower (que, ao contrário de Truman, era extremamente enfronhado e interessado no assunto, ao ponto de não faltar a uma reunião do Conselho de Segurança Nacional durante oito anos - Truman foi a 11 delas entre mais de 50; Kennedy nem aparecia lá), foram feitas algumas correções: documentos dos anos 1954 e 1955 mostram que o ataque planejado para dois anos depois, era agora em 118 cidades soviéticas, que receberiam 750 bombas atômicas em apenas duas horas. Num desses documentos, havia a prazerosa observação: “Duas horas, e não restará mais do que um montão de ruínas radioativas”. (David A. Rosenberg, “A Smoking Radiation Ruin at the End of Two Hours”, International Security, 1982, p. 34).

A data de 1º de janeiro de 1957 teve também que ser abandonada. Os soviéticos, como era de se prever, tinham aumentado a sua capacidade de defesa, tonando inviável destruir a URSS, como diria o general Le May, “sem machucar sequer as mãos”. É verdade que nem isso os fez desistir de todo: em 1962, em meio ao bloqueio de Cuba, Le May e seus colegas da Junta de Estado Maior, e Robert Mcnamara, um moleque de recados de Nelson Rockefeller, propuseram a Kennedy o bombardeio nuclear da URSS, com a “garantia” de que podiam destruir os estimados 50 mísseis intercontinentais que os soviéticos tinham, antes que fossem disparados. Kennedy, que não era maluco, “não se entusiasmou e preferiu não testar a garantia” (John J. Reilly, “World War in 1957”).

domingo, 11 de setembro de 2011

Ziuganov: “acordo Molotov-Ribbentrop permitiu à URSS vencer o fascismo”

Ziuganov

Há 70 anos, no dia 23 de agosto, foi firmado o Pacto de Não Agressão germano -soviético, “graças ao qual a União Soviética conseguiu vencer o fascismo”, afirmou o presidente do Comitê Central do Partido Comunista da Federação Russa e líder da bancada comunista na Duma (Congresso Nacional), Guen-nadi Ziuganov.

“José Stalin tomou a genial e única decisão possível naquelas condições históricas, quanto à assinatura do acordo de não agressão entre a URSS e Alemanha, que agora denominam pacto Molotov-Ribbentrop”, disse Ziuganov, em entrevista às revistas “Rossia” e “Politi-cheski klass”, de Moscou.

“Depois que a URSS não conseguiu chegar a um acordo com as ‘democracias’ ocidentais para frear a Alemanha fascista, essa medida sem precedentes foi adotada. Documentos publicados recentemente confirmam, mais uma vez, que era a única decisão correta para nosso país em umas condições em que os países do Ocidente incentivavam a maquinaria militar hitlerista para avançar em direção à URSS, e eram necessários ao nosso país, como o ar, mais uns anos de respiro em paz para poder resolver as inadiáveis tarefas de fortalecimento da capacidade defensiva”, ressaltou o dirigente do PCFR.

“A sabedoria do político é uma questão fundamental. Quero sublinhar outra vez, que a decisão de fechar o pacto é uma das geniais decisões tomadas então e, o que não é casual, que hoje em dia lembrem dela todos os inimigos da Rússia e de nosso povo”, disse, advertindo que, “se o fascismo tivesse conseguido o que queria teria cercado toda a Europa de arames farpados, exterminando povos inteiros”.

Têm tentado recentemente reabilitar a campanha de falsificações sobre o Pacto de Não Agressão, iniciada praticamente em 1939, acusando o país que foi a força chave para a derrota do fascismo de ter colaborado com Hitler, sendo também responsável pelo início da II Guerra.

“Ao alcançar o acordo, Stalin ganhou a batalha pelo espaço e o tempo, transformando-se numa das garantias de nossa futura grande vitória em 1945”, assinalou Ziuganov, denunciando que o objetivo da campanha era e é manchar o prestígio e o papel de proa da URSS em todo o mundo obtido pelo heróico comportamento do povo soviético em Leningrado, Moscou, Stalingrado, Odessa, Minsk, Kursk, Brest, Kharkov, Smolensk, Tula, Kiev, Sebastopol e muitas outras batalhas contra Hitler e em defesa da Humanidade.

“Os serviços de contra-inteligência exterior soviéticos, conseguiram - em mais de uma ocasião - provas documentais, de que os Estados Unidos e uma série de países da OTAN se fixaram - e vêm desde há muitos anos colocando em prática - uma tarefa: conseguir por todos os meios que a União Soviética seja vista como Estado agressor, ou pelo menos, cúmplice ativo de Hitler na realização de suas aspirações e planos expansionistas na Europa e no mundo”, relatou Ziuganov.

“Isso explicaria a reanimação de momento da campanha anti-russa em relação com o 70º aniversário do Pacto Molotov-Ribbentrop, em particular a recente e tristemente célebre resolução da assembléia parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE): ‘Reunificação da Europa dividida: violação dos direitos humanos e as liberdades civis na região da OSCE no século XXI’. Instando a declarar o dia 23 de agosto, ou seja o dia da assinatura há 70 anos do pacto Molotov-Ribbentrop, dia em memória das vítimas do stalinismo e do nazismo, a OSCE na prática declara a Alemanha e a URSS responsáveis no mesmo grau pelo começo da Segunda Guerra Mundial”, frisou o dirigente comunista.

O PCFR encabeçando a maioria dos partidos do país, o governo russo, e cerca de 70 partidos comunistas e progressistas de todo o mundo condenaram essa resolução da OSCE.

Em 1948, o Ministério de Relações Exteriores da URSS, em resposta à campanha promovida pelos setores imperialistas nos EUA a respeito do Pacto de Não Agressão assinado com a Alemanha em 1939, emitiu o documento “Nota sobre os falsificadores da História”, rico em informações que não podem ser desmentidas. A mídia imperialista, não podendo responder a ele, resolveu escondê-lo. O HP publicou, nas edições 2783 e 2784 do mês de julho passado, os principais trechos.

sábado, 10 de setembro de 2011

Katyn, a patranha continua

A mesma cena difamatória no cartaz nazista e na capa do DVD

Conforme mostramos na edição 65 de AND, as acusações de que foi o Exército Vermelho, a mando de Stalin, quem cometeu a chacina de Katyn são uma mera patranha, requentada por obstinados anticomunistas. Quando Goebbels escreveu em seu diário, em 18 de maio de 1943, "desgraçadamente a munição alemã foi encontrada em Katyn. É fundamental que este incidente se mantenha em segredo. Se for conhecido pelo inimigo, todo o assunto de Katyn terá que ser abandonado", certamente não poderia supor que tal fato óbvio e cristalino seria empurrado para baixo do tapete por seus colegas imperialistas, e que 70 anos depois continuariam difamando Stalin e o socialismo às custas de seu "servicinho", com manobras propagandísticas que deixariam o próprio Goebbels enrubescido. Até o cartaz de divulgação da campanha difamatória foi reeditado, na capa do DVD do filme sobre Katym. Qualquer semelhança não é mera coincidência, é cópia mesmo.

Com a morte de Stalin, a URSS caiu na mão dos inimigos do socialismo, primeiro dos revisionistas, social-imperialistas encabeçados por Kruchov, e depois pelos assumidamente capitalistas. Ciclo iniciado por Gorbachov.

Em 1990, Gorbachev reconheceu oficialmente a responsabilidade do NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos) em Katyn.

No dia 28 de abril de 2010, alguns dias após a morte do presidente da Polônia, Lech Kaczynski, o presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, fez publicar uma série de documentos "oficiais" atribuidos ao Estado soviético versando sobre o massacre de Katyn. Esses documentos incluem um bilhete assinado por Stalin, ordenando ao NKVD que realizasse o massacre de Katyn.

A publicação foi saudada por todos os reacionários do planeta como uma prova da boa vontade do governo russo em passar a limpo as "atrocidades" cometidas no governo de Stalin. Alguns porta-vozes chegaram mesmo a afirmar que era importante o próprio Estado russo divulgar os documentos, porque isso prova sua autenticidade, já que o "Estado não mente".

O mais surpreendente é que esses documentos só tenham sido publicados agora. Kruchov, desde os primeiros dias, tratou de satanizar Stalin de todas as formas possíveis. Acusou-o de toda a sorte de crimes contra camponeses, operários, quadros do Partido Comunista e tudo o mais que pudesse. Apresentação de provas? Nenhuma, apenas um mar de calúnias. O que não faria com o prato cheio de documentos que provriam um crime de guerra tão brutal de Stalin?

Com os recursos existentes hoje, é possível "provar" até que foi Stalin quem ordenou, talvez a Beria,  para que providenciasse a derrubada do avião do presidente polonês Lech Kaczynski, em abril deste ano. Mas na época de Kruchov a falsificação não era tão simples e, certamente, se tais papeluchos existissem teriam vindo à tona, justificando toda a campanha anti-stalinista do revisionismo.

E de repente, com a aparição de supostos documentos que provariam toda a culpa de Stalin, são ignoradas todas as investigações e outra farta documentação da época, inclusive a correspondência entre Stalin, Churchil e Roosevelt, as várias comissões internacionais que foram à Katyn investigar o massacre e concluíram a responsabilidade dos nazistas.

Ora, trata-se de uma questão política muito importante para Rússia, Polônia e Alemanha, principalmente para suas classes dominantes e seus setores mais fascistas, problema muito complexo para ser "esclarecido" por bilhetinhos de autenticidade mais que duvidosa, como se Stalin fosse de dar ordens através de bilhetinhos!

Eis alguns fatores que devem ser levados em conta, embora não possamos nos deter neles:

A questão da territorialidade polonesa (a Polônia era parte do império russo antes da Revolução de Outubro); seu papel de cabeça de ponte para invasões à Rússia; seus sucessivos governos fascistas e pró-nazistas; o contexto em que foi revelado o massacre pelos nazistas, na esteira da derrota em Stalingrado; as denúncias de coação até da reacionária Cruz Vermelha; os testemunhos de inúmeros habitantes da região atestando as ações nazistas; o anticomunismo alimentado na Polônia pelo vaticano e potências imperialistas no contexto da Guerra Fria; a restauração capitalista na União Soviética em 1956 e a queda das democracias populares no leste europeu; toda campanha de difamação de Stalin como forma de atacar a ditadura do proletariado; o desmoronamento do social-imperialismo russo em 1990; a atual tensão entre Rússia e Polônia, instigada pelo USA por causa da instalação do escudo anti-mísseis ianque; o acirramento das contradições no mundo por causa da atual crise geral do capitalismo; entre outros.

Todas essas questões são dados da realidade que não podem ser omitidos e há ainda que considerar a luta, no campo da ideologia, entre capitalismo e socialismo, que torna-se cada vez mais aguda à medida que o imperialismo vai dando mostras de sua bancarrota.

Por que manter uma campanha difamatória que já dura quase 60 anos? Mais ainda, por que intensificá-la no presente momento? Na verdade, a resposta é bastante simples. Marx, Engels, Lenin, Stalin e o Presidente Mao Tsetung são a fonte em que os povos do mundo bebem para buscar sua completa libertação. Seus ensinamentos guiam o proletariado e as classes revolucionárias rumo à vitória. Tal coisa não pode ser aceita pelo imperialismo nem por seus lugares-tenentes, o revisionismo e o oportunismo. Além do mais, se por um lado, com suas guerras de agressão o imperialismo cada vez mais amplia o fascismo, deixando Hitler envergonhado, por outro, cada vez mais a bandeira dos grandes mestres está presente nas mãos dos povos em luta.


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Intelectual da Ucrânia fala sobre as "repressões de Stalin"  ¡Stalin de acero, conciencia del obrero! O nome da Rússia: Stalin, por Valentin Varennikov 

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